You are on page 1of 59

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ

ESCOLA POLITÉCNICA
CURSO DE ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO

ANDERSON DA CUNHA MEIRELES

AVALIAÇÃO DOS EFEITOS DAS ONDAS DE CHOQUE DE DETONAÇÕES DE


ROCHA NOS TRABALHADORES DE UMA MINERADORA DE GNAISSE NO
ESTADO DE SANTA CATARINA

CURITIBA
2016
ANDERSON DA CUNHA MEIRELES

AVALIAÇÃO DOS EFEITOS DAS ONDAS DE CHOQUE DE DETONAÇÕES DE


ROCHA NOS TRABALHADORES DE UMA MINERADORA DE GNAISSE NO
ESTADO DE SANTA CATARINA

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado ao Curso de Especialização
em Engenharia de Segurança do Trabalho
da Pontifícia Universidade Católica do
Paraná, como requisito parcial à obtenção
do título de Engenheiro de Segurança do
Trabalho.

Orientador: Prof. Dr. Key Fonseca de Lima

CURITIBA
2016
Página reservada para ficha catalográfica que deve ser confeccionada após
apresentação e alterações sugeridas pela banca examinadora.
Deve ser impressa no verso da folha de rosto.

A Biblioteca da PUCPR oferece o serviço gratuitamente.


Para solicitar, necessário enviar o trabalho para o email
biblioteca.processamento@pucpr.br
Em até 48h a ficha será encaminhada para o email do solicitante.
ANDERSON DA CUNHA MEIRELES

AVALIAÇÃO DOS EFEITOS DAS ONDAS DE CHOQUE DE DETONAÇÕES DE


ROCHA NOS TRABALHADORES DE UMA MINERADORA DE GNAISSE NO
ESTADO DE SANTA CATARINA

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado ao Curso de Especialização
em Engenharia de Segurança do Trabalho
da Pontifícia Universidade Católica do
Paraná, como requisito parcial à obtenção
do título de Engenheiro de Segurança do
Trabalho.

COMISSÃO EXAMINADORA

_____________________________________
Ademir José Ludovico, Prof. Esp.
TECPUC

_____________________________________
Irionson Antonio Bassani, Prof. Dr.
PUCPR

_____________________________________
Stephan Henning Och, Prof. Dr.
PPGEM/PUCPR

Curitiba, 8 de outubro de 2016.


Dedico este trabalho a minha mãe Edna
Cristina Meireles (in memoriam), pelo
amor e carinho imenso que me deu
durante o seu tempo de vida.
AGRADECIMENTOS

A Deus, pois só Ele é digno de toda honra e toda glória, hoje e sempre.

Aos meus queridos e amados pais, Raimundo e Edna (in memoriam), que me deram,
com muito amor e esforço, as maiores heranças que um filho pode receber: caráter e
educação.

A minha noiva Suelen por sua parceria, carinho, ajuda e apoio em toda essa
caminhada.

Ao Sr. Luiz Carlos Delgado, por sua amizade e confiança depositadas em mim.

A empresa Lcdex Perfuração e Desmonte de Rochas. Sem o apoio e confiança de


vocês, este trabalho não passaria de um mero sonho perdido.

Ao Sr. Xavier Wichroski, Geólogo da Empresa Britagem Vogelsanger, por ter confiado
e apostado neste trabalho.

A empresa Britagem Vogelsanger, por ter aceitado servir como objeto de estudo deste
trabalho e apoiado a realização.

Ao meu orientador professor Key Fonseca de Lima, por sua orientação, colaborações
e por ter acreditado neste trabalho.
RESUMO

Na mineração e em obras civis, se faz uso dos explosivos como ferramenta no


processo de escavação quando processos mecânicos não são aplicáveis ou
economicamente inviáveis. A proximidade e coexistência desses empreendimentos
com núcleos habitacionais insere uma problemática no contexto operacional, pois
parte da energia não absorvida proveniente das detonações gera vibração, sendo
propagada pelo solo ou através da atmosfera. Com isso, podendo causar desconforto
aos trabalhadores e, em poucos casos, danos graves as estruturas físicas do entorno.
Partindo desse pressuposto, avaliou-se os efeitos das ondas de choque sobre
trabalhadores e a percepção ao risco dos trabalhadores, provocadas pelo desmonte
de rochas com uso de explosivos em uma mineradora gnaisse situada no município
de Joinville – SC. As ondas de choque foram avaliadas utilizando um sismógrafo de
engenharia, devidamente calibrado. O monitoramento foi realizado durante três meses
e seguiu-se os parâmetros determinados pelas normas nacionais e internacionais
existentes. Com os resultados obtidos constatou-se que as ondas de choque
provenientes das detonações e os valores máximos obtidos de VPPR (2,67 mm/s),
VPP (L: 1,27 mm/s; T: 1,21 mm/s; V: 2,35 mm/s) e pressão sonora (124 dB) estão
dentro dos padrões de aceitabilidade das normas utilizadas para avaliar os dados
obtidos neste estudo e os procedimentos de detonação são seguros. Os resultados
possibilitaram visualizar o cenário de segurança e de baixa incomodidade que a
atividade representa para os trabalhadores. A empresa está apta a prosseguir com a
realização das atividades de desmonte de rochas por explosivos. Medidas preventivas
foram propostas para se evitar possíveis danos físicos aos trabalhadores, entre elas
está a utilização de protetores auriculares tipo concha durante as detonações e
ministração de treinamentos aos trabalhadores.

Palavras-chave: Detonação de rochas; ondas de choque; segurança do trabalho.


ABSTRACT

In mining and civil works, explosives are used as a tool in the process of excavation
when mechanical processes are not applicable or economically unviable. The
proximity and coexistence of these enterprises with housing units insert a problem in
the operational context, as part of the energy not absorbed from the detonations
generates vibration being propagated through the ground or through the atmosphere.
Thus, it may cause discomfort to workers and, in a few cases, severe damage to the
surrounding physical structures. Starting from this assumption was evaluated the
effects of shock waves on workers and the perception of the risk of workers, caused
by blasting rocks with use of explosives in a gneiss mining in the city of Joinville – SC.
Shockwaves were quantified using an engineering seismograph, properly calibrated.
The monitoring was held for three months and was followed by the parameters set by
national and international standards existing. With the results obtained it was found
that the shock waves from the detonation and maximum values of RPPV (2.67 mm /
s), PPV (L: 1.27 mm/s; T: 1.21 mm/s ; V: 2.35 mm/s) and sound pressure (124 dB) are
within the standards of acceptability of standards used to evaluate the data from this
study and blasting procedures are safe. The results allowed to view the security
scenario and low discomfort that the activity represents to the workers. The company
is able to continue with the realization of blasting rock activities. Preventive measures
have been proposed to avoid possible injury to workers, among them is the use of
shell-like ear protectors during the detonations and ministry training to workers.

Key-words: Rock Blasting; shockwaves; work safety.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 2.1 – Áreas de influência das atividades de detonação. .................................. 6


Figura 2.2 – Tipos de ondas sísmicas. ........................................................................ 8
Figura 2.3 – Ilustração da forma de propagação das ondas de choque a partir de
uma fonte explosiva de impacto. ............................................................................... 12
Figura 2.4 – Sismógrafo Digital Modelo Geosonics 3000-EZ PLUS.......................... 13
Figura 2.5 – Representação gráfica dos limites de velocidade de vibração de
partícula de pico por faixas de frequência. ................................................................ 15
Figura 2.6 – Principais componentes do plano de fogo. ............................................ 19
Figura 2.7 – Perfil da inclinação dos furos................................................................. 20
Figura 3.1 – Localização da área de estudo.............................................................. 23
Figura 3.2 – Unidade de Joinville, suas frentes de operação e escritório. ................ 24
Figura 3.3 – Posicionamento do sismógrafo. ............................................................ 25
Figura 3.4 – Fenômeno de atenuação da pressão sonora. ....................................... 27
Gráfico 3.1 – Desconforto físico dos trabalhadores................................................... 28
Gráfico 3.2 – Percepção de segurança dos trabalhadores. ...................................... 28
Gráfico 3.3 – Conhecimento dos trabalhadores com relação os riscos da atividade.28
Gráfico 3.4 – Percepção de segurança dos trabalhadores com relação ao
lançamento de fragmentos. ....................................................................................... 29
Gráfico 3.5 – Incomodo dos trabalhadores com relação a poeira gerada. ................ 29
LISTA DE TABELAS E QUADROS

Tabela 2.1 – Limites de velocidade de vibração de partícula de pico por faixas de


frequência.................................................................................................................. 14
Tabela 2.2 – Regulamento da OSM .......................................................................... 17
Tabela 2.3 – Níveis de percepção humana de vibração no solo. USBM ................... 17
Tabela 2.4 – Limite de tolerância humana, períodos e locais de exposição. ............ 18
Tabela 3.1 –Especificações do sismógrafo em modo disparo. ................................. 25
Tabela 3.2 – Valores obtidos dos parâmetros monitorados. ..................................... 26
Tabela 3.3 – Velocidade da partícula pico, frequência e pressão acústica das
amostras.................................................................................................................... 30
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas


