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• Leitura para

Ano 1 - No. 7—Dezembro de 1978— Cr$ 15,00 maiores de 18 anos da esquina

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as fatos do
verão carioca

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A mulher EMILIANO
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Prof. Dr. Luiz Mott GRUPODIGNIDADE
ESOUINA 1
Shere Hite,:
Conselho Editorial: Adão
Acosta, Aguinaldo Silva, An-
tônio Chrysóstomo, Clóvis Mar-
ques, Darcy Penteado, Francisco
machismo às avessas
No se pode dizer que as feministas
Bittencourt, Gasparino Damata, brasileiras que participaram do 1 Simpósio de
Jean-Claude Bernardet, João Psicanálise, Grupos e Instituições, realizado
Silvério Trevisan e Peter Fry. no fim de outubro, no Rio, tenham ficado
plenamente satisfeitas com o desempenho
Coordenador de edição.- da colega Shere Hite - autora do famoso
Agu iria Ido Silva. 'Relatório Hite" Sobre a sexualidade feminina
banido das livrarias do país pela censura
como obra obscena - nos quatro dias que ela.
Colaboradores Agudo Gui- passou entre nós. Para as pacatas brasileiras,
marães, Frederico Jorge Dan- Shere Hite foi muito agressiva, recusando-se
tas, Alceste Pinheiro, Paulo Sér- até a dar entrevista para homens, "porque
gio Pestana, Nica Bonfim, Zsu eles deturpam tudo o que a gente diz". Uma
delas, que participou de um painel sobre "Ins-
Zsu Vieira, Lúcia Rito, José Fer- tituições, Pesquisas e Sexualidade - , chegou a
nando Bastos, Regina Rito, cochichar depois que a norte-americana era
Henrique Neiva, Leila Miccolis muito doente".
(Rio); José Pires Barroso Filho, A rusga de Ms Hite )cham-la de Miss,
senhorita, é ofensa grave; Ms é o único
Carlos Alberto Miranda (Niterói);
tratamento igualitário, não humilhante para as
Mariza, Edward MacRae (Cam- feministas de língua inglesa) com o nosso
pinas); Glauco Matoso, Celso Peter Fry, aqui cio LAMPIÃO, que participava
Curi, Edélcio Mostaço, Paulo cio mesmo simpósio, foi o que mais escan-
Augusto (São Paulo); Amylton dalizou as brasileiras. Quando Peter passou a
fazer criticas à organização do "Relatório", a
Almeida (Vitória); Zé Albuquer- furibunda autora começou a murmurar para
que (Recife); Gilmar de Carva- as suas 'colegas, "Men should drop dead" (Os,
lho (Fortaleza); Beto Stodieck homens têm mais é que morrer), retirando-se
(Florianópolis); Alexandre Ribon- antes do fim da explanação do orador. Nós,
di (Brasília); Sandra Maria C. de homens, também ficamos chocados com a
atitude de Ms Hite, já que Peter, além de ser
Albuquerque (Campina Grande); um pão, é um doce (qualidades bem difíceis
Políbio Alves (João Pessoa); de serem encontradas juntas, diga-se de pas-
Franklin Jorge (Natal); Paulo sagem], e toda sua crítica ao livro foi feita em
Hecker Filho (Porto Alegre); Ma termos de debate alto.
Foi por essas e outras que a imprensa em
Stolz (Curitiba).
geral e o pessoal interessado no Simpósio
passou a não torcer para o time cia socióloga
Corresoon dentes Fran Tor- que, apesar da aparência lânguida e de bo-
nabene (San Francisco); AlIen neca, sabe ser violenta e rabugenta. Na ver-
Young (Nova lorque); Armand de riade, ela nada fez para agradar, o q ue bastou
Fluviá (Barcelona). para que lhe enfiassem a carapuça de radical,
o que é evidentemente um defeito de visão
Fotos: Billy Aciolly, Maurício nosso, acostumados que estamos a ver guntas ao mesmo tempo. Quando o séquito As respostas foram cuidaciosamente anali-
colocarem o carimbo de radical em todo finalmente empreendeu a marcha de volta, sadas e dessa análise nasceu a teoria de que a
S. Domingues, Dimitri Ribeiro aquele que não se porta direitinho. Fique por- engrossado pela exótica atriz Ruth Escobar, mulher é prisioneira de sua própria vagina e
(Rio); Dimas Schitini (São Paulo) tanto bem claro aqui que não critico a posição sobravam na mesa 12 garrafas de água mi- que é no clitoris que reside a chave de sua
e arquivo. feminista de Shere Hite - guerra é guerra - neral e coca-cola vazias. Como num faians- felicidade sexual. O cliteris é o abre-te sésamo
e que este meu relato pretende ser, antes de tério virtuoso e aguerrido, ninguém ousara para um prazer esquecido pela subservência
Arte: Jo Fernandes, Mcm de tudo, uma visão bem humorada do compor- fumar ou beber álcool. ria mulher às imposições do macho. E é essa
tamento da socióloga nos seus aparecimentos nova mulher, independente e não castrada,
Sã, Patrício Bisso, Híldebrando. Ms Hite começou sua luta pela vida tra-
em público. que Shere Hite vem procurando despertarem
de Castro. balhando como garçonete (e poderia ser de
O dado mais engraçado foi o rancor com outra forma nos Estados Unidos?). Depois de todas as companheiras que encontra, e foi por
Gandhi Gama que ela encarou todos os infelizes membros ela que veio ao Brasil.
Arte final.- muito nhec-nhec lavando pratos e graças a
do sexo masculino. Sempre que era apresen- seus atributos físicos, consguiu galgar o "Acho isso tudo ótimo. Mas o que foi mais
Neves e Edmílson Vieira da Costa tada a um homem, fosse ele colega de sim- que eia disse", eu quis saber angustiado.
segundo degrau clássico reservado à mulher
pósio ou alguma celebridade em trânsito, norte-americana em busca da fama: foi ser "Bem, nós a convidamos para conhecer o
LAMPIÃO da Esquina é uma Shere Hite fechava-se num mutismo abso- modelo fotográfico. Nessa função, e com Brasil, eu pedi que ela fosse a São Paulo, para
luto. "Mas ela é tão bonitinha, por que faz is- mais tempo livre, formou-se em socióloga. Lá falar na minha faculdade, onde temos cursos
publicação da Esquina - Editora so?" perguntava sem parar um repórter bas- de educação sexual", respondeu-me minha
como aqui, no entanto, os sociólogos têm
do Livros, Jornais e Revistas Lt- baque, ao que um machista também da im- poucas chances de bons empregos e Shere interposta pessoa junto a Mr. Hite
(ia. CGC: 29529856/0001-30 1 Ins prensa retrucou "Bonitinha' Olha só as per- continuou trabalhando para agências de A feminista norte-americana, no entanto,
crição estadual: 81 .547.1 13. nas dela, são mais cabeludas cio que as de um propaganda. não se mostrou nem um pouco interessada
jogador de futebol". A raiva dos jornalistas em "conhecer o Brasil". "Gostaria", teria
linha uma razão: Ms Hite mandou a"isar logo Quando a máquina Olivetti foi lançada nos (ido — de nestes poucos dias ter mais contatos
Endereço: Caixa Postal no início que, se queriam entrevistas, "man- States a nossa heroína descolou a oportu- com mulheres familiarizadas com meu tra-
41,031, CEP 20241 (Santa Te- c1 em mulheres para falar comigo, e que te- nidade de apresentar o novo produto. Ela balho." Embora não tenha jeito de obcecada,
resa), Rio de Janeiro, RJ. nham lido muito bem meu livro". posava como secretária, escrevendo na de sufragista, é esse o espírito que revela todo
Oliveiti. Por baixo rinha a legenda: "Com esta o tempo. A natureza do Rio, os banhistas
Essa foi a grande dificuldade da imprensa
Composto e impresso n máquina a secretária não precisa ser inteligen- passando para a praia, pareciam não existir.
para realizar seu trabalho. Como a maioria das
te". Esta propaganda foi a responsável por Mas o mais espantoso é que, de repente, teria
Gráfica e Editora Jornal dc- lornalistas cariocas é composta de gente
uma ci as maiores passeatas feministas dos Es-
muito lovem, foi uma façanha conseguir suspirado: "0, home, home, sweet homel"
Comércio S.A. - Rua dc tados Unidos Açuladas por suas lideres, mul- l"Ai que saudade de casal 1
quem preenchesse os requisitos necessários
Livramento 189/203, Rio. Dis para entrevistá-la, como domínio do inglês e
tidões de mulheres lançavam mais uma vez Ah, então ela é casada e está querendo
tribuição, Rio: Distribuidora de seu brado de guerra ao homem. Foi nessa al- voltar para os filhos e o marido matutei. Foi
perseverança para ter lido obra tão massuda e
tura dos acontecimentos que deu o estalo em nessa hora que minha agente virou bicho:
Jornais e Revistas Presidente. !ifícil de encontrar como o "Relatório Hite".
Shere Hite. Ela estava sendo usaria numa "Que é isso, rapaz? A Shere está por fora des-
Rua da Constituição, 65/67. Sãc Assim mesmo, ao meio-dia de um domin- propaganda ignóbil, servindo de instrumento sas bobagens e detesta qualquer idéia de
Paulo: Paulino Carcanhetti; go de muito sol e praia, conseguiu-se reunir para uma sociedade machista oprimir ainda filho. Ela simplesmente. está cansada e com
Recife: Livra ia Reler; Salvador: um grupo de moças que, entre assustarias e mais a mulher ao criar aquele retrato da se- vontade die voltar pra casa. Não pode?"
eufóricas, tocaram para a pérgula do Co- cretária burrinha, que só serve para ser usada
Lilorarte; Florianópolis: Amo, "Desculpe, mas por que esse ódio de
pacabana Palace encabeçadas por Ms Hite. pelo patrão. criança? Vocês não vão querer matar todas as
Representações e Distribuição de Foi através (lelas - uma estudante de psi-
crianças do reino, como Herodes, vão?" A
Livros e Periódicos Ltda.; Belo cologia de São Paulo, a quem investi com os Shere então largou tudo e se juntou às ironia, o tom superior, o sorriso nos lábios
Horizonte: Sociedade Distri- poderes c i e imprensa pespegando-lhe no peito hostes feministas. Como socióloga poderia fechados, fizeram com que eu me encolhesse
o crachá correspondente - que consegui al- ajudar a interpretar o fenômeno da dominação um poucô. "Quem sabe? Talvez o nosso
buidora de Jornais e Revistas guns dados sobre a socióloga A reunião da mulher pelo homem e tentar encontrar problema seja exatamente igual ao de He-
Ltda.; Porto Alegre: Cooiornal; parece ter sido das mais agradáveis e frutí- uma saída para o problema. Seu livro é o rodes, matar todas as crianças de sexo.mas-
Teresina: Livraria Corisco; feras esegundo minha agente, passados os resultado de uma pesquisa de quatro anos culino dlO reino."
Curitiba: Ghignono. primeiros momentos de timidez e mau inglês, sobre a sexualidade feminina. O êxito da idéia Com isso encerramos uma camaradagem
tocas se divertiram e ficaram cativadas com reside no fato de ele ter interpretado o sexo que começara tão bem. Ela partiu, farejando o
Assinatura anual (doze nú- as histórias e argumentos usados por Shere feminino á luz do contexto histórico e cultural. ar, no rastro de sua vaca sagrada, e eu fui
meros): Cr$ 180,00 Assinatura Hite na defesa de sua causa. Para os jornalis-, Com o auxílio da Seção Novaiorquina da Or- procurar Peter Fry para saber os verdadeiros
para o exterior US$ 15. tas, que espiavam de longe, aquela reunião de ganização Nacional de Mulheres, Shere Hite motivos da fúria de Ms. Hite. Mas isso é as-
mulheres pareceu também das mais alegres e enviou questionários em 60 perguntas a sunto para uma matéria que os leitores deste
comunicativas, com muitas risadas e milhares de mulhereS de todas as idades, clas- jornal pociern exigir de Peter Fry. (Francisco
atropelos, todo mundo querendo fazer per- ses sociais er atividades dos Estados Unidos. Bittencourtl
2' LAMPIÃO da Esquina

