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Você achava que a gente ia deixar


a Páscoa passar em branco? Que
nada. Uma data tão importante
assim, cheia de histórias para
contar, tem a obrigação de ser
registrada ─ senão ninguém vai
comer chocolate. Acompanhe
histórias nostálgicas com a
ambientação de cada jogo e
com cara de anos 90!

ESCOLHA UMA CRÔNICA


PARA COMEÇAR:

Pág 04 - A Páscoa do 17 x 1, por Alan Ricardo de Oliveira


Pág 08 - A Mística da Ressurreição, por Denis Bortolaço
Pág 14 - Meu Deus, eu preciso desse jogo!, por Johnny Vila
Pág 18 - Páscoa com Alex Kidd, por Mario Cavalcanti
Pág 23 - Videogames em Família, por Rafael Marques
Pág 28 - Hadouken de Chocolate, por Tiozão da WZ

Revista WarpZone Crônicas nº 3 - É uma publicação da WarpZone Editora

Editor-Chefe: Cleber Marques • Diretor de Arte: Leandro Cruz • Diagramador:


Cleber Marques • Revisão: Rafael Belmonte • Redatores: Alan Ricardo de
Oliveira, Denis Bortolaço, Johnny Vila, Mario Cavalcanti, Rafael Marques e
Tiozão da WarpZone.
por Alan Ricardo de Oliveira

A Páscoa
do 17 x 1
Cheguei lá por volta das 17:45h, quinze
minutos antes de baixarem as portas e,
como era de se esperar de uma véspera
de feriado, quase não haviam mais
cartuchos para alugar. Mas, bem no

A Páscoa de 1995 reservou, além dos


tradicionais ovos de chocolate, uma
derrota fenomenal no jogo World Heroes
cantinho, estavam World Heroes 2 e
Sonic BlastMan 2 me esperando. Apesar
de eu já ter alugado esses títulos várias
2, para SNES. Tudo começou em uma vezes, peguei-os novamente porque
quinta-feira, véspera do feriado da Paixão meu amigo Danilo iria em casa para
de Cristo. Nessa época, estava com meus jogarmos.
16 anos e meu primeiro emprego. Como
saia ás 17:30, sabia que iria chegar na
locadora, a Boomerang, que, assim como
a maioria, não existe mais.

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Chegou o domingo (de Páscoa), depois daquele
almoço especial e de abrir os ovos ─ e quase
passar mal de tanto comer ─ eis que toca o
interfone e meu amigo chega para o duelo do
século. Primeiro fomos jogar Sonic BlastMan
2, tradicional beat’n up para 2 jogadores muito
divertido e com ótimos gráficos. Terminamos
o jogo sem problemas. Após isso, mostrei as
revistas recentes que havia comprado,
Videogame, Ação Games e Supergamepower.
Conversamos sobre os novos
lançamentos e consoles.

Por mais que fosse divertido passar o dia jogando até cansar os dedos, a hora do
café da tarde era uma coisa que realmente marcou demais essa época, era nessa
hora que sentávamos à mesa e ficávamos sonhando com o que iríamos jogar no
futuro, qual console seria o ideal para comprar. Naquela época, estava uma
confusão com tantos consoles novos aparecendo: 3DO, Saturno, Playstation, Neo
Geo CD, Virtual Boy, Jaguar, isso sem falar do esperadíssimo Nintendo 64.