EN Normas Europeas – Normas Europeias
EPC Equipamento de Proteção Coletiva
EPI Equipamento de Proteção Individual
IBRAM Instituto Brasileiro de Mineração
ISO International Organization for Standardization
MTE Ministério do Trabalho e Emprego
NBR Norma Brasileira
NPS Nível de Pressão Sonora
NR Norma Regulamentadora
OIT Organização Internacional do Trabalho
OSM United States Office of Surface Mining
PPV Peack Particle Velocity – Velocidade da Partícula Pico
RBC Rede Brasileira de Calibração
RI Report of Investigation
RPPV Resultant Peack Particle Velocity - Velocidade da Partícula Pico
Resultante
UNE Una Norma Española – Uma Norma Espanhola
USBM United State Bureau Of Mine
VCI Vibração de Corpo Inteiro
VMB Vibração transmitida por meio de Mãos e Braços
Vp Velocidade da partícula
VPP Velocidade da Partícula Pico
VPPR Velocidade da Partícula Pico Resultante
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ............................................................................................... 1
1.1 PROBLEMATIZAÇÃO .................................................................................... 2
1.2 OBJETIVOS ................................................................................................... 3
1.2.1 Objetivo Geral ............................................................................................... 3
1.2.2 Objetivos Específicos .................................................................................. 3
1.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ....................................................... 3
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ..................................................................... 5
2.1 CONCEITOS DE VIBRAÇÃO ......................................................................... 5
2.1.1 Vibração nas Detonações de Rochas ......................................................... 5
2.2 CONCEITOS DE SOBREPRESSÃO ACÚSTICA – ONDAS SONORAS ....... 9
2.2.1 Sobrepressão Acústica nas Detonações de Rochas ................................ 9
2.2.2 Resposta Humana as Vibrações e Sobrepressão Acústica .................... 10
2.3 MONITORAMENTO SISMOGRÁFICO......................................................... 11
2.3.1 Instrumento de Monitoramento ................................................................. 12
2.4 LEGISLAÇÕES E NORMAS TÉCNICAS ..................................................... 13
2.4.1 Normas Brasileiras ..................................................................................... 13
2.4.2 Normas Internacionais ............................................................................... 17
2.5 PARÂMETROS TÉCNICOS DAS DETONAÇÕES DE ROCHAS ................ 18
2.6 SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA E EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO .... 21
3 ANÁLISE DOS RESULTADOS.................................................................... 23
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO .............................................. 23
3.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ..................................................... 24
3.2.1 Aplicação do questionário de percepção de risco .................................. 26
3.3 ANÁLISE DOS RESULTADOS .................................................................... 26
3.3.1 Monitoramentos Sismográficos e de Sobrepressão Acústica ............... 26
3.3.2 Questionário de Percepção de Risco ....................................................... 27
3.3.3 Comparativo dos resultados dos monitoramentos com as normas
vigentes .................................................................................................................... 29
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................... 31
4.1 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ............................................ 32
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 33
APÊNDICE A – SISMOGRAMAS ............................................................................. 36
APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO AUXILIAR ........................................................... 39
ANEXO A – CERTIFICADO DE CALIBRAÇÃO DO SISMÓGRAFO ....................... 41
ANEXO B – CERTIFICADO DE CALIBRAÇÃO DO MICROFONE ......................... 43
ANEXO C – AUTORIZAÇÃO .................................................................................... 46
1

1 INTRODUÇÃO

Na mineração e em obras civis, se faz uso dos explosivos como ferramenta no


processo de escavação quando processos mecânicos não são aplicáveis ou
economicamente inviáveis. Essa operação é tecnicamente chamada de desmonte de
rochas por explosivos, a qual faz parte de uma das etapas da operação de extração
de minério na maioria dos empreendimentos mineiros, em específico os que possuem
dureza elevada.
O Brasil possui 8.870 empresas mineradoras e a região sul representa cerca
de 32% deste cenário, com 2.065 empresas. De acordo com dados do Ministério do
Trabalho e Emprego (MTE), o setor Extrativo Mineral possui 214.070 empregos
diretos (IBRAM, 2015).
A proximidade e coexistência desses empreendimentos com núcleos
habitacionais, insere uma problemática no contexto operacional, pois parte da energia
não absorvida proveniente das detonações gera vibração sendo propagada pelo solo
ou através da atmosfera. Com isso, podendo causar desconforto aos trabalhadores e,
em poucos casos, danos graves às estruturas físicas do entorno.
A Convenção 148 da OIT de 1977 estabelece que o termo “vibrações”
compreende toda vibração transmitida ao organismo humano por estruturas sólidas e
que seja nociva à saúde ou contenha qualquer outro tipo de perigo (SALIBA, 2014).
O Ministério da Saúde do Brasil (Portaria 1339 de 1999), classifica o agente
vibração como um agente causador de doenças ocupacionais. Porém, apesar da
relevância da vibração na saúde ocupacional, não se tem tantos registros de estudos
voltados para esse nicho como em outros agentes. No caso da mineração, as
legislações trabalhistas existentes não fazem menção ou estipulam parâmetros para
avaliação das vibrações provenientes das detonações. Além disso, não relacioanam
a exposição dos trabalhadores da mineração a esse agente.
Partindo deste ponto, este trabalho irá avaliar as ondas de choque geradas nas
detonações de rochas em uma mineradora de gnaisse do município de Joinville – SC
e seus efeitos nos trabalhadores e nas estruturas físicas ao seu redor. Usando como
parâmetros as legislações, normas e limites existentes, nacionais e internacionais.
2

1.1 PROBLEMATIZAÇÃO

A vibração é um movimento oscilatório e todo corpo possui vibração natural,


mesmo em repouso o corpo vibra em baixa frequência. Quando submetidos a
estímulos externos coincidentes, essas frequências podem ser amplificadas. A
atenuação desta energia vibratória ocorre através da absorção pelos tecidos e órgãos
do corpo humano (VENDRAME, 2005).
Todavia, a frequência não é um único fator necessário para consumação da
possibilidade de dano. Segundo Soeiro (2011), na avaliação ocupacional da vibração,
vários fatores influenciam para a caracterização do risco, entre os quais se destacam:
amplitude da vibração, sua frequência, sua direção e o tempo de exposição do
trabalhador.
Quando se parte para o âmbito das atividades de mineração o agente vibração
se propaga através do solo e é produzido pelas atividades de desmonte de rochas
com uso de explosivos, caso adquira uma amplitude adequada, velocidade de
partícula pico (PPV – Peack Particle Velocity) e frequência podem se configurar o
cenário para geração de danos aos trabalhadores e estruturas físicas vizinhas.
A particularidade da vibração proveniente das detonações em detrimento da
produzida por equipamentos, está relacionada ao tempo de exposição e dosagem dos
trabalhadores. Pois, as detonações ocorrem em um curto de intervalo de tempo e sua
frequência de ocorrência é relativamente baixa - um evento por mês ou menos.
Contudo, conforme exposto pelo United State Bureau Of Mine (USBM) em sua
normativa, elaborada a partir do relatório RI 8507 de 1989, estabelece parâmetros e
faz relação da resposta dos seres humanos as ondas de choques. Cita também que
os humanos reagem e notam as vibrações produzidas pelas detonações em níveis
inferiores ao limiar de dano às estruturas físicas e a sua reação depende da duração
do evento, assim como, o seu nível.
Os trabalhadores envolvidos diretamente e indiretamente nas atividades da
empresa de mineração em estudo, sofrem a ação da vibração de maneira intermitente
e inevitável, porém, vários fatores, além do tempo de exposição e jornada de trabalho,
influem na determinação dos limites ideais estipulados nas legislações.
3

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo Geral

Avaliar os efeitos das ondas de choque sobre trabalhadores e a percepção ao


risco dos trabalhadores, provocadas pelo desmonte de rochas com uso de explosivos
em uma mineradora de gnaisse1 situada no município de Joinville – SC

1.2.2 Objetivos Específicos

Os objetivos específicos do trabalho são:


a) Caracterizar os agentes físicos vibração e ruído provenientes das
detonações;
b) Verificar se os procedimentos de detonação são seguros;
c) Verificar se os dados obtidos nos monitoramentos sismográficos atendem
as normas de segurança existentes;
d) Avaliar a percepção de risco dos trabalhadores;
e) Sugerir melhorias no processo de detonação, caso haja necessidade.