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Prof. Dr. Luiz Mott GRUPODIGNIDADE
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O mito bem dotado
Vocês já devem ter percebido que esse isso- Outro: Uni louro modelo fotográfico, bastante
lura Artistica, com a presença de todo o creme
à, lecute era o Dener. Parece que os nervos de Ruth conhecido for sua beleza e que já lias-ia tido Iran-
catupiri' da sociedade loal, em beneficio da
Campanha do Câncer. Silveira não agüentaram a precocidade do rapaz e sa com Dener. voltou de urna temporada nos Es-
ele foi Legado a outra madrinha, Maria Augusta. tados Unidos transformado em hippks. Dencr en-
Ainda não existiam muitos manequins profis- modista em São Paulo. Acompanhei esporadi- controu-o meio largado pelas ruas, carregou-o
sionais e foi preciso organizar o desfile com os camente esse início de carreira de Dener, que foi para casa t' este docilmente deixou-se banhar,
raros existetites, completando o elenco com fulminante. Seis anos depois. em 1959, ele já es- perfuniar, s-evtir, polir as Unhas, só n,'sn permitia
garotas propaganda da televisão. Uma delas tava com atelier próprio e era a coqueluche de que lhe cortassem os longos cabelos. Dener não
chamava-se Odete Lara. CaciLda Becker, que toda a grã'finagem paulista. Foi quando en- teve dúvidas. Embebedou-o e quando ele dormiu
deveria dizer poemas de Drummond ("No meio comendou a mim o retraio que ilustra este de' de porre, resliu utis ''robe" longo de cetim verde,
do caminho tinha uma pedra.. .'), de Vinícius e psiimenio. Ele fui um dos piores, o mais irritante e pós a ópera Sansão e Dalula no toca-discos e or-
Manuel Bandeira, ficou com estafa e foi, também um dos mais inquietos modelos que pintei. A pose denou au' copeiro Pedro: "Pierre, risc traga uma
à última hora substituida por Monah Detacy, que marcada vara logo após o almoço só foi iniciada hutidcja de praia e urna tesoura"
entrou em cena com apenas um ensaio, urna forte depois das quatro e terniinada sob luz noturna; e Certa vez foi e' eu,nsidado especial numa baile
gripe e trinta e nove de febre. Shirley. a mais com freqüentes interrupções da parte dele para toiiiilar no bairro da Casa Verde. Lá viu uns bole
comprida das manecas do grupo, um mulherão transmitir ordens aos " escravos"
escravos' ' da casa e para hclissinio de um metro e noventa de altura, om-
extrovrlido e de gestos largos. desceu da pia- ini_Iteis bate-papos telefônicos com amigos. Eu es- bros desta idade e coxas de jogador de futebol de
talor,s para o piso do palco em "black'oul" tava extenuado quando terminei a peleja. Mas a várzea (pai russo, mãe italiana ou vice-versa) O
c7 total, com uns vestido justíssimo e por um lugar ''aventura retrato" não ficou por ai. Algum tem- bole estava dançando atracado numa garota.
onde imaginou que existisse uma escada. Só não P0 depois fui à casa e notei que o quadro tinha ai' Dener mandou recado pelo chofer e si garotão veio
se arrebentou toda, porque os ali] OÇ protegem as gIl diferente: como era moda ter cabelos mais leis- à mesa mas :ucusnsparihailo pela garota, que, per-
crianças, os bêbados e, pelo jeito, também as gos. ele acrescentou a nanquim, por conta cebendo a jogada. logicamente ficou indignada.
nianecas. Para completar a odisséia. o vestido de própria, alguns caracóis a mais naqueles que eu 'Vantos'' . disse i)ener ao rapaz. Que obeukceu
noisa que finalizas a o show e que estava sendo havia pintado. No dia seguiiitc Dener aparece em casa de amigos
c ' nfeccionado pela Ruth Silveira, só chegou ao Nada a fazer: Dener era assim e pronto! Para 'acompanhado da '1sbr:u. prima , já elaborada:
teatro duas horas antes da estréia, ainda com calças pretas ajustadas, camisa de cetim branco
f partes presas por alfinetes e transportado por um
ser seu amigo, era preciso pegar ou deixar. Eu
não peguei tuens deixei, mantendo com ele um de modelo cossaco, unia faixa larga ck tecido
garoto magrela de dezesseis anos, palpiteiro, in- relacionamento cordial vens ser assíduo. Na ver- prateado tia cintura, d'tu duas borlas dereri-
Em 1953 eu era desenhistaria Standard quieto. intronsetidu enfim, unta Criatura infer- dade reconheço que o verdadeiro L)ener era duradas de ilfli lado e. . . um leve sombreado nas
Propaganda. ia n i lsini desenhava para tealri, e na[. aquele mesmo que ele próprio havia criado e pálpebras para destacar os cuides azuis.
como tinha interesse pelo estudo da moda e até Esse garoto tornou cisti ia do espetáculo corno elaborado. com muita inteligência e luta, para O universo de Dener se desgastou depressa
arriscara slcst-nliar para algumas lojas e firmas de se a coisa fosse dele. Infiltrou-se pelo camarim viver num mundo "a la Deticr". em que só en- dentais nos últinios tettspos. Quando o reencon-
cnn fecçws, a agê i,e ia publicil ária encarregou-me dos modelos, deu palpites nas maquilagens e nos trava e existia quem e aquilo que ele queria. Des- trei recentemente rsuni programa Flávio Caval-
de criar unia coleçtn para a Rhodia que até cri - cabelos, achou que todos os vest idos (com exceção se mundo fazia parte a sua ambigüidade (ou ver- canti tio qual fui entrevistado, e ele fazia parte do
tão. com fins publicitários importava moda e cos- daqueles feitos pela Ruth Silveira) estavam uni satilidade?) sexual, onde a bichice levada aos iiri. lnipressionoo'me muito o seu aspecto fisieo.
tureiriis franceses. Seria um lançamento de moda lixo e ao xcii liel-praier acrescentou-lhes enfeites exageros do amaneiransento e do requinte era Ele sempre tese olheiras fundas e tinia cor rua.
brasileira, talve, o primeiro. Acontece que. sem ou eliminou detalhes: e eu. preocupado com as unia atitude profissional, acobertando a hisse- cilenta, usas agora estava inchado e com um ar
falsos machismos nem preconceitos. o meu in- entradas de caiEs elemento em cena e com o lime sualidade da qual não fazia alarde. Seria esse o sonolento de quem pensa e age com dificuldade.
teresse nesse setor era dirigido ao teatro. Propus do show - fiquei vetidu a introntissào, sem poder seu lado positivo? Nem sei, porque tudo nele não Ele se sabia muito doente, mas recusava aceitar-
então que a aprcserttari tivesse características interferir. Náo contente com toda a confusão que deixava de ser positivo, desde que analisado sob o se como tal, fazendo eoquusnlus agi)eciltsva o mes-
teatrais, o que foi aprovado pelo cliente. Meus estas a causando nesse espetáculo que pretendia angulo Dener de autenticidade. Diz um seu mo tipo de vida que sempre fez, escondendo a
trinta desenhos foram executados por três confec- ser profissional e muito chie, ele entmu durante o amigo íntimo que bem poucas, saras ve,.s, o vai doença até dos próprios amigos ín timos. Usufru iu
Cioflistas paUlistas e unia do Rio, Ruth Silveira. "t)laçk-out" para ajeitar os sêtis de noiva de prostrado psiquicamente. isto é, alheie ou distan- CIqtlareusdoinmaqutevid
que Tia época mantinha uni pequeno atelier em Odete Lira e saiu correndo de cena sob risadas da te das apoteoses mentais - e então era quando a era parti durar bem mais. Mas.., e dai? Vis cii a
