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A leptospirose é uma doença ou infecção naturalmente transmissível entre os animais

vertebrados e o homem (Côrtes, 1993; Colemen, 2000), de curso agudo a crônico que afeta
diversas espécies de animais domésticos e silvestres, além do homem, assumindo considerável
importância como problema econômico e de saúde pública (Faine et al., 1999).

A atenção para a leptospirose foi ampliada a partir da primeira guerra mundial, devido à
forte incidência entre os beligerantes. Hoje, pode-se dizer que a leptospirose está espalhada por
toda parte, acometendo bovinos, ovinos, caprinos, suínos, cães, gatos, coelhos e animais
silvestres. Nos EUA, já foi considerada como a quarta doença dos bovinos, na escala de
importância, causando, prejuízos superiores a 200 milhões de dólares em mortalidade, perdas de
carne, de leite e de crias (Ferreira, 1976).

No Brasil, os primeiros trabalhos sobre leptospirose foram publicados no Rio de Janeiro,


em 1917, por Aragão, sobre “A presença do Spirochaeta icterohaemorrhagiae nos ratos do Rio de
Janeiro”, Revista Brasil Médico; por Bentes, “Da leptospirose de Inada ou Icterushaemorrhagiae”
tese apresentada na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e, por Mc Dowell, “Do
Icterusepidemicus”, publicado no Arquivo Brasileiro de Medicina (BRASIL, 1995).

ETIOLOGIA

As bactérias do gênero Leptospira apresentam morfologia espiralada e por este motivo


são denominadas espiroquetas. Atualmente neste gênero, são reconhecidas duas
espécies: Leptospira biflexa, que engloba as amostras não patogênicas do gênero; e Leptospira
interrogans composta de mais de 200 sorovariedades diferentes e patogênicas, agrupadas em
sorogrupos segundo o grau de similaridade entre as mesmas.

O período de sobrevida das leptospiras patogênicas na água varia segundo a temperatura,


o pH, a salinidade e o grau de poluição. Todas as leptospiras são sensíveis ao pH ácido de 6,8 ou
menos, porém sua multiplicação é ótima em pH levemente alcalino compreendido entre 7,2 e 7,4
(BRASIL, 1995).

Epidemiologia

Do ponto de vista epidemiológico, é importante destacar o papel dos ratos como


reservatórios naturais e importantes vetores da Leptospira em meios urbanos. Embora no
meio rural, o rato também tenha sua importância como fonte de infecção para o rebanho
e o homem, os principais reservatórios da doença dentro de uma propriedade bovina são
os próprios animais infectados que disseminam a bactéria através de seus produtos de
secreção (Vasconcellos et al., 1997). Nestes animais as leptospiras podem permanecer
por longo período nos rins, sendo eliminadas por semanas ou meses através da urina. A
transmissão da leptospira pode ocorrer pelo contato direto com a pele, mucosa oral e
conjuntival com a urina e/ou órgãos de animais portadores. Dessa forma, a via venérea,
transplacentária e mamária ou até o hábito de limpeza da genitália, escroto e tetas entre
os animais podem constituir-se em rotas importantes de transmissão (Guimarães et al.,
1982).

No Brasil, a leptospirose bovina é endêmica, sendo bastante freqüente nos


rebanhos de corte e leite. Embora a taxa de mortalidade nesta espécie seja baixa, em torno
de 5%, a morbidade geralmente é elevada. Estudos de prevalência da doença demonstram
considerável variação entre rebanhos de diferentes regiões do país, sendo os maiores
índices registrados nas regiões, com grandes precipitações pluviométricas, podendo
ocorrer em solos neutros ou alcalinos.

Controle

O controle da doença no rebanho deve partir do diagnóstico laboratorial da


sorovariedade circulante na propriedade. Conhecida a amostra circulante podem ser
aplicadas duas estratégias de controle. A primeira delas baseia-se no tratamento dos
animais doentes no sentido de controlar a eliminação de leptospiras na urina e
conseqüente contaminação ambiental. O antibiótico mais frequentemente utilizado no
tratamento da leptospirose é a estreptomicina alcançando resultados bastante satisfatórios.

É importante destacar que quando a sorovariedade presente no rebanho não faz


parte da composição das vacinas comerciais, ou quando o responsável pelo rebanho opta
por fazer um controle direcionado as sorovariedade circulantes na região, é possível ser
realizada em alguns laboratórios do país, a produção de vacinas com bacterinas
específicas para a situação epidemiológica do rebanho.

Preventivamente a vacinação deve-se iniciar em bezerros com 4 a 6 meses,


seguidas por revacinações anuais ou semestrais. Também é relevante a realização de
testes sorológicos regulares, mantendo-se vigilância constante do rebanho, na
possibilidade da entrada de novos sorotipos.
Além da vacinação, medidas de higiene como identificação da fonte de infecção
(lamaçais, lugares úmidos, áreas alagadiças, presença de roedores) e diminuição do
contato dos animais com essas áreas podem ser de grande eficácia no controle da
leptospirose bovina.

REFERENCIAS

FAVERO, M; PINHEIRO, S.R.; VASCONCELLOS, S.A.; MORAIS, Z.M; FERREIRA,


F.; FERREIRA NETO, J.S. Leptospirose bovina – variantes sorológicas predominantes
em colheitas efetuadas no período de 1984-1997 em rebanhos de 21 estados do
Brasil. Arq. Inst. Biol., São Paulo. v. 68, n. 2, p. 29-35, 2001.

GUIMARÃES, M.C. Epidemiologia e controle da leptospirose em bovinos: papel de


portador e seu controle terapêutico. Revista Faculdade Medicina Veterinária
Zootecnia.USP, v.6/7, p. 21-34, 1982.

VASCONCELLOS, S.A.; BARBARINI JR, O.; UMEHARA, O. et al. Leptospirose


Bovina. Níveis de ocorrência e sorotipo predominantes em rebanhos dos estados de Minas
Gerais, São Paulo, Rio de janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.
Período de janeiro a abril de 1996. Arquivos Instituto Biologia, São Paulo, 64, p. 7-15,
jul./dez., 1997.

BRASIL. Ministério de Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento


de vigilância epidemiológica. Guia de vigilância epidemiológica. 6. ed. Brasília:
Ministério da Saúde, 2001.816p.