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Depois do café, voltamos ao bom e velho Ele precisava ir embora, mas eu pedi
Super Nintendo com World Heroes 2. para jogarmos mais uma. Ele, rindo,
Primeiro jogamos até o final com o dizia que já estava cansado de ganhar.
Hanzou, revezando entre rounds, depois... Eu disse que se eu ganhasse essa
as disputas. Escolhi Hanzou, meu saberia que, se continuássemos até à
personagem predileto, e Danilo escolheu noite, teria chance de virar o placar.
Fuma. As lutas começam e eu perco os 2 Infelizmente, Danilo e seu Fuma
rounds. Perdi uma atrás da outra e ele desceram a lenha em mim e o resultado
contando as vitórias: 5, 6, 7. Começa a final foi a, vergonhosa, derrota de 17 a 1
choradeira: “não é possível, esse jogo tá ─ esse 1 foi chorado, para falar a
com defeito; o controle tá falhando; você verdade.
tá roubando...”. De todas, a pior desculpa
que usei foi de que comi muito chocolate
e estava com dor na barriga. Após 11
derrotas consecutivas, consegui, com
muito custo, minha primeira vitória. Mas a
alegria durou pouco, novamente ele me
deu uma surra, totalizando 16 a 1.

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Momentos mágicos como esse marcaram a vida das
crianças e adolescentes da década de 1990, recheada de
jogos de luta, um melhor que o outro. Hoje, fico
eternamente grato por ter aproveitado essa época e por
esse domingo de Páscoa especial que sempre será
lembrado como a Páscoa do 17x1.

FIM

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por Denis Bortolaço

A Mística da
Ressurreição

A mística religiosa da Páscoa que


ressoa no coração dos adultos
através da celebração da
ressurreição de Cristo, nas inocentes
almas das crianças se torna
sinônimo de esperança de um imenso
e recheado ovo de chocolate.

Porém, feriado, também sempre era uma ótima


oportunidade para a bem-vinda pausa escolar
que, obviamente, resultava em uma tão
esperada visita à locadora.

Aos olhos de alguém que tinha 12 anos, 24 horas a


mais com o tão sonhado cartucho se convertia em
uma eternidade. Parece que o tempo sobre o
prisma de alguém tão jovem corre em um ritmo
diferenciado. Como se, naquela época, fossemos
imunes à urgência do mundo adulto.

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Para a maioria das pessoas, um dia livre
de obrigações significava mais horas de
Chegando lá, meus olhos sobrevoavam
sono. Mas, eu tinha uma missão e deveria
as capas dos jogos de Super Nintendo,
abrir mão dessa regalia em troca de um
porém, o precário conhecimento que eu
objetivo maior. Acordei muito cedo,
tinha para tomar uma decisão que
ansioso para chegar até a locadora. À
preencheria todo meu fim de semana
primeira vista, isso pode parecer exagero,
prolongado era baseado nas
mas a disputa pelos melhores títulos era
informações trazidas pelas revistas que
intensa. A recompensa pela abdicação de
eu comprava nas bancas e pela minha
mais horas na cama era a possibilidade de
própria intuição. Clássicos como Donkey
escolher os títulos mais desejados.
Kong Country 2, Super Street Fighter 2 e
Yoshi’s Island, já estavam
nas mãos de outros
meninos. Uma
mistura de inveja e
frustação me
invadiu...

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Respirei fundo e, mais uma vez, voltei
minha atenção para a vasta prateleira. A
indecisão me consumia, já que minhas
primeiras opções haviam sido arrancadas Algo ecoou em minha alma naquele
de mim. Foi quando eu avistei uma capa momento. Toda a dúvida havia se
bem sombria, um guerreiro erguia o braço dissipado. Ainda que eu não o
esquerdo enquanto mantinha um chicote conhecesse, inconscientemente sabia
enrolado na mão direita. Ao fundo, um que essa era uma decisão que não me
grupo de morcego atravessava uma traria arrependimentos. Hoje, vejo que
enorme e imponente lua cheia. No meio, talvez isso tenha sido obra do destino.
um ser das trevas me observava Não me lembro quais eram os outros dois
fixamente com suas pupilas amareladas e jogos que eu aluguei para compor o
diabólicas. Grafado em estilosas fontes, pacote. Mas, de fato, isso realmente não
lia-se: Castlevania: Dracula X. importa.