1.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Será realizada visita prévia in loco onde ocorrerão as detonações, com o intuito
de se obter dados e parâmetros para a confecção do plano de fogo da detonação.
Esses procedimentos fazem parte da etapa de planejamento da atividade, onde serão
coletadas informações das variáveis e indicadores necessários para tal confecção,
como: tipo de rocha, análise do maciço, polígono a ser desmontado, dimensão dos
equipamentos de britagem, granulometria desejada e anotação das edificações e área
habitadas ao redor. Gerando ao final da visita um relatório de planejamento com todos
os quantitativos de explosivos que serão utilizados, acessórios de iniciação e material
desmontado esperado.
Em posse dos dados contidos no relatório de planejamento, seguem-se os
tramites para realização da detonação e as medidas de segurança estabelecidas

_______________
1 Rocha metamórfica, largamente empregada como brita na construção civil e pavimentação, além do
uso ornamental.
4

pelas normas regulamentadoras 19 e 22. Destacando-se as operações de transporte


e carregamento de explosivos. O transporte deve ser realizado por veículo que possua
proteção adequada, evite o contato direto dos explosivos com partes metálicas e que
seus condutores sejam dotados de conhecimentos adquiridos por meio de
treinamento específico para manusear materiais perigosos. Na operação de
carregamento, todos os trabalhadores envolvidos na atividade, direta e indiretamente,
são munidos de equipamentos de proteção individual que evitem o contato direto com
o produto explosivo. A área de operação é devidamente isolada, evacuada e
sinalizada, de forma que apenas a equipe prestadora do serviço permaneça no local.
As ondas de choque e a sobrepressão acústica serão monitoradas com a
utilização de um sismógrafo de engenharia, de propriedade da empresa Lcdex
Perfuração e Desmonte de Rochas, em pontos preestabelecidos seguindo a NBR
9653 de 2005, a qual fornece os preceitos para avaliação dos efeitos das detonações
em minerações. Será aplicado um questionário - de forma conjunta a atividade - com
intuito de visualizar a percepção dos trabalhadores ao risco das detonações.
5

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 CONCEITOS DE VIBRAÇÃO

Segundo Thomson (1978), as vibrações são movimentos oscilatórios que


podem ocorrer em qualquer corpo elástico e que possua massa, ou seja, tanto
máquinas e equipamentos, quanto pessoas, podem sofrer vibrações. Se o corpo vibra,
descreve um movimento oscilatório e periódico, envolvendo deslocamento em um
tempo. Tem-se, então, envolvida no movimento, uma velocidade, aceleração e
frequência (número de ciclos completos/minuto). Desse modo, na avaliação da
exposição a esse agente, é necessário coletar informações desses parâmetros,
especialmente da aceleração e frequência da vibração (SALIBA, 2014).
Entende-se como vibração no corpo humano qualquer vibração gerada por um
evento externo. Denomina-se o termo Vibração de Corpo Inteiro (VCI), quando está
sob uma superfície vibrante e esta atinge o corpo como um todo, segundo Griffin
(1996). Quando a vibração incide na extensão dos braços e das mãos, chama-se
Vibração transmitida por meio de Mãos e Braços (VMB).

2.1.1 Vibração nas Detonações de Rochas

Para Neto (2004), a fração da energia liberada pela detonação de cargas


explosivas, transmitida ao maciço e não absorvida na fragmentação e lançamento de
sua parcela sujeita ao desmonte, provoca perturbações que se manifestam pela
movimentação de suas partículas constituintes em torno de sua posição de equilíbrio,
que será tão acentuada quanto maior for a intensidade da perturbação, dentro dos
limites elásticos do meio. Essa movimentação de partículas é transmitida àquelas
situadas em seu entorno, e assim sucessivamente, causando a propagação da onda
através do maciço (princípio de Huygens).
No momento em que se aplica uma carga explosiva em um ponto qualquer do
maciço rochoso, subsequentemente à sua iniciação e detonação, libera-se energia
com finalidade de trabalho mecânico. Entretanto, cerca de 40% dessa energia não é
aproveitada nos trabalhos de fragmentação da rocha (ROLIM, 1993).
A vibração criada pelas ondas de choque elástica é, de certo modo, um dos
efeitos que produz o maior dano nas operações de desmonte de rochas por
6

explosivos, apesar do ruído, lançamento de fragmentos de rochas e produção de


poeiras e gases serem mais perceptíveis e tangíveis aos seres humanos.
De fato, como citado anteriormente, as ondas de choque propagadas a partir
do ponto de detonação são as causadoras de maiores transtornos na mineração. O
desmonte de rochas sem acompanhamento e monitoramento das vibrações pode
acarretar sérios problemas, pois a expansão dos centros urbanos e sua proximidade
as empresas mineradoras, traz consigo o aumento da exposição da população ao
agente vibração. Em contrapartida, os escritórios administrativos dos
empreendimentos mineiros estão se aproximando das frentes de operação de lavra,
expondo seus trabalhadores na mesma proporção. A Figura 2.1, exemplifica os efeitos
da detonação e a sua influência no meio ambiente do seu entorno, tendo como D1,
D2, D3 e D4, as distâncias do ponto de detonação e as estruturas físicas.

Figura 2.1 – Áreas de influência das atividades de detonação.

Fonte: Adaptado de Barros, 2008.

Antes de proceder com o desmonte de rochas e, por conseguinte o seu


monitoramento sismográfico, é necessário que se conheça a forma que as ondas de
choque se comportam no meio rochoso e o seu relacionamento com o ambiente em
sua volta.
Ao inserir e detonar uma carga explosiva na rocha, são formadas ondas
mecânicas através do maciço, em consequência da resposta do corpo rochoso a esse
estímulo. A tensão originada com a detonação de explosivo deverá ser superior à
resistência dinâmica da rocha para existir fragmentação. No momento em que a
7

tensão seja inferior à resistência dinâmica da rocha, a deformação da mesma dá-se


na forma de propagação ondulatória. Esta deformação é transmitida por todas as
partículas, constituindo uma onda sísmica de tensão que provocam as vibrações no
terreno circundante. Para estas ondas de tensão existirem, os materiais rochosos
terão de ter natureza elástica. Com esta propriedade os materiais deformam-se
mediante a solicitação aplicada e, findada esta, retomam a sua forma inicial (Bernardo,
2004).
As ondas sísmicas que se propagam no meio rochoso, de maneira volumétrica,
são as ondas longitudinais, também chamadas de compressão ou primárias (ondas
P) e as ondas transversais, denominadas de secundárias (ondas S) ou de
cisalhamento. Na porção superficial tem-se as ondas Rayleight (ondas R) e as Love.
Classificando-as da seguinte forma:

a) Onda Longitudinal ou “P”: É a onda mais rápida que percorre o maciço


e consegue se propagar em todos os meios. As partículas da onda
movem-se paralelamente a direção de propagação. A densidade do
material atravessado por ela varia após a sua passagem.
b) Onda Transversal ou “S”: Movimenta-se pelo meio a uma velocidade
menor que as ondas “P”. Porém, não consegue se propagar no meio
líquido. As suas partículas se propagam de maneira perpendicular a
direção, estabelecendo movimentos cisalhantes. Esta onda modifica a
forma do material, mas não a sua densidade.
c) Onda Love: A vibração ocorre no plano horizontal supericial e
perpendicular a direção de propagação da onda.
d) Onda Rayleight: Sua partícula move-se de forma elíptica no plano
vertical superficial e na mesma direção da propagação. Na superfície o
movimento é contrário ao movimento da onda.
8

Figura 2.2 – Tipos de ondas sísmicas.

Fonte: Adaptado de UnB, 2016. Observatório Sismográfico – Instituto de Geociências.

As ondas volumétricas (Ondas “P” e “S”), são as mais frequentes em zonas


próximas de onde se aplicam. Este tipo de onda é caracterizado por sua elevada
frequência e rápida atenuação
As ondas Rayleight e Love (Superficiais), possuem velocidade inferior às
volumétricas e são definidas pela sua baixa frequência e elevada energia transportada
sendo por isso detectáveis a grandes distâncias.
As ondas superficiais, são as mais importantes em termos de vibração, pois, as
mesmas, se propagam ao longo da superfície, e suas amplitudes decaem lentamente
com a distância percorrida. (BARROS et al., 1990).
Em concordância com Bernardo (2004), os parâmetros que identificam as
ondas são: amplitude, velocidade de vibração ou aceleração, período, comprimento
de onda e frequência. Sendo a velocidade da partícula o parâmetro que melhor define
a propagação das ondas volumétricas e superficiais no maciço.
9

2.2 CONCEITOS DE SOBREPRESSÃO ACÚSTICA – ONDAS SONORAS

Define-se sobrepressão acústica, sendo toda propagação de onda elástica pelo


ar. Considera-se ruído como a sobrepressão situada na faixa de frequências entre 20
Hz e 20.000 Hz e considerada desagradável segundo critério humano. As
sobrepressões com frequências inferiores a 20 Hz denominam-se infrassons; aquelas
com frequências superiores a 20.000 Hz, ultrassons. Considera ainda
conceitualmente equivocada a utilização do termo “sopro de ar” por avaliar que tal
terminologia implica em deslocamento de matéria (ESTON, 1998).
As ondas sonoras ocorrem em um meio mássico e elástico. Suas moléculas
são distribuídas de forma bem uniforme no ar e seu movimento é consideravelmente
aleatório. Sob condições atmosféricas normais, o ar exerce uma pressão de 1 atm ou
de 101.325 Pa. O seu mecanismo de propagação se dá por meio da transferência da
quantidade de movimento, através de deslocamento molecular, ou seja, a partir de
uma molécula a outra molécula adjacente. Essa perturbação na atmosfera ou
sobrepressão acústica se propaga via ondas de compressão, semelhante ao
mecanismo de propagação no solo das ondas “P” supracitadas. Dependendo da
condição climática e planejamento equivocado das detonações, a sobrepressão
produzida pode se propagar por distâncias consideráveis.

