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Ao Dr.

Lavington, Bispo de Exeter - Parte I


Londres, 27 de Novembro de 1750

Meu senhor,

1. Eu fiquei aflito, quando li as seguintes palavras na Terceira Parte do "Fanatismo


dos Metodistas e Papistas Comparados": — "Uma mulher honesta e sensível disse ao
Bispo de Exeter, na presença de diversas testemunhas, que o sr. John Wesley veio até sua
casa, e a questionou, se ela 'tinha a segurança da salvação'. Sua resposta foi a de que ela
esperava que pudesse ser salva, mas não tinha absoluta segurança dela. Porque, então',
replicou ele, 'você está no inferno, você já está condenada'. Isto aterrorizou, de tal modo, a
pobre mulher, que estava, então, esperando um filho, que ela ficou gravemente
atemorizada de abortar, e não pode, por um longo tempo recuperar sua sanidade mental.
Por causa disto, e os Metodistas pedindo a ela para viverem isentos de custos, ela
determinou não admiti-los mais em sua casa. Tanto é seu próprio relato ao senhor lorde,
sobre cuja autoridade está aqui publicado".

2. Isto renovou a preocupação que eu senti, desde então, quando fui informado (nas
cartas que tenho ainda comigo) da publicação por parte do senhor lorde, deste relato, ambos
em Plymouth, Devonshire, e em Truro, Cornwall, antes que o clero se reunisse de todos
esses condados, por ocasião da solene visita do senhor lorde a sua diocese. Mas não fui
informado que o senhor lorde mostrou uma profunda preocupação pela honra de Deus, que
você supôs ser tão terrivelmente violada, ou uma terna compaixão por um presbítero a
quem você acreditou estar se apressando para a destruição eterna.

3. Com o objetivo de ser mais completamente informado, no sábado, 25 de Agosto


de 1750, o Sr. Trembath, de St. Ginnys; o sr. Haime, de Shaftesbury, e eu, visitamos a casa
do Sr. Morgan, em Mitchel. A serva dizendo que seu mestre não estava em casa, eu desejei
falar com sua senhora, a 'honesta e sensível mulher'. Eu imediatamente perguntei: "Alguma
vez eu disse a você, ou ao seu marido, que você estaria condenada, se você pegasse algum
dinheiro de mim?". (Assim, a estória correu, na primeira parte da "Comparação"; ela tem
agora sido submetida à mesma alteração considerável). "Ou você ou ele, alguma vez
afirmou", (outra circunstância relatada em Truro), "que eu fui rude com sua criada?". Ela
replicou, veementemente: "Senhor, eu nunca disse que você foi, ou que você afirmou
alguma coisa deste tipo. E eu não suponho que meu marido o tenha feito. Mas nós temos
sido interpretados mal, assim como nossos vizinhos". Ela acrescentou: "Quando o bispo
veio pela vez passada, ele nos enviou recado de que jantaria em nossa casa; mas não veio,
sendo convidado para a casa de um cavalheiro na vizinhança. Ele me enviou recado de lá,
e disse: 'Boa mulher, você conhece essas pessoas que vão para cima e para baixo: Você
conhece o sr. Wesley? Ele não disse a você, que você seria condenada, se pegasse algum
dinheiro dele? E ele não ofereceu rudeza à sua criada?'. Eu disse a ele: 'Não, meu lorde;
ele nunca disse tal coisa a mim, nem ao meu marido, pelo que sei a respeito. Ele nunca
ofereceu qualquer rudeza a alguma criada minha. Eu nunca vi, ou soube de algum dano
causado por ele: Mas uma mulher me disse uma vez (alguém que eu soube era um
Pregador Metodista) que eu seria condenada, se eu não soubesse que meus pecados foram
perdoados'".
4. Este é o próprio relato que ela me deu. E um relato que é irreconciliavelmente
diferente (não obstante algumas pequenas semelhanças na última circunstância) daquele
que se afirma, ela deu ao senhor lorde.

Se ela deu este relato ao senhor lorde, ou não, o senhor lorde sabe melhor. Que o
Comparador afirme isto, não é prova, afinal; uma vez que ele irá afirmar qualquer coisa que
seja adequada ao seu propósito.