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O impacto visual daquela capa ficou
impregnado em minha mente, eu só Ao longo dos anos, minha paixão pela
queria chegar o mais rápido possível em franquia crescia. Se tornando umas das
casa para confirmar meu pressentimento. minhas preferidas ao lado de Final
Felizmente, minhas expectativas foram Fantasy e Resident Evil. Essa devoção
excedidas. E ainda que minhas chegou à tal ponto em que senti
habilidades fossem proporcionais à minha necessidade de segmentar minha
vontade de desbravá-lo, não desisti. O coleção só por itens dela. Buscava
ovo de chocolate que antes era prioridade, fervorosamente por jogos, trilhas
se tornou algo secundário. Totalmente sonoras, revistas ou qualquer outro
suplantado por uma das experiências material que se ligasse diretamente a
mais prazerosas que eu apreciei no 16-bit esse universo. O ápice da minha
da Nintendo. realização com a franquia aconteceu
com o “Clássicos Castlevania”, desde o
Meu primeiro contato com Castlevania foi início dessa série de livros, defendia o
até meio tardio e totalmente inesperado. merecimento de uma publicação
E com um título controverso e hostilizado totalmente dedicada a ela.
por muitos, por apresentar grandes
lacunas em relação à versão do PC
Engine, na qual é baseado. Mas, nutro um
imensurável carinho por ele. Por me
apresentar a interminável batalha entre
Drácula e o clã Belmont.

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Por fim, posso afirmar, com absoluta certeza, que minha
encarnação vinte anos mais jovem jamais acreditaria que
participaria de algo impresso que serve como um tributo,
revisitando toda a história dessa franquia. Seria curioso poder
voltar no tempo e acompanhar minha própria reação...

FIM 12
por Johnny Vila
Amigo Leitor, vai pensando na melodia daquela

Meu Deus, eu cantiga infantil de páscoa:

preciso desse jogo! ─ Coelhinho da Páscoa, o que trazes pra mim? ─


─ Uma troca enrolada e prejuízo pra mim! ─
─ Minha mãe bem zangada e um castigo sem fim! ─

O k, ok.... Meu forte nunca foi


composição musical, e também
nunca fui bem-sucedido nos 'rolos' de
Avançando na 'WarpZone do tempo',
voltamos para o presente (da crônica), o
que na verdade é um passado... bom,
games que realizei durante a infância. acho que deu pra entender o conceito.
Na casa de um amigo, vejo um jogo
Essa história inicia-se algumas semanas novo no portfólio dele, nada mais nada
antes de um longínquo domingo de menos que “Megaman X”. Ao testar o
páscoa. Vamos retroceder um pouco game, só pensei em uma coisa: “Meu
mais, chegando às vésperas do momento Deus, eu preciso desse jogo!”.
em que ganhei meu Super Nintendo. Ao Imediatamente iniciei o processo de
me deparar com o jogo F-Zero, proferi a persuasão para convencê-lo a
seguinte frase: “Meu Deus, eu preciso 'transacionar' aquela fita. Por se tratar
desse jogo!”. Para minha felicidade, foi um de uma época na qual os recursos eram
dos cartuchos que ganhei juntamente escassos, o escambo fazia-se
com o console. necessário para dar rotatividade ao
acervo de games à disposição.

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Ele era irredutível, pois havia um detalhe Sempre fui fã de jogos de plataforma,
importante: o jogo não era dele, mas de principalmente dos estrelados por
um primo que, meses antes, havia personagens no estilo 'mascotes'... o
emprestado e nunca mais voltou para meu pensamento, imediatamente, foi
pegar. Com a impressão de 'abandono' somente um: “Meu Deus, preciso
por parte do proprietário, imaginamos que desse jogo!”.
ele nem queria mais o jogo (sim, muitos
dias se passaram e, para uma criança,
isso às vezes era uma eternidade). Diante
da conclusão, resolvemos proceder à
troca: meu F-Zero pelo Megaman X 'dele'.
Meu amigo ganharia um game novo em
troca de um jogo que ele “herdou” e eu
conseguiria um fantástico para aproveitar
nos próximos dias.