2.2.1 Sobrepressão Acústica nas Detonações de Rochas

A sobrepressão acústica é outro produto indesejável das detonações. Os


incômodos causados estão diretamente relacionados a fatores como: planejamento
da detonação, condições climáticas, condições do terreno e resposta humana.
O ruído ocorre quando a frequência das ondas sonoras se encontra em uma
faixa inferior a 20 Hz. Na faixa inaudível ao ouvido humano temos a ocorrência dos
abalos ou choques. Este fenômeno é usualmente expresso em Pa ou em decibéis
(dB).
Decibel é uma expressão exponencial para intensidade do som que se
aproxima da resposta do ouvido humano. Esta relação entre Pa e dB é dada por:
10

𝑃 2
𝑁𝑃𝑆 = 10. log (𝑃 ) (1)
0

sendo:
NPS – Nível de Pressão Sonora (dB);
P – Amplitude da Pressão Sonora no meio (Pa);
P0 – Pressão de Referência no Ar (2 x 10-5 Pa).

2.2.2 Resposta Humana as Vibrações e Sobrepressão Acústica

Reclamações resultantes das vibrações e sobrepressão acústica em


decorrências das detonações, em grande maioria, são principalmente causadas pelos
efeitos irritativos e medo de possíveis danos inesperados (ATLAS POWDER
COMPANY, 1987).
Segundo Farhad et al. (2014), a resposta biológica a vibração é uma
combinação de fatores fisiológicos e psicológicos que estão envolvidos na resposta
de cada pessoa. Os sistemas biológicos podem ser influenciados por vibração em
todas as frequências, se a amplitude for suficientemente grande. Por exemplo, abaixo
de aproximadamente 2 Hz, o corpo se comporta como uma única massa. Para um
homem sentado, a primeira ressonância está entre 4 e 6 Hz; para um homem de pé,
os picos de ressonância ocorrem entre 6 e 12 Hz.
Siskind et al. (1993), em seu relatório de investigação, relata que a velocidade
da partícula de 12,7 mm/s com duração igual ou menor do que um segundo é tolerada
por 95% das pessoas. Este resultado é respaldado nas respostas da população
situada na região de influência das detonações, que relatou apenas uma pequena ou
discreta percepção.
Não obstante, a resposta da população a sobrepressão acústica é muito
semelhante as respostas das vibrações do terreno. A exemplo disso, uma detonação
de longo alcance pode produzir uma significante resposta a sobrepressão causada. O
ouvido humano possui como limiar de incômodo 120 decibéis (dB) ou
aproximadamente 10 Pa (BRUEL & KJAER, 2000). No entanto, pessoas no interior de
suas casas podem ter uma percepção enganosa, pois dependendo da frequência da
onda sonora, pode haver influência na frequência natural da estrutura física da
moradia, acarretanto em frequências secundárias e causando uma falsa impressão
de incômodo.
11

Nesta perspectiva, a percepção psicossocial da detonação é, em geral, mais


significante do que uma análise, puramente, numérica dos valores das vibrações do
solo e sobrepressão acústica.

2.3 MONITORAMENTO SISMOGRÁFICO

Para um monitoramento de uma detonação, o efeito resultante é mais


importante que os diferentes tipos de onda gerados. Contudo, os diferentes tipos de
onda propagam-se com velocidades diferentes nos diversos meios transpassados,
levando tempos distintos para pontos à mesma distância e alterando, a cada instante,
o movimento das partículas; necessitando, desta forma, de serem estudadas as suas
participações no efeito total resultante (BARROS et al., 1990).
Segundo da Silva et al. (2000), dentre os diversos critérios propostos para a
avaliação da vibração, a velocidade de vibração da partícula é, no estágio do
conhecimento atual, o parâmetro do movimento vibratório que melhor representa os
danos causados por um desmonte a explosivos. A velocidade da partícula (Vp em
mm/s) caracteriza a velocidade máxima de oscilação de um determinado ponto do
corpo, é expresso em mm/s e obtido a partir da medida de suas três componentes:
longitudinal, transversal e vertical; pode ser expressa por:
𝐷 −𝑏
𝑉𝑝 = 𝐾 (𝑄0,5) (2)

sendo:
K, b - Constantes do meio de propagação;
D - Distância entre o ponto de detonação e o ponto de monitoramento (m);
Q - Carga máxima por espera de explosivos (kg).

Esta equação foi proposta por Langefors et al. (1948) em seus estudos de
vibrações em rochas na Suécia e foi adaptada pelo USBM nas suas normativas e uma
de suas principais conclusões foi que a velocidade de partícula pico resultante
continua sendo o melhor e mais sucinto parâmetro descritor.
A Figura 2.3, permite a visualização, de forma empírica, do comportamento
particular de propagação das ondas de choque a partir da detonação de uma única
carga de explosivo. Observa-se que o sinal sísmico se propaga a partir do ponto de
12

detonação em direção ao ponto de monitoramento, passando pelo meio rochoso de


maneira superficial e volumétrica.

Figura 2.3 – Ilustração da forma de propagação das ondas de choque a partir de uma fonte explosiva
de impacto.

Fonte: Adaptado de Chiappetta, 1982.

2.3.1 Instrumento de Monitoramento

O monitoramento das vibrações é realizado por meio de sismógrafo de


engenharia. Este aparelho é constiuído por sensor ou transdutor para vibrações
(geofone) em três direções ortogonais (L – Longitudinal; T – Transversal e V –
Vertical), um sensor capaz de medir a sobrepressão atmosférica e um processador
capaz de armazenar e tratar as informações coletadas. (Figura 2.4)
13

Figura 2.4 – Sismógrafo Digital Modelo Geosonics 3000-EZ PLUS.

Fonte: GEOSONICS, 2015.

O transdutor que capta o sinal vibratório e o transforma em uma grandeza


mensurável é constituído por um cristal piezoelétrico, o qual fornece um sinal de saída
elétrico, mecânico ou ótico proporcional ao deslocamento (SALIBA, 2009).

2.4 LEGISLAÇÕES E NORMAS TÉCNICAS

Os estudos da tolerância e reações dos trabalhadores expostos a vibração são


importantes quando as normas atuais são baseadas em danos e estabilidade de
estruturas físicas. Hoje há uma certa variedade de normas e estudo na área da
vibração. Porém, poucos voltados a análise da saúde dos seres humanos envolvidos
nas atividades de detonação de rochas e suas respostas. Neste item serão abordados
as principais normas e estudos voltados para análise vibração em decorrências das
detonações de rochas.

2.4.1 Normas Brasileiras

A Norma Regulamentadora 9 (NR 9), considera agentes físicos as diversas


formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído,
vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes,
radiações não ionizantes, bem como o infrassom e o ultrassom.
O anexo 8 da NR 15, estabelece critérios para caracterização da condição de
trabalho insalubre decorrente da exposição às vibrações de mãos e braços (VMB) e
Vibrações de Corpo Inteiro (VCI). Caracterizando condição insalubre para
determinados limites de exposição. No entento, não faz alusão a exposição dos
14

trabalhadores a estímulos vibratórios pontuais, ou seja, com intervalo de exposição


curto, de 3 segundos em média (duração das detonações de rochas) e também não
temos referência nacional de procedimento de análise para esse agente.
A NR 15 em seu anexo 2, estipula limites de tolerância para ruídos de impacto,
ou seja, aqueles que apresentam duração inferior a 1 segundo e intervalos superiores
a 1 segundo. Nestes casos os níveis de impactos deverão ser em decibéis (dB). Com
medidor de pressão sonora operando no circuito linear e circuito de resposta para
impacto. O limite de tolerância para ruídos de impacto será de 130 dBL2.
Têm-se a Norma Brasileira NBR 9653 de 2005 como referência na avaliação
dos efeitos provocados pelo uso de explosivos nas minerações em áreas urbanas, a
mesma metodologia para reduzir os riscos inerentes ao desmonte de rocha com uso
de explosivos em minerações, estabelecendo parâmetros a um grau compatível com
a tecnologia disponível para a segurança das populações vizinhas, referindo-se,
apenas, a danos estruturais e procedimentos recomendados quanto ao conforto
ambiental. A norma apresenta no seu item 3 e 4 as principais definições e critérios de
avaliação, respectivamente. Destacando-se a pressão acústica, a qual não deve
ultrapassar 100 Pa, o que corresponde a um nível de pressão acústica de 134 dBL
pico e velocidade vibração de partícula pico, conforme (Tabela 2.1). Os riscos de
ocorrência de danos induzidos por vibrações do terreno devem ser avaliados levando-
se em consideração a magnitude e a frequência de vibração de partícula.