Copacabana. mas que estasa na crista da onda. platéia, quando os refletores iluminaram instan barra estava pesada mesmo! Porque o normal era vida cm letras grandes e de maneira especia lis-
() s''.ptiáuuli ' de Su ' I'aiiln fui no teairo sul- tâ leis e siof u',a me ni t o palco para scena fui a criatura brilhante que, CM011.acita em uro longo sima e requintada corno sempre quis.
easato de peles ou suspendendo o colarinho da Não tenho dúvidas em afirmar que depois de
camisa para esconder o gogó. entrava em qual- (armem Miranda esse garoto paraense senha a
Um retrato sincero quer lugar e fechava, mesmo se naqueLe lugar já
estivesse a pessoa mais badalada e Iecbatlsa do
ser o segundo grande mito brasileiro, desde que se
classifique mito naquela categoria hullywoodiana
de pessoa que. talvez mal comparando. vive hor-
mundo.
Seu nome — Dencr da Silselra Pamplona absorvente e i'harmosissima. Engraçado quando Como não nasci omitem, não serei idiota de hulhante sobre tiuvcrss douradas à beira de uru
Braga Cavalcanti de Abreu, Ou Dener Pamplona queria, podia ser insuportável, se tivesse vontade. citar nomes, mas sei de militas mulheres lindas e abismo, Falando de mitos, lembro-me ainda de
de Abreu. Ou simplesmente - Dener. Velo de As coisas paris ele tinham valor relativo, Seus ttiniosas e muitos senhores corretos e sisudões Maisa, taLi e? de Dolores Duiran, ou ('iscilda Bee-
longe, Belém alo rará. Eu o conheci em 153 no conceitos não eram os nossos. Vivia num inundo à que nZio escaparam ao charme de Dener. Unia ker, Francisco Alies ou Orlando Silva, Seus
Rio de Janeiro, ia tinha a cabeça povoada de parte, que ele fez e viveu dentro. Criou uns mundo seu ex- manequim, por exemplo, confessou-me detalhar eis dois últimos, acho que Cacilda teve
sonhos. Eu já eslava no teatro. Gostamos um cio seu, a realidade misturava-se com o sonho: ele foi vida equilibrada e morte clra iii álica; as cantoras e
certa se, que além de milito bem dotado (!) ele
outro no primeiro dia. Demorou pouco e abriu para a sua Torre de Cristal, trancou-se nela e compositoras. lisc'smo grandes, possuíam uma
era excelente amante. melhor que todos os
uma loja de camisas, na Rua Francisco Sé, em morreu lã. machões que ela havia tido. Os casos que se con- consciência trágica do cotidiano que escapa
CopacabanaJà naquele tempo sem preços eram Viveu como quis. Fez o que desejou. Não aOs dele então, mais que acontecimentos reais, daquele enfoque de euforia que foi a vida de
incríveis - tudo o que ele [nua também. Ori' aceitava conselhos, riem os dava. Sempre diria: l)ener e que definiu o conceito criado em torno.
ptsrecens cruza de "sciencc- fiei ion' com fofoca
ginalissimo. Não paravA nunca, parecia um mos- "bons amigos vão aqueles que não dão proble' social. Este por exemplo: Unia nianlià a ca- por exemplo, de outros mitos Cofio La Miranda,
quito elétrico. Decorava tudo com Incrível Ia. mas, nem os trazem para que os outros os resol- mareira entra no quarto seni avisar e flagra-o na Mtsrilyn ou Elvis Presley. l)ene'r soube viver o
cilidade e sempre teve um talento enorme para vam". Cada um que cuide de si. Nada é bispos. canja com cinta mulher beli.ssima (uma conhecida liiitus que havia imaginado: ''Eu sou unia estrela e
imitar as pessoas. síeli No entanto, nós cuidávamos dele, e ele de estrela tem luz própria. O resto é lantejoula.—
vedete), nuinha e de popô para cima. 'Minha
No género musical só ouvia Daba de Oliveira, nós. A maneira dele, é claro, mas nunca deixou prima'' di, L}ener à camareira, apresentando.
Crniem Miranda, Angela Maria - as seles, ninguém sem ajuda. Só não gostava que se falasse Darc Penteado)
Chko Buarque de Holanda. Sua intimidade com nisso. Detestava aparentar fragilidade. Gostava
a música popular brasileira acabava ai. Seu ídolo- de poder e curtia seus pertences. Lançou sua
Maria calhas. Adorava óperas e sabia umas imagem - Dener, um luxo! Fazia questão dela,
quantas devoradas. Roupas, cenários, data de es. não abria! Em essa, ou com os amigos, era outra
(rua, onde, quando, como, dirigidas, regidas e pessoa. Era ele mesmo. Bem educado, sensível e
cantados por quem. Seu maestro: Von Karajan. atencioso, simples — como um franciscano.
Ao chegar a Sino Paulo, uniu-se com a ento Era hipocondríaco. Tomava mil remédios por
had'aiadíssima Miss América, com quem foiia dia. A ordem e a limpeza eram seus deuses par-
desfiles de modas. Seus modelos eram Carminha
Verbnka, ('éllu Coutinho, Talubama, emilio
vedetes da Zilco Ribeiro e sucesso total em Sio
ticulares. Ficava arrumando tudo. Ai de quem
mudasse uma peça, uma coisa do lugar. Gostava ANTIGUIDADES
mie gente, ou de solidão. Tudo - ou nada. Mas
Paulo. Depois abriu loja com Bis Coutlnho,
locomotiva da sociedade paulista, na Praça da
sempre sonhando. Não se ouviu dele uma queixa
pessoal. Seus momentos de reflexão devem ter
Galeria Ypiranga Molduras
República. I)ai foi para a Scarkt Modas, a mais sido terríveis. Mas ninguém os viu. Foi uma per- Feitas com arte, carinho e sensibilidade
famosa da época, com Maria Augusta Teixeira, sonalidade. Eu gostaria de falar muito mais -
na Barso de Itapetfninga. Abriu loja na Avenida
Paulista — Já era o isp da moda. Pode-se dizer
lembrar todos os bons momentos que passamos e
que tivemos juntos. Todos os seus momentos de Máscaras decorativas
tinir a moda brasileira existiu antes e depois dele. glória. Ele inventou as festas produzidas. Quando
Costureiro brasileiro antes dele era piada. Havia da visita de Gunther Sachs ao Brasil, na casa da De inspiração africana. Más-
sim, bons costureiras, que copiavam direitinho a Rua Itacaranha, no Pacaembsr, ele deu uma das caras para teatro e dança exe-
moda e os modelos franceses. Seu costureiro maiores festa.s que Sino Paulo já viu. Brasileira
favorito: Balat'iaga. Mulheres: Coco Chanel e 100%. Os empregados vestidos de Dobre[, en-
cutadas por artista especiali-
Se'biaparelli. feites tropicais, no meio do ambiente criado por zado
Com um jeito gozado. sofisticado - sim' Flávio Phoebo e Sérgio Fonseca. Um deslum- Temos artista de longa experiência que restaura
pllcidacic, temperamento -, ele entrou na alta bramento. Ele diria tudo como um maestro. Tudo
sociedade de Sino Paulo, a mais fechada do Brasil. impecável. Com Dener, na verdade, acaba uma quadros a óleo, imagens, estatuetas e objetos de arte em
Pelo menos na época... Grande amigo de Aracy época. Nós estamos na era das Dauscing Days da geral. Alta responsabilidade e competência.
de Almeida. curtia o ices o Mjchel com igual- vida. Ele detestava isso. Não fazia o seu gênero.
dade. Eu vou lembrar cicie sempre, conto alguém puro,
Das coisas que ele gostava - vida de mulheres bom, amigo. Amante das coisas belas e boas da .;• :tkra Ypirtnga de Decorações Ltda.
celebres, por exemplo — ela sabia mesmo. Tudo. vida. Cultivador da beleza, sacerdote do sonha.
Comprava todos os livros e lia e relia sem parar, Sei que um rua vamos nus encontrar. Não sei a Rud ]pi ranga. 46 ( 1.tranjt'rds .! . Rio de Jan&'irc -
até decorar os mínimos detalhes. Quanto às hora, mas fico por aqui, chorando e lembrando
coisas de que não gostas a, elas simplesmente não dele.
existiam para ele.
Consueio Leandro
nte(igentissimIro. linha uma personalidade
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LAMPIÃO da Esquina