5. Ainda assim, eu fiquei pesaroso de ver a autoridade do senhor lorde, citada nesta
ocasião; visto que muitos dos seus leitores, não considerando o homem, podem pensar que
o senhor lorde realmente encorajou tal escritor; alguém que transforma as coisas mais
sérias, mais respeitáveis e mais veneráveis, em meras farsas; que torna as partes mais
essenciais da religião verdadeira, experimental, em assunto de baixa bufonaria; que,
começando no mesmo surgir dela na alma, ou seja, "arrependimento em direção a Deus,
um coração quebrantado e contrito', segue para a 'fé no senhor Jesus Cristo", por meio do
qual 'aquele que crê é nascido de Deus", para "o amor de Deus espalhado no coração",
atendido com "com a paz e alegria no Espírito Santo", -- para nosso subseqüente "não
contender" apenas "com a carne e sangue, mas com principados e potestades e espíritos
maus, nas regiões celestes" – e, daí, para "o amor perfeito", o "amar o Senhor nosso Deus,
com todo nosso coração, mente, alma e força"; e tratar cada um desses tópicos sagrados
com o espírito e aparência de um Merry Andrew [bufão]. Que vantagem os inimigos
comuns do Cristianismo podem colher disto, o senhor lorde não pode estar inconsciente.

6. O senhor lorde não pode deixar de discernir o quanto todo o teor de seu livro
tende a destruir as Escrituras Santas, por interpretá-las de maneira desprezível aos olhos do
povo; fazê-las cheirarem mal nas narinas dos infiéis. Por exemplo: Depois de ler sua
zombaria elaborada da tristeza e medo que usualmente atendem o primeiro arrependimento
(chamado por Crisóstomo, assim como por milhares de outros escritores, "as angústias ou
dores do parto do novo nascimento"), o que pode um infiel pensar dessas e de expressões
nas Escrituras: "Eu tenho vociferado, por causa da mesma inquietude do meu coração:
Temor e tremor estão juntos a mim, e um pavor horrível me oprime?". Depois de sua
inundação de sátira sobre todos os conflitos com satanás, qual julgamento pode um Deísta
formar do que Paulo fala, concernente às várias lutas de um cristão com o diabo? Acima de
tudo, quanto o seu trazer os luxuriosos poetas pagãos para exporem o puro e spiritual amor
de Deus, naturalmente faz com eles olhem, com os mesmos olhos, passagens elevadas de
todos os escritos inspirados?

O que pode ser mais divertido para eles do que aplicar suas glukupikron erwtov
"dulcamaras de amor" a muitas expressões nos Cânticos dos Cânticos, os Cânticos de
Salomão? (Sobre os quais, ele, indubitavelmente supõe o Justo Circassiano ser uma
paráfrase muito justa!) "Oh!", dizem eles, "o mesmo caso: 'sustente-me com maças, porque
estou doente de amor".

7. Provavelmente, o Comparador irá replicar: "Não; eu não ridicularizo as coisas


em si mesmas; arrependimento, o novo nascimento, a luta da fé, ou o amor de Deus; tudo o
que eu sei são essenciais para a religião; mas apenas a tolice e o fanatismo que são
misturados com esses, através dos Metodistas". Mas que pretexto pobre é este! Tivesse
este sido realmente o caso, quão cuidadosamente ele teria esboçado as linhas, sob cada um
desses tópicos, -- entre a religião sóbria de um cristão, e o fanatismo de um Metodista! Mas
ele fez isto? Ele tomou um cuidado especial para mostrar, sob cada qual, a religião
verdadeira, assim como a falsa? Onde a primeira termina e a última começa? Quais são os
limites próprios de cada uma? O senhor lorde sabe que ele nem mesmo se empenhou ou se
esforçou para isto; mas, indiscriminadamente derramou a inundação fora de sua boca
imunda, junto a todo arrependimento, fé, amor, e santidade.

8. O Senhor lorde irá se agradar de observar que eu não toquei aqui, nos méritos
menores da causa. Sejam os Metodistas o que forem: tolos, loucos, fanáticos, patifes,
impostores, Papistas, ou qualquer outra coisa, ainda assim, o senhor lorde percebe que isto,
em grau nenhum, afeta o ponto em questão: Ainda assim, cabe a todo cristão; mais ainda,
cabe a todo pagão razoável, considerar o assunto que ele está tratando, e tomar cuidado
para não levar isto para disputa (especialmente, se for de menor importância), por mais
imperdoáveis ou desprezíveis que seus oponentes possam ser.