Tabela 2.1 – Limites de velocidade de vibração de partícula de pico por faixas de frequência.
Faixa de Frequência Limite de Velocidade de Vibração de
Partícula Pico
4 Hz a 15 Hz Iniciando em 15 mm/s aumenta linearmente até
20 mm/s
15 Hz a 40 Hz Acima de 20 mm/s aumenta linearmente até 50
mm/s
Acima de 40 Hz 50 mm/s
Nota: Para valores de frequência abaixo de 4 Hz deve ser utilizado como limite o critério de
deslocamento de partícula de pico de no máximo 0,6 mm (de zero a pico)
Fonte: ABNT, 2005.

Na Figura 2.5 pode-se visualizar os limites de velocidade de vibração de


partícula pico por faixas de frequência.

_______________
2 Decibel linear (dBL) é unidade de nível de pressão sonora inerentes a dosímetros utilizados para ruído
de impacto.
15

Define-se no item 6.2, no caso de situações excepcionais, quando houver


impedimento de realização do monitoramento sismográfico, pode ser considerada
atendida a norma, se for obedecida uma distância escalonada maior ou igual a 40
m/kg0,5 (massa de explosivo elevado a meio) para distâncias do ponto de detonação
menores ou iguais a 300 m.

Figura 2.5 – Representação gráfica dos limites de velocidade de vibração de partícula de pico por
faixas de frequência.

Fonte: ABNT, 2005.

No item 5 a norma dispõe orientações sobre os procedimentos de avaliação de


pressão acústica e características dos equipamentos (Sismógrafo e Transdutores de
Velocidade).

Orienta também como realizar os monitoramentos sismográficos:

a. No caso de superfície rígida, deve-se utilizar gesso ou outro material


adesivo que torne o transdutor o mais perfeitamente solidário ao meio
de propagação (rocha e, eventualmente, estrutura);
b. No caso de solo, deve-se preferencialmente enterrar o transdutor a uma
profundidade nunca inferior a 10 cm e nunca superior a 30 cm.
16

Alternativamente, pode-se utilizar cravos de comprimento máximo de 20


cm, desde que o sistema não fique em balanço.
c. Os geofones contendo os transdutores devem ser nivelados e
orientados conforme a direção da detonação.

Quanto as características dos sismógrafos de engenharia, os aparelhos devem:

a. Possuir sistema de verificação interna da calibração por pulso eletrônico


(autochecagem);
b. Dispor de capacidade de armazenamento de eventos sísmicos
(memória);
c. Estar preparado para efetuar medições em temperaturas
compreendidas na faixa de –12°C a +55°C;
d. De modo preferencial, registrar instantaneamente os valores máximos
de velocidade de vibração de partícula em três direções mutuamente
perpendiculares, sendo os valores expressos em milímetros por
segundo (mm/s).

Os transdutores de velocidade devem apresentar, como mínimo:

a. Resposta plana linear na faixa de frequências 4 Hz a 125 Hz;


b. Realizar medição de intensidade de velocidade de vibração de partícula
no intervalo de 0,5 mm/s a 100 mm/s na faixa de freqüência de 2 Hz a
250 Hz;
c. Resolução de 0,25 mm/s;
d. Precisão de ± 5% ou ± 0,5 mm/s, o que for maior;

Os aparelhos de registro devem ser calibrados de acordo com as


recomendações dos seus fabricantes, no máximo a cada 2 anos, com equipamentos
rastreáveis, preferencialmente na Rede Brasileira de Calibração (RBC).
A taxa de amostragem mínima deve ser de 1000 pontos por segundo por canal,
para eventos de até 5 segundos de duração.
17

2.4.2 Normas Internacionais

Em 1983, o United States Office of Surface Mining (OSM) publicou o seu


regulamento final concernente ao uso de explosivos para da vibração e sobrepressão
acústica. Com objetivo de fornecer uma forma de avaliar a pontecialidade de danos
as estruturas físicas e percepção de incômodo aos seres humanos. O regulamento foi
derivado, em partes, da base de dados do USBM e das recomendações propostas
pelo RI 8507 de 1989. Este regulamento não incorpora todas as recomendações do
USBM, mas estabelece critérios e parâmetros para avaliação da velocidade pico em
relação à distância do ponto de detonação e distância escalonada com objetivo de
relacionar a velocidade de partícula pico aceitável para a distância do ponto de
detonação que se encontra o sismógrafo (Tabela 2.2).

Tabela 2.2 – Regulamento da OSM


Distância do Ponto de Máxima Velocidade Pico Distância Escalonada usada
Detonação (m) Permitida (mm/s) quando não há
monitoramento (m/kg0,5)
0 a 91,44 31 22,30
91,44 a 1524 24 24,50
> 1524 18 29
Fonte: OSM, 1983

No entanto, O USBM propôs uma simples relação de análise da resposta


humana às vibrações baseda em seus relatórios técnicos, a qual leva em
consideração a velocidade da partícula pico e os seus possíveis efeitos psicossociais.
(Tabela 2.3).

Tabela 2.3 – Níveis de percepção humana de vibração no solo. USBM


Efeitos nos Humanos Velocidade da Partícula Pico (mm/s)
Imperceptível 0,025-0,076
Quase imperceptível 0,076-0,254
Nitidamente perceptível 0,254-0,762
Fortemente perceptível 0,762-2,540
Perturbador 2,540-7,620
Muito perturbador 7,620-25,400
Fonte: Faramarzi et al, 2014.

Semelhante aos limites sonoros estipulados pela ABNT, o RI 8507 estipula uma
sobrepressão acústica de no máximo 136 dBL. Porém, recomenda por segurança,
18

não ultrapassar 133 dBL. Essa recomendação provê uma probabilidade de 95-99%
de não dano as estruturas físicas e 90-95% de aceitabilidade ao desconforto.
A Organização internacional para Padronização (ISO), publicou, em 15 de
janeiro de 1978, a norma ISO 2631 e suas atualizações em 1989, 1997 e 2003.
Esta norma foi criada tendo em vista os complexos fatores que determinam a
resposta humana à vibração e a escassez de dados consistentes sobre a percepção
e reações dos indivíduos à vibração.
A ISO 2631 de 1997, estabelece parâmetros para medição e critérios de
aceitabilidade dos humanos ao possível desconforto causado pelas vibrações,
fornecendo níveis de velocidade de partícula pico, períodos e locais de exposição
(Tabela 2.4). Porém, o escopo da norma prevê eventos com duração acima de 1
minuto de exposição e frequências de 1 a 80 Hz.

Tabela 2.4 – Limite de tolerância humana, períodos e locais de exposição.


Vp - Limite de tolerância
Tipos de Locais Período
humana (mm/s)
Hospitais Diurno ou noturno 0,10
Diurno 0,20 – 0,40
Residências
Noturno 0,14

Escritórios Diurno ou Noturno 0,40


Oficinas Diurno ou Noturno 0,80
Fonte: Adaptado de ISO 2631, 1997.

2.5 PARÂMETROS TÉCNICOS DAS DETONAÇÕES DE ROCHAS

Os parâmetros necessários à realização das operações de desmonte de rocha


são estabelecidos através dos "planos de fogo" e dele constam os tipos, quantidades
e disposição de explosivos e acessórios de detonação a serem utilizados, o diâmetro
com que as perfurações devem ser realizadas, seu posicionamento, inclinação e
profundidade (NETO, 2004).
Na Figura 2.6, relaciona-se os principais componentes do “plano de fogo”. A
partir da obtenção desses dados procede-se com as etapas subsequentes à
detonação.
19

Figura 2.6 – Principais componentes do plano de fogo.

Legenda:
DF: Diâmetro do Furo A: Afastamento
E: Espaçamento α: Ângulo de Inclinação da Bancada
SF: Subfuração PF: Profundidade do Furo
TP: Tampão CF: Carga de Fundo
CC: Carga de Coluna

Fonte: Britanite, 2010

a. Diâmetro do Furo (DF)

O diâmetro do furo está diretamente ligado a quatro fatores principais: formação


geológica do maciço rochoso, grau de fragmentação desejado, escolha de maquinário
de perfuração e restrições de níveis de vibração.
No caso de ocorrência de detonação em rocha fraturada, a utilização de furos
de pequenos diâmetros reduz o número de fissuras entre furos, resultando em uma
baixa atenuação das ondas de choque, melhor fragmentação e melhor distribuição
energética do explosivo (ATLAS POWDER COMPANY, 1987).

b. Afastamento (A)

O afastamento é definido como a distância entre a primeira linha de furos e a


face da bancada. Quando se prevê duas ou mais linhas de furos, o mesmo
afastamento deverá ser mantido entre elas (ATLAS POWDER COMPANY, 1987).
20

c. Espaçamento (E)

É distância entre os furos adjacentes da mesma linha e seu dimensionamento


está intrinsicamente ligado ao afastamento calculado (GERALDI, 2011).

d. Ângulo de Inclinação da Bancada (α)

A inclinação do furo influencia, de certa forma, a intensidade da vibração


produzida. A zona de constrição da rocha deverá ser menor com a maior inclinação
dos furos. Ao inclinar os furos, a energia da onda de choque vai ser melhor dissipada.
A angulação faz com que as ondas reflitam diretamente com a face livre. Se os furos
estivessem perpendiculares, boa parte da energia das ondas de choque iria refletir
para o maciço remanescente, aumentando a vibração do terreno (OLOFSSON, 1997).
Como exemplo, pode-se visualizar na Figura 2.7 a atuação das ondas de choque em
três diferentes situações de inclinação.