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Prof. Dr. Luiz Mott GRU PODIGN IDADE
M o
da parada da diversidade

ESOUINA
mais quando se leia em conta que a bancada do
No dia 7 de novembro, os calLfornianos, além Partido eleita para a Câmara Federal naquele
de reelegerem seu governador e renovarem sua
representação em Washington opinaram sobre
urna série de questões em plebiscito, decidindo
Uma . vitória na Calq'Ó-rnia Evtudo não fi.ii das mais expressivas. Pio Rio,
hiritorre um candidato, que a última hora, decidia,
disputar o.s lotos dessa faixa de eleitores: foi o
que os cigarros (em locais públicos) e os homos- arenista Dias Pereira, cujos cabos eleitorais, na
sexuais (ensinando nas escolas) não incomodam homossexuais, quem?" No País em que o prin- assim: contra gente analfabeta como esse tal de última sexta-feira antes do pleito, distribuíram
tanto afinal de contas. cipal organismo representativo dos psiquiatras já Bniggs. que não entende nada dos seres humanos. panfletos na C'inelân dia, nos quais ele pedia o
se nega a considerar doença a homossexualidade, Cada qual deve cuidar de sua vida. "Num hotel —reconhecimento legal do homossexualismv,"
À chamada proposição número 6 sobre a qual lembrou-se também que eventuais comportamen- de Costa Mesa (sk), após uma cerimônia que Dias Pereira não foi eleito, nem atraiu o interesse
votaram foi apresentada por um senador (John tos imorais de professores, homo ou heterosse- começou com urna prece feita por um pastor bus- desses eleitores específicos, que viram em sua
Briggs) que se preocupa, segundo os que o xuais. já São objeto de legislação cominatória. tista, Briggs declarou que, apesar da derrota, súbita adesão, apenas um oportunismo.
apoiaram, com a 'tendência dos homossexuais a Visitando a capital do Estado, Sacramento, pretende continuar a lutar contra o homosse-
influenciar e promiscuir os jovens". Se aprovada, durante a campanha, o presidente Carter en- xualismo''. (Clóvis Marques) E no entanto, havia um candidato que poderia
ela daria aos diretores de escolas públicas pré- cerrou um discurso bradando heroicamente: ter leia ntado essa bandeira: Jorge Jaime, o menos
universitárias o direito de despedir professores corado de todos os candidatos à deputado à
que defendessem. encorajassem ou promoves-
sem em classe a homossexualidade.
"Vote no on il ("Votem não à proposição
seis!"). Em busca de •'ls.sembléia Legzislarii'a no Estado do Rio. Tivesse
aberto o peito e se apresentado como o autor do
No Beverly Hilton Hotel de Los Angeles
Mas parece que os eleitores desse Estado
americano - onde a situação da homossexua-
realizou-se, após a vitória, um baile relatado coro
alguma ironia per Globo (9/11). O Jornal do
um candidato livro M' nrstr, que t'h,;r,J, um chíssico entendido
dos anos 504 certamente teria obtido uma coração
Um maior. Jorge Jaime não era melhor nem pior
lidade no quadro de práticas e idéias públicas já Brasil e a Folha de São Paulo (onde Paulo Fran- Nos Estados Unidos, os eleitores da Califórnia que qualquer outro candidato da Arena, mas
superou a fa%L do trogloclitismo - estavam eis contou que se manifestaram contra a pro- derrubaram a execrâl'em emenda Briggs, que cometeu um erro básico, ao se candidatar por este
preocupados com problemas mais concretos: ten- posição Hoflvwood em peso, sindicatos operários, pretendia oficializar o preconceito e a discri- partido, identificando,-se, dessa forma, com a
do barrado a proposta cretina por S9 a 41%, jornais, o governador Edmund Hrown e até minação contra os homossexuais nas escalar. No censura, e com (55 evidentes sinais de repressão
mostraram inquietação diante da criminalidade Ronald Reagan) cobriram bem, mas O Estado de Brasil, nas eleiies de IS de novembro, este as- aos homossexuais, que I'êm sendo detectados ul-
aprovando por 71 a 29% a ampliação dos tipos de São Paulo não deu mais que quatro linhas. sunto foi, pela primeira vez, tema de alguns can- timam ente. Dessa forma, nos eis''i,es de 15 de
crimes passíveis de pena de morte. didatos à deputados, entre o.s quais se sobressaiu novembro, as pessoas que rezam pela cartilha do
O Globo encerrou assim sua nota de quatro
Baiardo de Andrade Lima, candidato a deputado L.4 MPI.-4() lei: aram da melhor forma possível, de
A campanha contra a proposição foi ativa. parágrafos: "Manha Haye (a atriz) tomou o federal pelo MDB de Pernambuco. Baiardo não
microfone e gritou: "Queremos nosso País acordo com as circunstâncias. Mas não como
Anúncios em jornais perguntavam: "Depois dos foi eleito, mas t,hiei'e expressiva "atação, ainda desejariam. (AS)