9. Esta comparação, meu senhor lorde, estendeu-se muito sobre minha mente,
quando eu li as primeiras partes da Comparação. Eu vi imediatamente que não havia me
deparado com um bufão, através da razão e argumento sério. Isto naturalmente teria
fornecido a ambos, a ele e a seus admiradores novos motivos de ridículo. Por outro lado, se
eu me permitisse descer um nível com ele, através de uma maneira menos séria de escrever
do que estou acostumado a fazer, eu estaria temeroso de aviltar a dignidade do assunto.
Mais do que isto, eu não sabia, se eu poderia pegar alguma coisa de seu espírito. Eu me
lembrei do conselho em (Provérbios 26:4) "Não respondas ao tolo segundo a sua
estultícia, para que também não te faças semelhante a ele".

E, vi ainda que devia haver uma exceção em alguns casos, como as palavras
imediatamente seguintes mostram: "Respondas a um tolo, de acordo com sua tolice, para
que ele seja sábio em seu próprio conceito". Eu imagino que, se ele disse: "Ainda é
necessário, em alguns casos, 'responder a um tolo, de acordo com sua tolice', caso
contrário, ele será 'sábio em seu próprio conceito, do que sete homens que podem
submeter-se a razão'", eu, portanto, me constrangi a me aproximar, tão perto quanto eu me
atrevi, de sua própria maneira de escrever. E eu confio que a ocasião irá pleitear minha
escusa com relação ao senhor lorde e todos os homens razoáveis.

10. Um bom efeito do meu encontro com ele, sobre seu próprio terreno já é visível.
Em vez de se esforçar para se defender, ele desistiu inteiramente da Primeira Parte de sua
Comparação. Na verdade, eu não esperava isto, quando eu observei que a Terceira Parte foi
endereçada a mim. Eu tomei por certo que ele objetivou alguma coisa parecida como uma
resposta à minha pergunta: Mas seguindo em frente, eu me encontrei completamente
equivocado. Nem uma vez, ele tentou uma réplica a uma página; qualquer coisa ao
contrário do que, através do grito penetrante de "Atrevimento, indecência, desaforo"; e em
acrescentar aquela observação sagaz: "Papel e tempo seriam desperdiçados em tal
bobagem".
11. Eu não posso deixar de considerar isto um outro bom efeito, o fato de ele estar
menos confiante do que esteve antes. Ele igualmente não está mais irado ou mais amargo,
uma vez que não pode estar, mas alguns graus, mais sério. De modo que eu percebo
plenamente que este é o caminho que eu devo tomar, seu eu tiver tempo para responder à
Terceira Parte; embora esteja longe de meu desejo escrever desta maneira; ela é tão
contrária à minha inclinação, quanto ao meu costume.

12. Mas, será possível que uma pessoa do caráter do senhor lorde pode permitir tal
performance como esta? Não deve ser o desejo do senhor lorde, incutir contenda a todos
que são verdadeiramente veneráveis em meios aos homens! Golpear o Cristianismo no
coração, sob uma nuança de oposição ao fanatismo; e aumentar e dar uma sanção para a
profanidade que já se espalha sobre nossa terra como uma inundação.

13. Fossem os Metodistas sempre tão maus, ainda assim, eles não seriam tão
desprezíveis e insignificantes, para a atenção do senhor lorde. "Contra quem o rei de Israel
investiu? Contra uma pulga? Contra uma perdiz nas montanhas?".

Tais são eles, sem dúvida, se aquela representação deles for justamente a que o
Comparador tem dado. Contra quem (se o senhor lorde aderir à sua causa) você está
movimentando o poder supremo da nação? Contra quem o senhor lorde guarnece os
Ministros de todas as denominações, particularmente, seus irmãos da Igreja Estabelecida?
Os incitando a nos pintar, para suas diversas congregações, como não adequados a viverem
sobre a terra. Os efeitos disto já têm aparecido, em muitas partes, ambas de Devonshire e
Cornwall. Nem eu conheci qualquer revolta considerável em alguma parte da Inglaterra,
pelo qual tal pregação não pavimentou o caminho.