E aproveitei até o dia em que fui a uma


locadora próxima de casa e me deparei
com um novo game de plataforma:
“Ardy Lightfoot”.

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Utilizei minhas habilidades de
negociador e parti para cima da
proprietária que, seduzida pela proposta
de ter um Megaman X novinho, aceitou
imediatamente. Lá estava eu, com meu
novo game, e a locadora, com um
clássico sem precedentes. Os dias se
passaram, joguei “Ardy Lightfoot” como
se não houvesse amanhã..., mas havia.

Domingão de páscoa, feliz da vida com


meus games e com a cesta de
chocolates que ganhei de presente dos
meus pais, não havia como ficar melhor.
Até que alguém chama lá na frente de
casa. Era o meu amigo, de cabeça baixa,
ao lado do primo dele e seu pai. Não me
parecia coisa boa... e não era mesmo. O
primo do meu amigo havia ido buscar o
Megaman X. Meu amigo apanhou
horrores da mãe dele e tentaram
oferecer o F-Zero como substituição,
mas não aceitaram.

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Ciente de todo o ocorrido, minha mãe
gentilmente convidou a trupe para entrar
em casa. Ela colocou todos os jogos de
Super Nintendo em cima da cama e
informou, ao primo do meu amigo, “Pode “Lasqueira”, fiquei no prejuízo! Só me
ficar com essa que ele trocou pela sua (F- restava uma coisa: afundar as mágoas
Zero) e escolha mais uma, de modo a em altas doses de glicose que os
reparar todo o transtorno e o mal- domingos de páscoa proporcionavam
entendido”. Ah... essas mães dos anos 80 com tanta extravagância... só que não:
e 90, sempre tão sabias e justas... O como parte adicional do castigo, minha
QUE??? Meu F-Zero e mais um jogo? mãe retirou os doces que eu havia
NÃÂÂOOOOOO! Mas foi assim, e não ganhado e só devolveria após eu pensar
apenas assim! Não bastasse serem dois bastante sobre o que havia feito de
jogos, adivinha qual jogo o maldito... errado. Felizmente ela me devolveu nos
digo... o garoto escolheu? Ardy Lightfoot!!! próximos dias, deve ter notado o quanto
refleti profundamente sobre o assunto
(apesar de que, histórias parecidas
como está ainda aconteceram algumas
outras vezes durante minha infância).

As lições mais importantes que aprendi com o ocorrido foram:

1 - Nunca troque um jogo seu por um jogo de um amigo que,


na verdade, não pertença a ele;
2 - Megaman X viria a valer muito mais que Ardy Lightfoot;
3 - Eu iria proferir a frase “Meu Deus, eu preciso desse jogo!”
milhares de vezes ao longo da minha vida. Aliás... não
acredito... olha só o que encontrei no ebay!!!

FIM

17
por Mario Cavalcanti

Páscoa com
Alex Kidd F oi durante a Páscoa de 1991, antes mesmo
do lançamento do Master System II da
Tectoy no Brasil, que tive o prazer de comprar o
game de plataforma que tanto queria: Alex Kidd
in Miracle World, o primeiro da franquia a ser
lançado por aqui. Meu irmão e eu babávamos
por ele nos comerciais de televisão que
anunciavam o título como a grande atração do
console. A pequena saga para a compra do
cartucho rendeu a única história pessoal de
Páscoa relacionada aos games de que me
lembro.