Figura 2.7 – Perfil da inclinação dos furos.

Fonte: Jimeno et al, 2003. Adaptado.

e. Subfuração (SF)

Sufuração é a extensão do furo, ultrapassando a altura da frente livre da


bancada. Este procedimento é necessário para evitar a formação dos repés – porções
do maciço rochoso que podem permanecer intactas no “pé” da bancada após a
detonação.
21

f. Profunfidade do Furo (PF)

Determinado a partir da altura da bancada a ser detonada e acrescida da


subfuração. Se a bancada for inclinada o furo terá a furação acrescida de maneira
proporcional a inclinação.

g. Tampão (TP)

É a porção da furação que não recebe carga explosiva, com intuito de confinar
melhor o explosivo e evitar o lançamento de fragmentos e rochas. Usalmente, utiliza-
se rocha britada.
Deve-se atentar para utilização balanceada da quantidade de tampão. Pois, a
falta de material pode acarretar em lançamento de fragmentos a grandes distâncias e
sobrepressão acústica excessiva. Por outro lado, o excesso de material pode
desencadear vibrações excessivas e pobre fragmentação (ATLAS POWDER
COMPANY, 1987).

h. Carga de Fundo (CF)

Região do furo que se concentra a carga explosiva com maior energia. É


responsável pela iniciação ou fornecimeno de energia aos explosivos de coluna.

i. Carga de Coluna (CC)

Carga explosiva designada para preenchimento da furação e distribuição da


energia para o maciço rochoso. Emprega-se explosivos de menor energia e custo.

2.6 SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA E EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO

Na mineração e, em destaque, nas atividades de desmonte de rochas por


explosivos, se faz necessário o uso de sinalizações de segurança e equipamentos de
proteção individuais e coletivas (EPI’s e EPC’s), para se prevenir e reduzir o risco de
acidentes, do mesmo modo atenuar a exposição dos trabalhados aos agentes físicos
inerentes a atividade.
22

A NR 22 normatiza as atividades de desmonte com uso de explosivos,


estabelecendo também procedimentos de segurança, os quais são:

a) A detonação deve ser precedida do acionamento de sirene, no caso de


mina a céu aberto;
b) A área de risco deve ser evacuada e devidamente vigiada;
c) Os horários de detonação devem ser previamente definidos e
consignados em placas visíveis na entrada de acesso às áreas da mina;
d) Dispor de abrigo para uso eventual daqueles que acionam a detonação;
e) Seguir as normas técnicas vigentes e as instruções do fabricante.

Conjuntamente, tem-se a NR 6 a qual considera EPI todo dispositivo ou


produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos
suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. No Anexo 1, da referida
norma, é possível encontrar uma lista de equipamentos de proteção individual
adequado para cada finalidade, onde vale destacar os equipamentos para proteção
auditiva:
a) Protetor auditivo circum-auricular para proteção do sistema auditivo
contra níveis de pressão sonora superiores ao estabelecido na NR-15,
Anexos nº 1 e 2;
b) Protetor auditivo de inserção para proteção do sistema auditivo contra
níveis de pressão sonora superiores ao estabelecido na NR-15, Anexos
nº 1 e 2;
c) Protetor auditivo semi-auricular para proteção do sistema auditivo contra
níveis de pressão sonora superiores ao estabelecido na NR-15, Anexos
nº 1 e 2

Para efeito complementativo tem-se a norma europeia UNE-EN 458:2016, onde


encontrar-se informações auxiliares para escolha do protetor auditivo adequado a
partir de suas capacidades de atenuação.
23

3 ANÁLISE DOS RESULTADOS

3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

A área de estudo escolhida para o monitoramento sismográfico pertence a


empresa Britagem Vogelsanger e está localizada no município catarinense de
Joinville. Atua no ramo de britagem a mais de 40 anos e conta, atualmente, com a
colaboração de 70 funcionários.
A Britagem Vogelsanger atende toda a região norte do estado de Santa
Catarina, com a unidade de Britagem instalada à estrada Piraí, 3300 - Bairro Vila Nova
- Joinville / SC (Figura 3.1).

Figura 3.1 – Localização da área de estudo.

Fonte: Adaptado de Google e IBGE 2016.

A unidade de Joinville (Figura 3.2) conta hoje com duas frentes de operação de
lavra, denominadas de: Pedreira Velha e Pedreira Nova. Ambas em operação. Porém,
escolheu-se a Pedreira Velha como objeto de estudo, devido possuir maior frequência
de detonação em relação a outra - uma por mês, em média.
24

Figura 3.2 – Unidade de Joinville, suas frentes de operação e escritório.

Fonte: Adaptado de Google.

3.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

As medições das vibrações e sobrepressão acústica foram feitas com auxílio


de um sismógrado de engenharia Geosonics SSU 3000 EZ PLUS (ANEXO A –
CARTA DE CALIBRAÇÃO DO SISMÓGRAFO, ANEXO B – CARTA DE
CALIBRAÇÃO DO MICROFONE), fabricado pela empresa americana Geosonic INC.
Foi feito o monitoramento de 3 detonações durante 3 meses, seguindo os
procedimentos da NBR 9653 de 2005. O aparelho foi instalado diretamente no solo
da entrada principal da frente de operação “Pedreira Velha” e programado em modo
trigger (disparo) para ser ativado com limite inferior de sensibilidade, em virtude de
possíveis circulações de caminhões nas proximidades. O tempo de amostragem foi
programado para 5 segundos. A seguir, na Tabela 3.1, segue as especificações do
sismógrafo utilizado.
25

Tabela 3.1 –Especificações do sismógrafo em modo disparo.


Resolução 0,06 mm/s
Alcance Até 130 mm/s
Faixa de Frequência de Resposta 2-250 Hz (3 dB) 2-1000 Hz
(Nyquist)
Vibração
Taxa de Amostragem Até 2000 segundos/canal
Tempo de Gravação 1-15 segundos
Precisão 5 % em um ano
Calibração Dinâmica Interna
Intervalo (linear) 78-142 dB (outras faixas
disponíveis)
Faixa de Frequência 2-250 Hz (3dB), 2-1000 Hz
Som
(Nyquist)
Precisão ± 10% ou 1 dB em um ano
Calibração Eletrônico Interno
Fonte: Geosonics, 2016.

A frente de detonação encontra-se a aproximadamente 1 km de distância do


escritório. Instalou-se os aparelhos a uma distância aproximada de 500 m da frente
de detonação e a 800 m do escritório administrativo. Conforme ilustrado na Figura 3.3.

Figura 3.3 – Posicionamento do sismógrafo.

Fonte: Adaptado de Google.


26

3.2.1 Aplicação do questionário de percepção de risco

Com base no estudo realizado por Tanimoto (2011), aplicou-se questionário


objetivo para coletar dados sensoriais dos trabalhadores do setor administrativo após
cada detonação, para auxiliar na avaliação dos efeitos das ondas de choque e
percepção ao risco (APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO AUXILIAR).

3.3 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Os dados obtidos foram analisados e tratados com o auxílio do software


Seismic Analysis da Geosonic Inc. O programa permite analisar e descarregar os
dados sismográficos e de sobrepressão acústica, gerando sismogramas contendo
dados como as velocidades das partículas pico (VPP) nas componentes longitudinal,
transversal e vertical, o valor da velocidade da partícula pico resultante (VPPR) e as
frequências para as componentes da velocidade, assim como os gráficos das ondas
(Velocidade da partícula Versus Frequência), utilizando os parâmetros das normas
internacionais e nacionais. Os sismogramas obtidos nas 3 amostragens realizadas
encontram-se no Apêndice A.

3.3.1 Monitoramentos Sismográficos e de Sobrepressão Acústica

Os monitoramentos ocorreram durante as detonações realizadas nos meses


de junho a agosto de 2016, as quais fizeram uso médio de carga máxima por furo
(CMF) de 124 kg. Na Tabela 3.2 é possível verificar os valores obtidos dos parâmetros
monitorados nas atividades de desmonte de rochas.

Tabela 3.2 – Valores obtidos dos parâmetros monitorados.