Denúncia nos EUA: genocídio Cuidado, John Travolta


1/fie' is I' iueuru e itPii'' a, a partir do qual se disse-
L rn,a ,,rganizaço com objetivos de militúncia rei íris. ' ISP, 5,551 .5 C/SSC 1? atual ' nula de' Inc einofohia
e, nu're(u rio terreno da discriminação correra os ,eili\ vem ie'end, e ri m e-feito da,, es,; sobre roda Nào se trata de um novo Travolta, nem de
homossexuais foi criada em Los Angeles em Ii •, 1!huhuh1'5huhi1' ia re'rp,a('i, estai. ' api filho desconhecido de Marlon Brando,
junho deste ano. Chama-se Estamos em Toda F , que' e e docu men to faz um i'hamade, à corno já deve esta: pensando o pessoal do an-
Parti'. t,irs'rrsaeional( 1¼' .lrr Ei'ervwhere, inter- (Içe',,. e'i/niia' ' i. resistência e e) razão. Desde ni cien régime por causa da exuberante carnação
national) e seus membros se reuniram roiçiulmen' .5 ti r5,'iisie'eif 5 de' a CiÇile) Estudo .— explicam - com labial. O rapaz da foto, Dimitri Ribeiro, é
te pura protestar contra uns caso ckjmoros,, de ei eni'e •e'.' i,chncle' de f errnuçâei de s'xére'i,e,s nus'i,nais. rebento nosso, PNP(Produto Nacional Puro),
repre.sssao policial ocorrido em Sid,iey. Austrália. ' ,,,ó .5. eles, es troteados comoe uma abeimenaçào ' canioquinha da gema e está em plena casa dos
No documento que estão enviando a várias partes 11l1 nrle'ei' egiin. i,pfil/rcJ pe(lo'.w 55(55 formulações 20 anos. Querem saber mais sobre ele? A
dei rnusedo (uma declaração de propos:tos. acesa- eróii eis e te'eerie'eu.s de i'rv'ja. Estudeis, instituições princípio achamos que devíamos mantê-lo in-
panhuda de aplicação ao problema homossexual 1' fassi ilirere's, vei,5 e'nidicionar ainda cógnito. depois decidimos que isso seria uma
da Convenção do Genocídio aprovada pela mais gravemente, nos últimos tempos. o que maldade com vocês. Dimitri é quem assina o
Otilf), eles mencionam ainda uma lei, em vias de e/scu,n,inn de' ''s,,di$striu de saúde mental''. que estudo fotográfico da página ao lado sobre as
ser aprovada na Califórnia 1 (eira lei não foi m) co u. sem n'cite tnfl,'('m paris uneí.r. ei CesFtC'e?it' e de lónias do verão carioca e das praias do Rio
aprovada; ilda matéria eréata página)
i'eda,rd,e emprego no sistema escolar a qualquer
ul'eiul e pe 'l.) sie l,ie'tti,'ei. E ist e vil, a cobertura de
,(,,uiJ — ciência ' ' (n14 iii' i poise' e tem de científica a
(tara alguns dos membros do conselho deste
já vetusto mensário, o autor tinha de estar
.4
pessoa que se declare publicamente sobre a ques- di' ei As a ei taçü.e .4 ,neru'anu de Psiquiatria posando para as Fatos e não atrás da objetiva)
tão. em lermos favorá i'eis à homossexualidade. du','jclir por n',etefçõ' majoritária (e ,,õ,,. por exem- e um artista plástico dos mais premiados do
A escolha do nome da organização dispensa plo. ,ue'ei:e,,ete' unso e'xp e.siçà, e di' me,tiL'os e'ien País. Atualmente ele participa da 1 Bienal
explieaçeiies. e merece crédito também a opção 5 iú'iarpi (' 5,1 1' d,,cunnen,adu). excluir a hom,ssse- Latino-Americana de São Paulo e do Salão
que fizeram por uma "posição generalesta". como iteiiiliitii' eh' sua ,neeme'e'lateera de doenças meti- Nacional ele Artes Plásticas do Rio. Para a
oposta a uma atitude diretamente "política", já /15/5. Bienal criou um ambiente mágico-religioso
que explicam, na conclusào de sua decla- Q 151011,) à (Lee'.stàeJ do genocídio. o artigo que chamou de "Águas de Oxalá — , e no Salão
ração de propósitos: ''Decidimos ser ecuménicos. se'i'niercI , tIo Ri's, ilreçõee 96 da.ç Nações U,,idas. de carioca tem três caixas que pertencem à seria
(,., ) Nã,, advogamos nenhuma ordem político- li de de':e'mhr, e de 1946. temo seus ci,eee Lte'n.s "Patrimônio Ritual". Se vocês quiserem ficar
econômica ou social em particular. Na verdade, e', ,,e:i',,vsed is um o uns mi que se refere aos hom, es- mais enfronhados na arte dele e conferir o que
e' ensIne ames que muitos desses conceitos éticos ou se'.seseji. Di: a re'solu,'õo (entre pareertê.ses. Oe).Ç.Ç, e estamos dizendo, façam visitas aos referidos
ordens políticas pouco espaço deixam para nossas n'som,, e/is e',ime',etúrro.s feitos pela ,,rãanizaçõi eventos. Agora, se é o visual da criatura o que
vidas ou nossas liberdade.. ( ... ) Se existisse uma de lo A,,ge'le"c). mais lhes interessa, aqui vão duas dicas:
erds'm mundial que não permitisse que as pessoas ".,Tcn pre'ee'esle Cieuu'eençãee. gvnes'ídiec significa Dimitni vai participar do júri do concurso
passassem fome, s'e'Stisse'm'se mal ou morassem qualquer deis ses,'ne i,nte's aveis comeiido.s com a es,- Dancil Gajos, na 266 West, e todos os sábados
mui, ou no isolasse algumas pessoas por causa e ele' destruir, no ieid, e ou em parte, um ele pode ser visto dançando com sua mina na
de suas creerças pessoais e ou vidas privadas, nós grupo, niu'i, mal, érico. racial eu religioso, das New York City Discoteque,
de'fe ncleríamos uma tal ordem vos nossos do' i('rI (O/e'S :0 eoee'iro e:
cle,nt'nt,vs de fundação. Nã,, pudemos encontrar ( e) Mimos- me',,nhr,i.0 dei grupe e (extermínio sis'
semelhante sistema, e portanto escolhemos um ,emi'etie',, d(' mcm essexuuis ou grupos heeme,sse-
1sesiçào geefrralLsla suo/e ,e;rs,s'is d os séculos, lembra Estamos em
T--ela l'rirti'. ioo'r,use'ieeenal),'
Por ordem mundial. como acontece em tantos
articulistas anglo-saxões, eles parecem designar
basicamente os dois sistemas políticos principais
h) Causar série o de,,,, es corporais 'eu mentais a
mi',urhrees dto grnspis (loh,et,ernia, terapias de acer'
Fortaleza: um gay-guide
que conhecemos e que ambos, com efeito, sõs. rr,eIasnu'nt ' e de e'heeque e eerc'arr'eramesulo de
abominam a homossexualidade. Mas a decla- h,,,nnoseexnuui.ç em prisões, instituições mentais.
'e,nre, r.s de e', e,ns'e,i tru'iiee eu de reeducação); (Fortaleza, uma cidade entendida? Ê o que s's,le'ir:i de se perguntar: ''Onde fostes ontem?" A
ração de princípios da Estamos em Toda Parte, rr'speesI a : — Ali. n:eveete,ei. . .''
ln:en,ational. fazendo questão de frisar que está e') Deliberam vento infligir ais grupe e condições garante o leitor Modesto de SOUY.a, que direta-
ele e'idse ele'.s-te'e,endas a priel'recar sua destruição mente, da capital cearense nop enviou este minus' Bares - O ttit' reunia a fins Flor tio movimen-
querendo abrir o debate para começar a formar
física nec t,ec/ee ou em parte (nos países em que se ciii, g*y-g.ide. Sigam o roteiro de Modeito i '-e 5 iv e l:t (idade. sobret udo do sexo feminino.
um c,,Sise puxo que leve a formas de ação, não se
afirma ,efie'iulme'nie ,iiiic existirem he,me,essexuais, quando forem ao Ceará. Ele stí por dentro) fechou,. Era ei Dix'e'e Bárbaros, onde aconteceu,
preocupa em ser anti iste, ou aquilo.
eles firam eliminados, encarcerados e afastados iiis'tii'ets e o i':esanlcnto de dua s, moças. Atualmente
Hixte,riaedo inicialmente as barbaridades que
ele: 'i(la em e,emzmm ou vivem em eondiçe3es itt' Já somos cima cidade metropolitana, quase a nuree,';ed:e csiii distrihtiids. Mas há muitos e bons.
h,,mevçsexuais vêm sofrendo através dos tempos,
eles possam em resista períodos e circunstâncias t,eleríin'e'is que os, tornam totalmente marginais): 1 .5 milhão de habitantes, mas muitos visitantes No liieer:iI. cls são encontrados na Avenida Leste-
cheeam e não vêem nada. Para os que venham a (')e'ete, Muitos Ir:is'cslis. dando cima de donzela.
/,is,óriea.0 mais ou menos conhecidos: a In- d) Impor medidas destinadas a impedir nas'
cimente es dentrec do gntpie (esterilização ou cas' Fortale,a e queiram curtir o melhor aqui vai o mas a barra lá é pesada. O Beco e o Reboco são
quisição (quando pelo menos 450 mil pessoas
traçõee e/e' homossexuais em certas sociedades); roteiro: dcciv lares mais tranqüilos daquela parte da
foram eliminadas para terem suas almas salvas),
cidade. No centro, dois quarteirões de bares, na
ri caça prwe.uunte às bruxas de Saiem, no Mas- e) Transferir compulsoriamente crianças do Cinemas — O melhor é o Jangada. E um Avenida Dsiqcec de Casias, entre Barão do Rio
sachusetis, a Alemanha nazista (destacando que grrep,c pura eesstree grupo (casos em que, desce,- cinema humilde, cheio de botes querendo faturar Branco e General Sampaio sãos pedida, pois são,
homossexuais eram considerados "deficientes hrindo'sv que ' e pai ou mãe de uma criança é al g uma as'enlurn. O outro. de melhor qualidade. entre outras coisas, baratíssimos. E ainda o
menfai.s"enf "julgameutess"qite muitas vezes não fie ,m,c,ssexual. vra,nsfer,'-se e filho ais cuidados de é o Cinte flie'cgo. Para este recomendo as últimas
heterossexuais que frequentemente nenhuma Carinhoso. no último andar do Edifício da Ad,
durmam mais que dois minutes.' que o número sc".sões. e que o entendido fique na parte superior bens próximo aos hotéis. No Carinhoso. onde as
destas vítimas, ,'ariand,, segundo as estimativas re'/açõ' e têm coma Criança). do cinema. Quanto mais alto, melhora pegação. sintiesas não entram, você sempre encontra
de 250 mil a dois milhões, deve ser conhecido com F,'.starnee,v em Teida Parte, Internacional es-
pero ,epor a educação à ignorância. a dignidade à aquelas, tias tranquilas, a bebericar com rapazes.
mais previsão; e que as quatro potências ocu pan' Saunas — As 'escunas são pouco freqüentadas
Mas teidn discretamente. Macia de travesti, nem
les erigir-em ,ehe'li.çc',,s às ultimas dos campos de a ação direta à injustiça. Para isto, cm Fortaleza e bastante tolerantes. A que fica na
de pintosas de outras marcas. No bairro de
e.em'e',,lru('ao. exceda no caso dos homosxexwais). prene'rera a c5 emuerieaçüo e a debate com ,,S"Jnteres- Avenida Presidente Kenned y . entre o Clube
suei, es em ,,,das as partes dei mundo. Que che,e'am ir:e ' x':i. e ániiss bares, voeis muito pobres. pouco
E c',m.stnlam. não sem uma certa inclinação ais NAtico eec 1-lotei Beira'Mar, tem sem massagista
rcs'orneiirl:edos para visitantes.
upeee'olipti.vene americano, a ''ressurgência da deu á sce'ia.s ro dos i','z que o poder e emeter atos de (o íi ri ico). que é uma Iosicu ra
Pontos de encontro — Além dos hotéis, todos
.,pre'ssc.e, rpre'.v.sãei e exple,raçiiu de homosse- re'prr'seõv que incorrem pias formas de punição
prevista nec documento da ONU. de que o Brasil Bastes — Discretas bonecas povoam as dis- telvr:enles, há vários pontos ele encontro sobre-
ruins. e,p'.s 2.5 anos de educação através deis
tudo. na Rua 24(ai que maravilha de número), de
i pr' ,ii,ne'flt, es de liberação hont'efilo e homosse- t,e'eehrm i sig,rarári' c. O enderece de Estamos em cectcs':is ria cidade, sobretudo, a Dora's. na Praia
do Futuro. Mas a hoste gseei mesmo é a Navy. Mies. Venha conhecer Fortaleza. (Modesto de
s'uuel. e 10 ufros d4' liberação . lésbica- gav. Como os Toda Parte'. ter ,e'rnw'co,ral.: Pn.st Office Be,r 173,
ch:,mscl;e por uns de Naveguei. Há até a brin- Souza)
1 ocul' es (luis/eis são frequentemente o lugar em les Aeege'le's CA 90028, USA.
LAMPIÃO da Esquina
Página 4