Eu, meu irmão, um vizinho e um amigo nosso


estávamos todos na rua (andávamos quase
sempre juntos nos finais de semana, era a
mesma turma que ia comigo aos shoppings,

locadoras, fliperamas etc.), quando vimos,


na vitrine das Lojas Americanas, uma
pequena 'pirâmide' de cartuchos de Alex
Kidd in Miracle World com um cartaz
exibindo um preço convidativo. Não me
recordo do valor, mas lembro-me bem
desse dia, já que a pirâmide dividia a
atenção do público com os
tradicionais corredores de ovos de
Páscoa do estabelecimento. Eram
tantos ovos que os adultos

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Fomos até a minha casa pegar
dinheiro, com minha mãe, para
comprar o cartucho e, quando
voltamos à loja, o vistoso preço
havia acabado de ser remarcado
(para 'cima'). Chegamos a ver o
funcionário com a clássica pistola
de remarcação de preços em
mãos (aquela que o cara dava
uma “porradinha” com ela nos
produtos e que fazia um "click"
quando colava as etiquetas de
preço nos itens). Sério! Foi só o
tempo de irmos à minha casa a
pé buscar o dinheiro, coisa de
menos de uma hora.

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Acredito que a remarcação estava se
dando por conta da Páscoa que, já
naquela época, era uma data
comercial e ─ assim como o Dia das
A vendedora, de forma simpática, foi
Crianças e o Natal ─ atraía muitos
chamá-lo. Foi um episódio engraçado,
pais com seus filhos. Não sei se a
mas um pouco embaraçoso porque
estratégia de aumentar o preço dos
percebi que o gerente, a vendedora e o
jogos durante uma data como a
funcionário da remarcação estavam
Páscoa era inteligente, mas era, no
achando aquela cena 'fofinha': quatro
mínimo, um tanto quanto
crianças correndo atrás dos seus...
gananciosa. Conversamos com uma
digamos, direitos de consumidor (bom,
vendedora e com o funcionário da
éramos pré-adolescentes; eu tinha por
remarcação, explicamos a situação e
volta de 14 anos, mas deviam enxergar
eles disseram que era preciso
a gente como crianças. Enfim, éramos
conversar com o gerente.
crianças mesmo). Felizmente, todos
foram muito atenciosos e o final da
história foi bom. O gerente, de bigode
(clássico) e com um sorriso no rosto,
disse: "eu vou fazer o preço antigo para
vocês". E saímos de lá felizes da vida
com o cartucho.

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Quando chegamos em casa,
ainda de tarde, abrimos
correndo a embalagem na
sala e fomos jogar. A hora
passou voando, nunca vi um
anoitecer chegar tão rápido
(risos). Até o lanche da tarde
ocorreu sem que a jogatina
fosse suspensa. Só largamos
o controle quando realmente
estava perto da hora do
jantar e cada um tinha que ir
para a sua casa.

Junto com esse título, Alex


Kidd in Shinobi World, Double
Dragon, Altered Beast,
Golden Axe, R-Type, Shinobi,
Fantasy Zone II, Aztec
Adventure, R.C. Grand Prix,
Ghouls’n Ghosts, Kenseiden,
Black Belt e Vigilante foram
alguns dos jogos que mais
curti no Master System. Mas
aquele dia foi definitivamente
dele. Foi uma Páscoa com
chocolate e Alex Kidd, talvez
muito mais 'Alex Kidd' do que
chocolate. :-)

FIM
Você está lá, na maior nostalgia, jogando aquele game que
te faz lembrar tanto da infância. De repente o game - ou
os continues - acabam, você para de jogar e começa a
pensar o seguinte: Poxa... esse jogo bem que podia ter tido
uma continuação. Bom, já que não há uma sequência oficial,
que tal uma continuação feita por fãs? Também não tem?!
Bom, aí, o jeito é apelar para o "faça você mesmo".

A GAMEscola abre turmas para seu curso online


esporadicamente. Por isso, é muito importante que você
aproveite as vagas que a GAMEscola abriu exclusivamente
para os leitores da WarpZone. Acesse já:
www.gamescola.com.br/warpzone e matricule-se o mais
rápido possível porque as vagas são limitadas! No link tem
um vídeo que explica todos os detalhes do curso, então,
corre lá e garante a sua porque o valor está imperdível!!!
por Rafael Marques

Q uando você tem menos idade que


dedos nas mãos, certamente seu Videogames
nível de preocupação com as coisas
mundanas se resume em diversão. E
estar feliz nessa época era,
em Família
invariavelmente, poder jogar meu
videogame sem nenhuma preocupação
com escola e outros afazeres.