VPP (mm/s) VPP
Som
Detonação Data CMF (kg) resultante
(dB)
L T V (mm/s)

1 27/06/2016 101 0,64 0,83 2,6 2,67 119


2 14/07/2016 180 1,27 1,21 2,35 2,54 119
3 10/08/2016 90 0,19 0,13 0,19 0,25 124
Fonte: O Autor, 2016.
27

Segundo Gerges (2000), com a distância a pressão sonora sofre um processo


de atenuação, dependendo da fonte. Para fontes pontuais simples tem-se atenuação
de 6 dB para cada duplicação da distância (Figura 3.4). Levando-se em consideração
que o explosivo aplicado no furo é detonado pontualmente e o escritório administrativo
econtra-se a uma distância aproximada de 800 m do ponto de medição e o sismógrafo
a 500 m, pode-se inferir que os valores de pressão sonora nas proximidades do
escritório alcançaram o valor 118 dB, aproximadamente.

Figura 3.4 – Fenômeno de atenuação da pressão sonora.

Fonte: O Autor, 2016.

3.3.2 Questionário de Percepção de Risco

Os questionários foram aplicados de forma aleatória e objetiva a 11


funcionários do setor administrativo da Britagem Vogelsanger e com isso obteve-se
os seguintes resultados, seguinda a escala sensorial de 1 a 5: 91% dos entrevistados
afirmaram não sentir absolutamente nenhum desconforto físico durante as
detonações, gráfico 3.1; 91% dos entrevistados sentem-se totalmente seguros em
trabalhar nesse ambiente, gráfico 3.2; 68% dos entrevistados afirmaram possuir total
conhecimento dos riscos envolvidos na atividade de tonação, obtendo-se uma leve
negativa de 18% para a escala 3 e 4, respectivamente, gráfico 3.3; no quesito
lançamento de fragmentos de rochas 91% dos trabalhadores afirmaram sentir total
segurança, gráfico 3.4; a poeira gerada nas operações de desmonte de rochas
conrespondeu a um resultado de 91% dos trabalhadores não sentirem absolutamente
nenhum incomodo gráfico 3.5:
28

Gráfico 3.1 – Desconforto físico dos trabalhadores.


0% 0% 0%

9%
1
2
3
4
91% 5

Fonte: O Autor, 2016.

Gráfico 3.2 – Percepção de segurança dos trabalhadores.


0% 0% 0%

9%
1
2
3
4
91% 5

Fonte: O Autor, 2016.

Gráfico 3.3 – Conhecimento dos trabalhadores com relação os riscos da atividade.


0% 0%

18%
1
2
18%
3
64%
4
5

Fonte: O Autor, 2016.


29

Gráfico 3.4 – Percepção de segurança dos trabalhadores com relação ao lançamento de fragmentos.
0% 0%
0%
9%
1
2
3
4
91% 5

Fonte: O Autor, 2016.

Gráfico 3.5 – Incomodo dos trabalhadores com relação a poeira gerada.


0% 0%
0%

9%
1
2
3
4
91% 5

Fonte: O Autor, 2016.

3.3.3 Comparativo dos resultados dos monitoramentos com as normas


vigentes

Considerando-se que a norma NBR 9653 de 2005 estabelece parâmetros para


avaliação dos efeitos em estruturas físicas, apenas. Pode-se inferir que os dados
obtidos das velocidades da partícula pico das componentes L, T e V e suas,
respectivas frequências estão de acordo com a norma. Não obstante, o nível de
pressão acústica em nenhuma das amostras ultrapassou o limite de 134 dBL (Tabela
3.3).
30

Tabela 3.3 – Velocidade da partícula pico, frequência e pressão acústica das amostras.
VPP (mm/s) Frequência (Hz)
Detonação Data Som (dB)
L T V L T V

1 27/06/2016 0,64 0,83 2,6 38,5 83,3 0,15 119


2 14/07/2016 1,27 1,21 2,35 45,5 17,2 45,5 119
3 10/08/2016 0,19 0,13 0,19 166,7 17,9 8,3 124
Fonte: O Autor, 2016.

Comparando-se os valores amostrados (Tabela 3.2) com a normativa do


OSM/USBM – RI 8507, constata-se que, para a distância do ponto de detonação de
500 metros, os valores da VPPR estão abaixo do que fora estipulado (24 mm/s), assim
como os níveis de ruído das 3 amostras não ultrapassaram o limite de 136 dBL.
Todavia, duas amostras se enquadraram com o nível de VPP “Perturbador” e
1 amostra “Quase imperceptível”, conforme a Tabela 2.3 que faz alusão aos níveis de
percepção humana de vibração no solo, segundo o USBM.
Optou-se por não exibir resultados comparativos com a norma ISO 2361 de
1997. Pois, os parâmetros desta norma não se adequam ao cenário dos eventos
amostrados – tempo de duração e grau de exposição.
Mesmo levando em consideração o fenômeno de atenuação da onda sonora e
que os valores não atigiram os níveis estipulados pelas normas nacionais (NBR 9653
e Anexo 2 da NR 15) e internacionais, vale ressaltar que variações súbitas da pressão
do ar podem ocasionar rompimento da membrana do tímpano (MINISTÉRIO DA
SAÚDE, 2001). Neste caso, como medida preventiva, é aconselhado utilizar
protetores auriculares durante as detonações. Não obstante, segundo a NR 9, os
valores obtidos transpassaram 50% do limite de tolerância estipulados no Anexo 2 da
NR 15, ou seja, passíveis de medidas preventivas. Contudo, os limites de tolerância
da NR 15 para ruído de impacto são para eventos de duração inferior a 1 segundo e
intervalos superiores a 1 segundo, cenário diferente do que se encontra nos eventos
de detonação de rochas.
31

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base nos resultados alcançados através dos monitoramentos realizados,


conclui-se que foi possível caracterizar os agentes físicos ruído e vibração
provenientes das detonações e avaliar os efeitos das ondas de choque sobre os
trabalhadores. Além disso, verificou-se que os valores de VPPR, VPP e pressão
sonora estão dentro dos padrões de aceitabilidade das normas utilizadas na avaliação
dos dados obtidos neste estudo e os procedimentos de detonação são seguros.
Entretanto, segundo os padrões estipulados pela USBM, a maioria das detonações se
enquadra como “Perturbadoras”.
Por outro lado, o questionário sensorial aplicado levantou dados importantes
para propiciar uma análise com relação à percepção, incomodidade e conhecimento
dos riscos com os quais os trabalhadores estão envolvidos, diretamente e
indiretamente.
Os resultados possibilitaram visualizar o cenário de segurança e de baixa
incomodidade que a atividade representa para os trabalhadores. Apenas o ponto de
conhecimento dos riscos que a atividade envolve que obteve certa irregularidade com
as demais questões do questionário. Podendo ser corrigido por meio de treinamentos,
diálogos diários de segurança, palestras e materiais explicativos, por exemplo.
Os níveis de pressão sonora não atingiram valores necessários para
caracterizar atividade insalubre (130 dBL), segundo o anexo 2 da NR 15. Porém,
medidas preventivas devem ser tomadas para se evitar possíveis acidentes, como,
por exemplo: utilização de protetor auricular durante a detonação e melhor distribuição
de massa de explosivo por furo.
O estudo mostrou que as normas nacionais não contemplam todos os
parâmetros e métodos necessários para desenvolver um trabalho neste segmento e
com esta finalidade. Foi necessário utilizar normas internacionais para assessorar a
realização dos monitoramentos.
Finalmente, conclui-se que do ponto de vista da engenharia de segurança do
trabalho e das normas de segurança vigentes, a empresa está apta a prosseguir com
a realização das atividades de desmonte de rochas por explosivos. Devendo realizar
treinamentos de caráter informativo aos trabalhadores da empresa com intuito de
prover maior conhecimento dos riscos os quais estão expostos e também todos os
trabalhadores em um raio de 1 km devem fazer uso de protetores auriculares tipo
32

concha. Estes protetores possuem capacidade de atenuação média de 20 a 40 dB e


são indicados em caso de exposição a ruídos de impactos. Os níveis de pressão
sonora não ultrapassaram os limites da NR 15, como fora dito, e os protetores serão
utilizados unicamente com objetivo de prevenir possíveis traumas auditivos, devido as
variações súbitas e esporádicas da pressão do ar causadas pelas detonações.

4.1 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

Com intuito de refinar os dados obtidos neste estudo, sugere-se a realização


de novos monitoramentos utilizando mais sismógrafos para, assim, conseguir
visualizar com mais clareza o comportamento de atenuação das ondas de choque e
em conjunto realizar medições nos ambientes de trabalho dos funcionários, cruzando
os dados coletados.
33

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - NBR 9653. Guia para


Avaliação dos Efeitos Provocados pelo Uso de Explosivos nas Minerações em
Áreas Urbanas. Associação Brasileira de Normas Técnicas.2005.
ATLAS POWDER COMPANY. Explosives and rock blasting. Dallas, Texas, USA,
662 p. 1987.
BARROS, M. L. S. C., FREITAS, E. J. G., FERRAZ, J. A. S., LUSTOSA, F. Uma
contribuição ao controle de vibração nas pedreiras. Seminário Regional de
Engenharia Civil (CIVIL 90). Recife – PE. p. 555-566. 1990
BERNARDO, P. A. M. Impactos Ambientais do Uso de Explosivos na Escavação
de Rochas, com Ênfase nas Vibrações. Dissertação para obtenção do grau de
Doutor em Engenharia de Minas. I.S.T. - U.T.L, 2004.
BRITANITE. Guia de utilização de produtos. Disponível em:
<http://www.britanite.com.br/index.php?p=produtos&Abrir=10>. Acesso em: 14 de
ago. de 2016.
CHIAPPETTA, R.F. A evaluation of seismic instrumentation as applied to a loose-
detection system and tension testing of roof bolts. MsC thesis. Queen’s University,
Mining Engineering Department Department, Kingston, Ontario, Canada. 1982.
BRUEL & KJAER. “Enviromental Noise”. Folheto técnico. 2000

ESTON, S.M. Uma análise dos níveis de vibração associados a detonações.125


p. (Tese de Livre Docência) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo – USP,
São Paulo, SP. 1998.