** Centro de Documentação
APPAD Le t'
da parada ela diversidade
Prof. Dr. Luiz Mott GRU PODIGN IDADE
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REPORTAGEM

Quem rest*stio ra*r a este ver


t__._._! -I -
ão 69
Todos os anos a revista Manchete
anuncia o verão com páginas e páginas
de fatos coloridas tiradas nas praias do
Rio. Estas fotos, por um motivo nunca
revelado, excluem, no entanto, o
/
elemento masculino da paisagem
carioca; é como se o Rio fosse uma
cidade povoada apenas por belas,
geniais mulheres. E para reparar esta
falha do pessoal de Manchete que

'.
LAMPIÃO encomendou ao seu mais
novo fotógrafo, Dimitri Ribeiro, um es 0a0.
tudo fotográfico que reintegrasse à(
paisagem do verão este elemento, sem
dúvida tão essencial quanto as mi.
lheres fotografadas por Manchete.
corpo masculino.
É evidente que, como acontece nas
reportagens feitas pela revista que aqu
citamos, nossos modelos não sabiam
que estavam sendo fotografados, e por
isso se deixaram apanhar na maior das
descontrações. Onde estavam quando
foram feitas as fotos? Em Copacabana,
exatamente como prefere Manchete
Aliás, aproveitamos para sugerir aos
editores da revista: porque não seguir
este caminho, mudando um pouco a
rotina e publicando fotos como estas,
só que coloridas ? Fica o recado.

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da parada da c1iveridad
Prof. Dr. Luiz Mott GRU PODIGN IDADE

LREPORTAGW

Na Argentina é assim: paulada nas bonecas!


Um documento do exílio
I-.ti, I1Ca(I()S de 1969 um grupo de homos-
sexuais de Buenos Aires se reuniu com u intenção
de firiiiir um movimento eni defesa dos seus
(lriiLss. Vários deles linham experiência no cam-
0 s indical e político , (e tinham sido marginali- A repressão aos
,adosilcniro destes por sua condição de hemos- homossexuais em três
sexuais) A consiante represo policial. que se
miicdali,a em periódicas hdd*i em cumpri- países da América
mento aos éditos que condenam toda pessoa Latina - Argentina,
hornosexual - ou que u pareça - com a pena de
21 a dias de cãrccrc é um dos motivos que Chile e México - é
mohiIi,zirtii este grupo: a Seção de Moralidade denunciada numa
cia Policia Federal delém semanalmente, em ruas,
bares e saunas, dezenas de homossexuais, ba-
série de artigos que
seiindíi-sc unkameiiie em seu critério: todo LAMPIÃO publica
homossexual é um escândalo púhlko, ou um pos-
sí v el corruptor. Policiais das delegacias distritais
neste número. Da
- dos hiirros - L-ohthoram também nesta tarefa sofrida e contraditória
morahnirti,ra". Outro fator que nos reuniu foi a realidade de nuestro
marginiao e o (Iespre/o social. foi a condição
Litie pesava solire a homossexualidade em nossa continente, esta é uma
citl tira e sua tist 1 t ti içi'ws. das faces que - sob o
() niovi,nnit ntiseeii e se desenvolveu em
cúmplice silêncio da
S.VaA
Htieno', Aires, uma cidade que engloba mais de
3t)i' tia população cio país. O centralismo na Ar- maioria - perma-
gentina é uni dos seus grandes problemas Muitos
homossexuais provincianos se refugiam na ca-
necem nas sombras.
pital. onde podem alcançar certo anonimato. im-
possível de obter em seus lugares de origem Por
isso não foi casual que neste primeiro grupo
liomossesual argentino participassem muitos FLH se solidarizou publicamente com as vi- castigam não por delito, mas data por con- tranqüilitttimu. 1-
Itro v ilieitt nos, bem como uruguaios. A clefla- limas, e o coronel Osinde. um dos seus respon- trascuição (foro administrativo, não penal), as e li'.'cii;is de Itictires de
gração do movimento se deveu a gente que social- sáveis, nos ameaçou num carta?, que foi pregado práticas homossexuais englobadas dentro do es- Ii' se i'ouucuct u,,i o ilv'st'jo hontiussu'xiiit , e i,iicle a
nientC podia ser classificada de classe média, nas cidades mais importantes do pais. A agras- cândalo público, e equiparadas à prostituição uiitiitiIt- se expressa. O desejo hiinios-
classe média haia, e dele não participas-ti ne- são mais forte foi -a que veio do "El Cauclillo", feminina. O que acontece é que se uma casa si- inluuiIu'st;i i'nu rins. ôuiiluis, nu Metrô.
nhuma personalidade conhecida por seu trabalho jornal da gente de Lopez Rega e das A.A.A. particular, por exemplo, se realiza uma festa 'III tutitu 'es 11C t ri t 1 tio i' 11,K tu uléiu ,s_ 1115 lotas ou
literário, tiriisik'o. ou por qualquer outra ati- (associação terrorista de ultradireita). Em vim da qual participam homossexuais, e embora nos cinemas, em universidades e quartéis, numa
vidade. A maioria dos sv'iis membros eram em- artigo, ele conci-amou a população para que todos selam adultos, se um vizinho denuncia is- iiutiiuutiulc' ulc luiujri's. e , u .rlii-irvtuui tiiulit:Is l-'-
pregados. C5ttutaitites. Em uma segunda etapa. reprimisse com severidade os homessexuais de to à policia, está provavelmente detém seus par- '.''tus. 1' !tii' Si, (( t il - 1 is Fii'littulzis conto exs'liisl-
em 1 97 1 . quando o primeiro grupo, Nuestro ambos os sexos. Aconselhava, entre outras ticipantes e os acusa de eseãndalo público. Por tuuiiu'iliu' liu ' Itii ' s5' 'itiij5. isio i.' ii essencial. Frui
Mundo, se uniu com outros dois, e todos juntos coisas, amarrá-los às árvores nas cidades e cas- outrx lado, a maioria dos, juizes está sob a iii- Biuu'u,'s .\ui, tii uuiiuitus li''IiiuiS',i\iIIls C
rornuaram a Frente de libertação Homossexual, tigá-los. Naquela ocasião Pasolini tinha siik as flrjaeia da homofobia. Na cidade de Córdoba,
foi quando se incorporaram escritores, advo- sassinado, e "EL Claudillo" festejou com auegria no ano de 1972. um rapaz matou seu amante, monogânuiea-nuicltista se assusta. E se assusta
gados. médicos. psicaiiiistas. jornalistas, so- a sua morte. outro rapaz da mesma idade, e declarou ante o porque se vé obrigada a reprimir sua própria
cii'ilogus. etc... Foi também quando se incor- A perseguição a nível policial aos homcs- juiz que havia matado para terminar assim a homossexualidade.
pur;ir-ni im'cmis que viviam no ambiente hlpple, à- sexuais na- Argentina começou na década de relação homossexual, que considerava indigna.
nu anti-nu de omita ocupação re g 3m lar. trinta, quando se iniciou ruo pais um fenômeno Uma revista publicou a história sob o seguinte ()uu.iuutu, is v cr' t x' v-uiu til iii ."srgeiimiiiti. seria aI'
A FLH, em seu melhor momento, em de fascistização, estimulado pelo exército e pela titulo: — Matou 1_'' ' ti rri si-tido faler tiruig uiu'rs i 1i,-s. O que 1,ircie 11015
Matou para ser homem". O assassino
P)72 19 7 3. chegou tu contar com uns cem ativis oligarquia criadora de gado. Foi quando pas esteve na prisão só uns meses. i qiiv' ti ('itititu miiai', u iiuleiit.'m da luta riruntutiu

tas e com %,írirí s centenas de simpatitintes. A castigam a homessexual idade. Embora, pos- i'ull ri- is miliitiru's i' ti guerrilha j á P tuss u aii . com o
teriormente, na Argentina houvesse alguns O colégio de advogados não se manifestou a
pessoa midi-rit ao mitovimento com entusiasmo, ilui " tvm'ulu'irs, 1: .-jiui- o ttuui'rnn cli- Vitl-lti
períodos constitucionais e funcionários progres- favor dos direitos dos homossexuais. No período
porém sem ter uma idéia clara do que desejava 1 • ' iii',uliultiili ' nu, luu1v'r. Si.' 5' ohnigtiutui tu liuusctui'
sistas, a repressão anti-homessexual se manteve de 1972.- 1973, quando tomou corpo uni vasto
dele. ou do que poderia fazer nele, e o movimen- ii flui s.•i j um tr,ulí É ii-; , iii st il i iu'iu tutu 1. Necessi ta clu,
sem maiores variantes. Quando no governo Ou- processo de democratizaçào, a FLH conseguiu
to por sua parte. não estava em condições de cu'uis,'uisi' ilu 11ult1liliiç'ut. (lii tuui flicilu,', uli- iumiitt rtur'
gania a repressão se acentuou, ou crua 1954, que advogados progressistas de algunsas or- ii' ilu'ltu uli- iiu ' mueirti i' s t' liciiu E este processo, que
orientar os novos membros. Os homossexuais ar- gàniabções de esquerda acedessem em defen-
cemirtus enfrentavam, e enfrentam, gravts- quando do conflito entre a lgr.&a e Perón. um'. uiiÉi uniu ilireç-àu' à -abertura. lOidi' Ftus-orecer,
E recemltemenie, por motivo do Mundial de der os homossexuais detidos. Porém não se ti l ii i.ir, .1 ',it iii5'tu' dos liuinuossi-suiii'.. Si' cli- 19 7 4 a
prulik-inas concretos, porém quase toda a ali- atreseram - ou não o desejavam - a dizer isso
futebol. O governo de Videla decidiu que a M — , iu'Ti'i,i iiuipi'nirli , tic'u'rti (l he impera é ti au-
sirl:ide da Fi .H se orientava em direção aos publicamente.
ti