Sempre ficava esperando os feriados na proibidas em casa. O ano era 1995, no


expectativa do meu pai vir e me levar até feriado de Páscoa, eu ficaria três dias fora
a casa do meu primo para as jogatinas da de casa. Meu tio Nivaldo era motorista de
madrugada – que eram explicitamente ônibus e a linha em que ele trabalhava
passava em frente de casa, em Santo
André. Nesse dia, em especial, não foi
meu pai que veio me buscar, mas meu
tio, que parou o ônibus no portão de casa
(era a última viagem do dia).

Tenho um carinho especial por essa


lembrança, pois, hoje, meu tio mora no
“céu” e ele sempre me tratou como um
filho. Me recebia muito bem em sua casa
e, assim que eu chegava, meu primo
Fabiano já ligava a televisão e
encarávamos os desafios que o Turbo
Game proporcionava.

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O jogo da vez era De volta para o Futuro II
e III, do NES. Game extremamente difícil –
confesso que até hoje não “fechei” como
gostaria. Não tínhamos nenhuma revista
que falava sobre ele, nossa única
referência era a contracapa do jogo
“original”, da Dynacom, que dizia: “Ajude-
o a acionar 6 dispositivos, o que fará com
que a temperatura da Maria Fumaça
aumente, dando maior velocidade ao
trem”. Ao ler isso, imaginávamos que se
tratava da terceira parte do filme, mas, no
início do jogo, ainda estávamos no futuro
sombrio liderado por Biff Tannen (que era
a segunda parte da trilogia original).
Resultado, ficamos explorando o local
tentando encontrar os “benditos”
dispositivos para levar o trem
para o futuro.

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O único meio de informação que tínhamos era a
revista. Nesses três dias de jogo, conseguimos
entender alguns objetivos, como: para acionar os
seis dispositivos, precisaríamos encontrar 30
objetos através das portas espalhadas em 1955,
1985 e 2015, para depois colocá-las em sua linha
temporal original. Descoberto isso, ficamos
eufóricos, já era sábado à noite e, no domingo à
tarde, eu iria voltar para casa. A única maneira de
vencer o desafio era passar a madrugada jogando
o máximo que pudéssemos para continuar no dia
seguinte – usando a mesma técnica da PAUSA
relatada nas Crônicas de Carnaval. Lembro-me
bem que ficamos com uma mão no controle e a
outra nos chocolates de Páscoa e, quando o
relógio apontava para as 3hs da manhã, fomos
obrigados a desligar e deixar para o dia "final".

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Acordamos cedo, umas 7hs da manhã, De alguma forma, meu primo foi desviar
tomamos café e voltamos para o o fio enquanto minha tia (a mãe dele)
videogame. Estávamos muito longe de passava e o videogame simplesmente
concluir qualquer objetivo, fizemos mapas travou. Olhos fixos na tela,
em papel, tentamos entender a lógica dos aproximadamente 20 horas de jogo
itens e as passagens entre as fases encerradas de forma abrupta e sem
buscando encontrar um norte. O feriado uma razão justa. Nossos olhos
estava acabando, o almoço de domingo começaram a marejar e juramos nunca
de Páscoa chegando e a nossa missão mais jogar aquele maldito jogo sem fim.
acabou terminando de forma inesperada.