F. Faramarzi et al. Simultaneous investigation of blast induced ground vibration and


airblast effects on safety level of structures and human in surface blasting.
International Journal of Mining Science and Technology. P. 663-669. 2014.
FEDERAL REGISTER. Rules and Regulations, Office of Surface Mining Reclamation
and Enforcement. Vol 48, No. 46, March 8. 1983.
GEOSONICS, 2016. Safeguard seismic unit 3000 ez pluz. Portable Seismograph.
Disponível em:
<http://www.geosonicsvibratech.com/images/stories/pdf/3000EZPlus_SpecSheSp.pdf>.
Acesso em 10 jun. 2016.

GERALDI, J.L.P. O ABC das Escavações de Rocha. Rio de Janeiro. Ed. Interciência,
2011.
GERGES, S. N. Y., Ruído: Fundamentos e Controle, 2ª ed., editora NR Consultoria e
Treinamento, Florianópolis, 2000.
GOOGLE: Earth. Disponível em: <https://www.google.com.br/intl/pt-BR/earth/>.
Acesso em: 16 de set. 2016.
GRIFFIN, M. J. Handbook of human vibration. London. Academic press. 1996.
34

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Cidades.


Disponível em: <http://cod.ibge.gov.br/B90>. Acesso em 13 de out. 2016

IBRAM – INSTITUTO BRASILEIRO DE MINERAÇÃO. Informações e análises da


economia mineral brasileira, 7ª ed. p. 25. 2015.
INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 2631
Mechanical vibration and shock - evaluation of human exposure of whole- body
vibration: General requirements. Geneva, 1997. 31 p.

JIMENO, E. L., JIMENO, C. L. & BERMUDEZ, P. G., Manual de perforación y


voladura de rocas. ITGE. 2ª Edição. Espanha. 2003.

LANGEFORS, Ulf., KIHLSTROM, B., & and; WESTEBERG, H. Ground Vibration in


Blasting. Water Power. 1948.
MINISTÉRIO DA SAÚDE DO BRASIL. Portaria 1339. Brasília, 1999. Disponível em:
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1999/prt1339_18_11_1999.htm>.
Acesso em 22 set. 2016.
MINISTÉRIO DA SAÚDE DO BRASIL. Doenças relacionadas ao trabalho: Manual
de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília. MS, 2001. 580 p.
NETO, D. C. Análise das Vibrações Resultantes do Desmonte de Rocha em
Mineração de Calcário e Argilito Posicionada Junto à área Urbana de Limeira
(SP) e Sua Aplicação Para Minimização dos Impactos Ambientais. Dissertação de
Mestrado em Geociências. UNESP – Rio Claro/SP, p. 99, 2004.
Norma regulamentadora 6. Equipamento de proteção individual – EPI. Brasília,
1978. Disponível em: < http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR6.pdf>.
Acesso em 23 out. 2016.
Norma regulamentadora 9. Programa de prevenção de riscos ambientais. Brasília,
1978. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR-
09atualizada2014III.pdf>. Acesso em 8 jun. 2016.
Norma regulamentadora 15. Atividades e operações insalubres. Brasília, 1978.
Disponível em: < http://trabalho.gov.br/seguranca-e-saude-no-
trabalho/normatizacao/normas-regulamentadoras/norma-regulamentadora-n-15-
atividades-e-operacoes-insalubres >. Acesso em 10 jun. 2016.
Norma regulamentadora 19. Explosivos. Brasília, 1978. Disponível em:
<http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR19atualizada2011.pdf>.
Acesso em 10 jun. 2016.
Norma regulamentadora 22. Segurança e saúde ocupacional na mineração. Brasília,
1978. Disponível em: < http://trabalho.gov.br/seguranca-e-saude-
notrabalho/normatizacao/normas-regulamentadoras/norma-regulamentadora-n-22-
seguranca-e-saude-ocupacional-na-mineracao >. Acesso em 10 jun. 2016.
OBSERVATÓRIO SISMOGRÁFICO - UnB. Ondas Sísmicas. Disponível em
<http://164.41.28.233/obsis/index.php?option=com_content&view=article&id=55&Ite
mid=66&lang=pt-br>. Acesso em: 13 de jul. 2016
35

OLOFSSON, S.O., Applied Explosives Technology For Construction and Mining.


Applex AB publisher, Arla Sweden. 342 pp. 1997.
ROLIM, J. L. Considerações Sobre o Desmonte de Rochas com Ênfase os
Basaltos Feição Entablamento. Tese de Doutorado. Depto. de Geotecnia,
EESC/USP. P.216. 1993.
SISKIND, D.E., STAGG, M.S. KOPP, J.W., and; DOWDING, C.H. Structure
Response and Damage Produced by Ground Vibration From Surface Mine
Blasting, USBM RI 8507. p. 62. 1980.
SISKIND, D.E., CRUM, S.V., and; PLIS M.N. Blast vibration and other potencial
causes of damage in homes near a large surface coal mine in indiana. USBM RI
9455. P.64. 1993.
SALIBA, T. M. Manual prático de avaliação e controle de vibração – PPRA. São
Paulo, 2009, LTr.
SALIBA, T. M. Manual prático de avaliação e controle de vibração – PPRA. São
Paulo, 2014, LTr.
SILVA, V.C.; ANTONINI, A.; KOPPE, J.; FLOYD, J.; CERELLO, L.; CROSBY, W.;
HOGAN, T.; Problemas gerados pelas detonações. IGCE. Unesp. Rio Claro, SP.
Apostila. 165 p.2000.

SOEIRO, N.S. Vibrações e o Corpo Humano: uma avaliação ocupacional. In: Anais
I workshop de vibrações e acústica – Tucuruí - Pará, 2011.
TANIMOTO, K. S. Proposta de um questionário destinado a avaliar a percepção
de risco relativa a um repositório de rejeitos radioativos. Dissertação de
mestrado em ciências em tecnologia nuclear. IPEN. P.75. 2011.
THOMSON, W. T. Teoria da Vibração com Aplicações. Rio de Janeiro. Ed.
Interciência ltda., 1978.
UNE-EN 458:2016. Hearing protectors - Recommendations for selection, use,
care and maintenance - Guidance document. Endorsed by AENOR in April of 2016.
VENDRAME, A. C. 2005. Vibrações Ocupacionais. Disponível em
<http://www.higieneocupacional.com.br/download/vibracoes_vendrame.pdf>. Acesso
em: 10 ago. 2016
36

APÊNDICE A – SISMOGRAMAS
37
38
39

APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO AUXILIAR

Questionário Auxiliar
Esse questionário tem por objetivo coletar dados para auxiliar na avaliação dos
efeitos das ondas de choque e a percepção ao risco dos trabalhadores, provocadas
pelo desmonte de rochas com uso de explosivos.
Obs:. Favor preencher a caneta e com letra legível. Assinale com um “X” os itens
de 1 a 5 de cada pergunta.
Nome completo:
Cargo ou função:
Setor:

Você sente desconforto físico durante a detonação?


(1) (2) (3) (4) (5)
Não,
absolutamente Sim, bastante
nada. desconforto.

Se sim, qual desconforto?


___________________________________________________________________

Você se sente seguro em trabalhar nesse ambiente?


(1) (2) (3) (4) (5)
Não, Sim,
totalmente totalmente
inseguro. seguro.

Você conhece todos os riscos envolvidos nessa atividade?


(1) (2) (3) (4) (5)
Não,
Sim, total
absolutamente
conhecimento.
nada.

Você sente seguro em relação ao lançamento de fragmentos de rochas (matacos)?


(1) (2) (3) (4) (5)
40

Não, Sim,
totalmente totalmente
inseguro. seguro.

A poeira gerada nas operações de desmonte de rochas te incomoda?


(1) (2) (3) (4) (5)
Não, Sim,
absolutamente incomoda
nada. muito.
41

ANEXO A – CERTIFICADO DE CALIBRAÇÃO DO SISMÓGRAFO


42
43
44

ANEXO B – CERTIFICADO DE CALIBRAÇÃO DO MICROFONE


45
46

ANEXO C – AUTORIZAÇÃO