14. Eu imploro que me deixe perguntar, se seria uma satisfação ao senhor lorde,
se uma perseguição nacional retornasse. Será que o senhor lorde deseja reviver as velhas
leis do haeretico comburendo? [O nome de um escrito antigo pelas cortes seculares,
quando um homem era extraditado a elas pelos tribunais eclesiásticos, depois de ter sido
condenado por heresia. Através desta lei, que durou de 1401 a 1611, um homem era
condenado à fogueira - tradutora].

O senhor lorde se regozijaria de ver os próprios Metodistas confinados às estacas


em Smithfield? Ou você aplaudiria a execução, embora não legalmente ou decentemente
executada pela turba em Exeterm Plymouth-Dock, ou Launceston? Meu senhor, que
proveito existiria em nosso sangue? Ele seria uma adição à felicidade do senhor lorde, ou
alguma vantagem para a causa Protestante, ou alguma honra quer para nossa Igreja ou
nação?

15. O Comparador, sem dúvida, responderia: "Sim, porque isto impediria as


conseqüências horríveis de sua pregação". Meu senhor dê-me licença para dizer uma vez
mais, que eu prontamente colocaria toda a causa sobre esta questão. Quais são as
conseqüências gerais de nossa pregação? Existem mais joios ou trigos? Mais homens bons
destruídos (como o Sr. Church supôs uma vez), ou homens maus salvos? Os últimos
lugares na diocese do senhor lorde, onde nós começamos pregação constante, estão perto de
Liskeard na Cornuália, e em Tiverton em Devonshire. Agora, que qualquer homem possa
inquirir:

(1) Que tipos de pessoas eram essas há um ano; e que agora ouvem
constantemente esta pregação?
(2) Quais eram as principais doutrinas que os Metodistas têm ensinado nestes
doze meses?
(3) Que efeito essas doutrinas tiveram, junto a seus ouvintes?

E se você não se certificar: (1) Que a maior parte desses eram, a um, ou dois anos
atrás, notoriamente homens maus; (2) Ainda que as doutrinas principais que eles ouviram
desde então, foram: "Amem a Deus e ao seu próximo, e mantenham cuidadosamente Seus
mandamentos": E (3) que eles, desde então, têm se exercitado nisto, e continuam a assim
fazê-lo — eu digo, se algum homem razoável, que se esforce para inquirir, não se certificar
que este seja um fato inquestionável, eu abertamente irei reconhecer meu fanatismo, ou o
que quer que ele possa se agradar de me denominar.

16. Eu imploro que me deixe concluir este endereçamento ao senhor lorde com
algumas poucas palavras mais, transcritas da mesma carta: "Permita ao Sr. Wesley", diz o
Sr. Church, "a não ser esses poucos pontos, e ele irá defender sua conduta, acima de
exceção". Isto é, na maior parte, verdade. Se eu, de fato, progredi em nada, mas no
conhecimento e amor verdadeiro de Deus; se Deus fez de mim um instrumento na reforma
de muitos pecadores, e no trazê-los à religião interior pura; e se muitos desses continuam
santos, e livres de todo pecado obstinado, até este dia; então, eu posso, até mesmo eu, usar
dessas maravilhosas palavras: "Ele que menospreza a mim, menospreza a Ele que enviou a
mim". Mas eu nunca esperei que o mundo me permitisse um desses pontos.

De qualquer forma, eu devo seguir em frente, como Deus me capacitar. Eu devo


dispor de quaisquer talentos que Ele confie a mim (quer outros acreditem que eu faça isto
ou não), para o progresso do conhecimento cristão verdadeiro de Deus, e o amor e temor a
Deus, entre os homens; na reforma (se agradar a ele me usar ainda) desses que ainda estão
sem Deus no mundo; e no propagar a religião interior pura, "retidão, paz, e alegria no
Espírito Santo".

Sinceramente desejando ao senhor lorde, toda felicidade no e tempo e eternidade.


Eu permaneço seu mais obediente servo.

John Wesley

CONTINUA.....