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Tio Nivaldo, Tia Zilah, primo Rodrigo
e Fabiano, eu e minha avó Perciliana
Meu primo, muitos anos depois,
em março de 1988.
conseguiu “fechar” o jogo utilizando os
recursos do emulador (save/state). Jamais
poderíamos fazer isso no console e, tanto Mas, voltando àquele domingo de
é verdade que, até hoje, com a fita em Páscoa, fui surpreendido pelos meus
posse, nunca tive a felicidade de zerá-la. tios com um ovo de chocolate de
presente e voltei para casa feliz da
vida. A missão em De volta para o
Futuro II e III continuava sempre que ia
passar uns dias na casa do meu primo
e a lembrança que fica é o sentimento
de cumplicidade que existia ali.

Dedico essas palavras ao meu tio,


Nivaldo, que mora no céu e quem
sempre abriu às portas da sua casa
(junto da minha tia Zilah) para que eu
pudesse vivenciar ótimas experiências.
Obrigado também à minha prima
Jéssica pela receptividade.

Fabiano... o De volta para o Futuro


está nos esperando, mas, em vez de
chocolate, podemos passar a
madrugada tomando uma cervejinha.

FIM
Fabiano e eu em algum dia dos anos
90 – “A bola era da Copa do Mundo
de 1994”.

27
por Tiozão da Warpzone

O s dias de Páscoa de que recordo são


aqueles que esperávamos os Hadouken de
maiores ovos, lotados de bombom. Como
era de encher os olhos abrir um ovo de Chocolate
Páscoa e ver aquele monte de chocolate
no meio, uma surpresa atrás da outra,
mas só chocolate.

Hoje, quase todo ovo vem com um


brinquedo, mas, por favor, minha parte
em chocolate, OK? Quase não trocávamos
ovos entre a gente na locadora, mas
sempre ganhávamos de alguns clientes.
Ganhávamos e trucidávamos ali mesmo
no balcão, dividindo com o próprio cliente.
Ganhar era bom, mas comer na hora era
melhor ainda.

Naquela época, não tinham ovos de


colher, gourmet ou qualquer coisa do
tipo, era só Nestle, Garoto e os caseiros,
simples e deliciosos. Uma das colegas
teve a ideia de comprar um ovo caseiro
e colocar um jogo de Mega Drive dentro
para dar ao namorado. Ela encomendou
o ovo, pegou o Street Fighter Champion,
tirou da caixa e entregou para a
confeiteira colocar. No sábado, ela
trouxe o ovo com o cartucho dentro e
guardou em baixo do balcão.

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Domingo, estávamos de plantão na loja e Nem deu tempo de responder, ela já
ela nem lembrou que o ovo estava lá. O subiu desesperada, olhou no balcão e lá
dia foi passando, fez muito calor e nem eu estava ele, mole como suco de
lembrava que ali tinha um chocolate ─ chocolate. Ela entregou e quando ele viu
sendo que na locadora tinha geladeira que tinha algo 'duro' lá dentro, ela já
para colocar e conservar. Almoçamos (um avisou:
belo pastel de feira, claro), assistimos
filme na loja e a tarde foi passando. – É a fita que você queria!
Quando deu 16h30, o namorado dela
chegou na loja com um ovo GIGANTE de Ele abriu desesperado e, para sua
presente. Ela mal se continha de tanta surpresa, a mulher que fez o ovo não
felicidade. Era um dos melhores ovos que colocou NADA de proteção no cartucho,
tinham no mercado e não era de nem um plastiquinho, NADA, NADA,
brinquedinho, era desses recheados com NADA. O cartucho estava coberto de
bombom. Mas, foi nesse momento que chocolate... o chip, a label... tudo de
ela se lembrou do 'ovo' dele. Ela foi até a chocolate. Só me lembro dos 2
geladeira e gritou: chorando, ela por ter esquecido e ele por
ter perdido o cartucho. Eu ia guardar
– CADE O OVO? quando... ele pegou, foi à cozinha, lavou
com água, abriu, tirou o chip, meteu
água de novo, fechou e deixou no sol
para secar.

Acreditem, aquela bagaça funcionou!


Hadouken!!!

FIM

29
INSCREVA-SE