pena de 21 a 28 dias fosse aumentada para bJ 'sssitui ir (''Pi'('"'tim1i as eturtis (liii' ri-ei--
problemas ideológicos de fundo e aos políticos em
dias. O homossexual detido, que é humilhado e tr'iuuui ', Is lioiiios'.u'xiutuis (lute \'lSQtil diii Buiemrv's
geral. Pensamos a g ora Ziue este foi uru erro que Os ci sui t.i n li-mis de LAMPIÃO nos pergui n-
muitas vezes surrado, geralmente perde o cmii- Aires. Constantemente temem ser detidos pela
limitou e isolou o movimento. .uiui tiraIs são is causas que du.'ti'rniititiuit que a
prego, o ano letivo, e tem graves problemas com polícia nas ruas. seja ule dia ou de noite. A
1k Indo nuodo a li 1-1 ubtcvc alguns êxitos em ri'twu-ss fiuu amuui liuuiuiuusscsuuil mui ' Brasil e na Argen'
sua família. O delicio fica fichado. Abre-se crus liii leni ii,'.iilui nuu,u'ui. a tI-tenção,
sua açito. Pôde coflseiemut i,ar a não poucos ho- iluiti se nua niíi'steuuu uti' uii;iuleir:i dili-rente, Esta 1 ii siL'ilit ti ii

seu nome um prontuário denominado 29-1, e exílio pari umiuiilns hu ' miuursi'xuitiis argentinos_
mossexuais sobre tu legitimidade de suas tendèn- viril liii c\iv'e lona análiw liisiórii';u conifilexa.
cada vez que é detido por qualquer motivo este l"si ti uvIii-niu't uiditu nos 'bri g a a v tilori,ar à de'
das sv'\tIals e sobre como assututir seus desejos Rui-tu (-uutuui'(-;uu'. ti u ' riv'cnt likt(unis'ti tia Argentina se
antecedente aparece. O homossexual se converte mili ' u'rtuv'itl . Na nsi'uiidti de nossas possilril ichu les
hiutuosse tia is, Em muitos meios de difusão, em ni-ltit'i, ' nti com ti Espinha imperial dos Reis
em um cidadão de "segunda categoria". Não ir,itstilli;iniuis por iimuua tilierturti. xtulicnilo quc ii
o mas setelul a oltort umdit Lies em sim lustro 011 Cii "1 i-' is e d ' nu o S arit o Ofício. Os índios Fui imos-
poucas vezes uni professor, ou professora, por luriiuuuv',u iiãi' sA está mii ulircmtti. omiti, também nu
mais, ti F1,H apareceu publicamenle. e isto su'sui:uis ilui liui iii Prima. na época da ui*lônia,
ajudou suspeita de homossexualidade foi despedido do i' s ut iii- i . Os mem b ros da El .1-1 s a
b emos por ex-
ou ti parte cia população e a muitos homnos- i'rtu Iii ci ' n ulu'n tuitos ti ser comidos vivos lieluis da-
eu trabalho. Um jovem chamado a cumprir periência pi'óPni;u quli' ianio ti direita como a es-
scsLi:uis a encarar o problema dos preiuí,os e os e i,urros. l)i'pi ' i',
da pnimneirtu guerra mundial a
com o serviço militar obrigatório, pode ser u,iiu'ritti areciliinas i,'stãi-i l'fliluit i tiiliS de ho-
1 tubos sexuais. Tti m bém. a F LH pôde influir com li,ituui'ssse'iii;i luiltide moi Argentumiti se expandiu,
qualificado pelos médicos militares como ho- ummulu ' l'i, E que tuuula uliliduira - selu cm norrue da
suas pi FuI icações e sua política sobre persona- i-n'sccii: ti inor:il tradicional - por surte! - en-
lidades politicas, religiosas, científicas, sociais, mossexual e é excluído do serviço, porém em t ri uti ciii crise. 1 i omo. quando cia crise niti n utial e ' us-iitu-uI;ul e cristã iui" ou ilti ''classe

artísticas. Este trabalho foi importante na tare- seu documento se dirá o motivo. Se o jovem 19'11). se es alt ti iii o espaço e as possibilidades de operária", atenta contra nossos direitos e contra
fa de conter a homolobia. recruta, homossexual, é incorporado às fileiras u'u'tt i ' pri i ii- ' ". econônilco-sociais, e então na nossas vidas, e contra a liberdade da população
e, já soldado, é "detectado" como homossexual, i,-lzussc uliuuiiiui;tuiti' si' iuuipl'ri- e setor mais auitori- em geral,
Quando a FIJI começou a funcionar. recebeu
as boas-vindas de alguns meios de difusão ("Siete será castigado de acordo com o código militar. O'. luu'uiiu'.au'xii.uis ,i:i El li argeiffina exilados
tánin. uii;ti'. reacionário e puritamio. que se carac-
Dias". 'La Opinión", "As", etc.) e de algumas, Quando foi derrubado pelos militares o - ti-ri,, ' u por sul fidelidade à tradição e tios ' 'ho is ou Fsptimuti:u i'stãii uni tu uiimitu'ntes i'omn a cxístén-

personalidades (Marie Langer, presidente dos governo de Isabel Martines de Perón. começou ci su ii muv's' ' - l i sou tio ' ' niora 1 isrulo' ' para uIsei- cii iii- 1 -' M -'1 Ã0 Sua tilxiriç-iu, luis cEm tilerutui, co
uni período de maior violência política. Em ftuiiu itt' 1 , mier c'lic'i.rtir tu rnilli.iri's ile brasileiros
psiquiatras, algum deputado ou dirigente po- pl iii:' r e suibuiriti ii Ir a população ao xcii esquema
lítico. porém isso de maneira privada). A Igreja março de 1976 enfrentaram-se com violência ili- poder. ii ruI ,"'. 1' sutis pt'io'intisé unia di, lulti que difícil.
Católica nuinetu se manifestou a respeito embora militares e guerrilheiros. O governo militar. li iilu'nv'ni,us stilul.it' Stuiiut;uuii ' s eomii tutl-
''ti,mihicuitc'' homossexual de Buenos Aires
ciii várias oportunidades o solicitássemos: vários para se consolidar, lançou à ofensiva todo o liii rto-ãur e respeito vosso 1 r:m Fui 1 hui eni favor cia
;iluunitis dacidrts é uma '''omiti" que inclui
sacerdotes nos ajudaram e se preocuparam com aparelho repressivo do Estado, Neste momento. tu puipulação e ulur ''gosto p.'la vida" dos
ritilli:iru-s de , PesSOtts 85 muitos divi-rsas. Esiulen-
os presos hutuossevuais cio cárcere de Vilia a FLI-1 decidiu aritodisolver-se. até que existam li,'muiu lssi'x uu;uis, Desejtinio' que vosso trabalho
ii- mii' n ti- este Ftu tu' tem que preocupar a sociedade
Devoto. O g rupo cristão da FLI-I elaborou um condições propícias para o seu funcionamento. uu'tutizi u-iuuttimiuiidtiulc e ulmue se ule'setivuils'ru. Temiios a
dos ''uxiiruiituis' - Há ruias, bares, saunas, que se
documento dirigido aos católicos que foi dia- Não convinha arriscar inutilmente seus ativistas espv'rumis'ti. e não (lius'rv'rmuu us renuiti '.'itir a ela, que
u-irtii'uv'r,,tuuii por serL'ni de ''ambiente". Porém só
trihuiilo entre algiÃs sacerdotes. A esquerda ar- e amigos, e o que se podia fazer era muito dm11 tiluiuims tumnus. nu Argeimtina. puiulerc,iios repetir
emmi rileiiuis uiiu ' iiieuitos. iiitiilui Poco. liumus'e lo-
gentina, em seu conjunto muito anti-homossexu. pouco. a, is'., u-\tre'riéimu'iti - t'uitii iuumitindo o etuntinhiu aber-
v':ires liara ututis'tIr. Fm 19 7 4 existuini vánjius. mas
ai tios ignorou, só um pequeno partido marxista tu' talas publicações - 'ii urtiiurssex tu ali''.' - e
A legislação argentina não outorga qua- fi'clu ti ri mcl ou fora tu fechados. O ''ti m hiente' ' . de
concordou em manter relações conosco. Com nus'" q ti- p lita nikis nos melhores momentos,
(idade de punível à homossexualidade. Ela só u t iitllu t iiu ' r niauieirrl, sobrevive, apelamiulo para a
LlIIt'fli tivemos ótimas relações foi com o Feminis-
aparece na lei nos casos dos chamados delitos ilisu-rii-ão. para ti clandestinidade. Os "mioruiiais''.
111(1. tRkitrdu e Hét'tnr, da Frente de Liberação
contra a honra, como violação e estupro, mas u,hniut:iulus ti viver ir sexo suileito ao esqulemiiti de
Quanto à direita, tivemos com ela vários iJuu,nosscvtiol Argentina no exílio. Tradução:
então lhe é autorgado o mesmo tratamento que ilois ptipi , masculino e feminino. ativo e Pus-
problemas. Quando da matança de E.eiza, a ..tguiiialiIu Siba)
às práticas heterossexuais. Os éditos policiais si u o. macho 01 1 ressor, mulher submetida, se imi-
Página LAMPIÃO da Esquina

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i e
da partida da diversidade
Prof. Dr. Luiz Mott CRU PODIGN IDADE
REPORTAGEM]
"Não somos turistas, somos fugitivos"
ocs sabem como e: quando o serão esplode no pretu'nsoeç entre todos os argentinos que aqui tlesuuiaru't-em até a noite seguinte. São esses es-
Rio, a cidade parece que fica possuida por uma
chegam. Vi Hugo tinia noite, rapidamente (logo tratagenias que enfurecem os brasileiros e que
esuitacaci e uma urgência de viver que se notam depois Foi praticamente raptado num táxi por lhes deram a má fama de que goiam atualmente.
iii tara das pessoas que andam pela rua. Nunca um serihiir respeitabilissinio). Ele acabasa de
si isso em outro lugar. O carioca, que é um chegar de São Paulo e Ira/ia uma carta de re- Mas que laier? Esses josens pertencem a unia
brasileiro 'sui generis" no seu comportamento comeiuda t-ào pira o tal senhor. Mas no dia se- tuis a siil,cultura. Nãii são mais cia tola geração
hedonista do ano inteiro, aumenta sua vahagrni gluinle, domingo. ele poderia encontrar meu hippie, não pregam o amor unisersal e não se in-
entre tios cnsiiro e Ít'reiro e transmite tudo isso Inilgo á noite, depois de ir ao Mararanà à tarde teru'ssam por qualquer tipo de misticismo.
uns Ícirastc'iros. Para tu pesquisar os argentinos piara assistir ii seu Flamengo jogar. Dentro dc Querem e se cliivrtir. A maioria uleles é cIa baixa
não foi preciso andar muito. Encontrei-os jus- unia semana, disse-ene ele, embarcaria para Sai- classe métlji cm operário', desempregados, de
Lm lei creirti deste ano. um jornal de ampla tamente, num lugar que costumo freqüentar nes- 5 141141­ [(h. 1.. o esperas a m. Numa mais Ni Hugo. mãos ialcjaclas e olho rtut ilo ccii a iwrspcet is a tIo
iri'lIlaçw pediu . me tinia reportagem sobre a in. sa época de comichão estival, a Galeria Alaska. luas 'ti it' . nor onde passa. (luisa saudades. O serdadi'irn pra/er. I.'ni deles me explicou o
isito do Brasil por argentinos nus meses de Mas era desse tipo de turista que meu jornal seu (rIu tilti parece ser esse, não se prender a nin- quadro geral da segiu iutt e macieira: ''Nós muàu
% vriu. Fui nt rpouu em qUe Buenos Aires esi as a queria que eu falasse? Os argentinos do verão da g uini. Dvse huscr muita gente por esse Brasil a somos turistas, mas tugitisius. Há aqui unia lilwr.
ia moda e no havia brasileiro que se prezasse e Galeria Alaska não são propriamente o protótipo In ia lSfltIiti(lt) ansiosamente por sua solta. ilade (lime não existe cm nosso país. liberdade de
oifl algo os ro/ei ros nu bolso que lial) (lesse SCO com que sonha a indústria turística de qualquer nios inieui tiis. de dormir na praia. liberdade se-
Oro por pIq.!as porlenhas para comprar muamba pais. Fui por isso que enfeitei um pouco a his- Mas Ilugo não é, de fato, o arquétipo do
sutil. A Argentina é repressora e puritana, o
e voencr barato. Não dii rito muito esse cicio, mas (ária, para torná-la mais digerível. E só hoje, uni argentino (lute passa o serão no Rio. Eles
mediu da prisão rotula as i'squinas.
clik inilhates iii p11 riu itt5 se aproseilaram, apesar quando se inicia mais uni serão carioca e os .uo são. cm geral. muitos alegres ou coniuni-
de '4111 rum ela carne a hostilidade dos hóspedes, argentinos começam a aparecer de novo, é que es- ulisos: não têni o aspecto siudásel de uni surfis-
a do Arpiiador, por exemplo, e se portam quase (uno tiáti si rendei a tais argumentos? Há
restilt acli, di humilhação pela moeda iii iii a(la e a crevo tudo sobre uma experiência que me co-
turno ii rgência ruelc's
de pros ar cli tudo que tu ci-
dciuli,iciui geral do país. Muitos brasileiros, in- moveu e fascinou. suitire de maneira agressisa e inquieta, sem ab-
Os freqiieuitadorcs argentinos da Galeria são ir.- naturalmente, dos Ii o de afirmação e dade ot ri-el' que é quase coo st rangedora, (-orno
clusisu amigos nicos, du'rani sesanies em Buenos se tivessem vivido a lerros por muito tempo, ou
isi,;i,,jantlo como árabes e comportando-se todos mutilo jost-ns: nenhum deles têm mais de 2 machisnio, bem portenhos. E esse conjtznlci de
anos. O longo caminho que percorrem, de Buenos fatores r I uti' gera certa perplexidade e temor nos sido iiiiidu-nailos a partir um [)r&-%c para c des-
1111110 gringos t'iii terra coloiii ,ada. Um desses
Aires ao Rio, i' quase sempre Feito na base da que poderiam "ajuda. los". Alem disso, são de merriu. São esses traços que, a meti ser, os tornam
antigos uniu ou . me muito orgulhoso que jantava
carona, com paradas cm Porto Alegre e São tinia solreguitiãc, e de uma pressa para gu/ar tudo (lesa rniuuii is. E i-lt-s sobem disso, como também
titia noite num restaurante diferente, mas sem-
Paulo. Muitas se/es eles são ficando, também, ii que o Rio, o serão, o sol e a praia pode lhes dar, já descobriram que o hrasilcirui é geralmente
tire os de cinto estrelas. escolhendo o prato mais itolhctlor.
raro ciii cardápio. lilesmo sem saber de que cnn- por outros Imutos, mas a meta é sempre o Rio. O ulite um garoto brasileiro ao lado deles parece
SisI ia. N uma dessas Imites regadas a s inho, ele polito de reli'rrncia é a Galeria, onde em certas uma mocinha do Sacré Cocur. Se não arranjam
rinites frenéticas se ouse mais castelhano do que Coou o iuiíc'uo cia temporada de calor eles sirão
pediu e qual num Foi sua surpresa tini teto litura passar a noite, não (eraminiportân-
jacrttigués, ou euiiào cima mistura de gírias por- la. A praia é grande e ampla e se a polícia os se misturar outra 5C7 com os gaúchos, catarinen-
quando lhe trouxeram uni sers iço de prata meia ses, paranaenses e pau]Hstas que aqui chagam
titi ,it de leslitaS. Frui o castigo que vinha a galope. Ii-,iha e carioca. Eles sempre andam em pequenos prender eles estimo com os documentos em ordem,
afirmam or g ulhosamente. Acontece que muito pira ober ast'nturis que riem sempre acabam
-pesar disso, essa pessoa não se corrigiu e con- grupos de dois ciui três, rotulando bares e infer.
ninhos. ­ querendo dar pra/e,", como um medis. 1K-til. Ma s podemos
m lhes negar nossa simpatia?
tiujua tão ha,nfia quanto antes, sempre falando freqüeuitenieiite, são presos por estarem dormin.
se . Acontece que o prater que eles querem dar es- tIo na praia, mas na noite seguinte já estão outra Num contexto tão complicado como o atual, é
uni uo,inhn Francesa, tradição, família, pro- tinia alegria saber que existe uma cidade como o
prirdadi e coisas por ai. Não me perguntem como tu cada se, mais difícil de ser aceito, pois há uma se, firme', na Galeria.
Fama que sem afirmando entre a clientela da Rio. t-apa, de ainda, despertar tantas ilusões. E
que eu sou amigo dele. Como sei que ele lê o Essa é a meu ser, uma serdadeira experiência pura os argentinos essas ilusiws (levem ser impor-
ii ', esta é a minha maior e mais doce sin• Galeria de que argentino só quer mesmo comer e de liberdade. Dão-se ao luxo de imporem cnn-
dormir. Uni amigo meu, no entanto, é totalmente lanlcssiiiitus. E não é só o Rio que é para eles o
ganca: estou com t-omiehuuj nos dedos de vontade tiiçeS 1(4% que os tons idam para as suas casas, e, paraiso com que sonham, é o Brasil inteiro.
tu' escreser seu nome. Mas deixa pra lá. Que ele contrário a essa idéia e conta a história de Hugo. desde que ti'ciham sentado na mesa de bar
20 anos, amante de praia e futebol, que passa Muitos deles acham que o Rio é apenas uma
saiba. porém. que todas as s ('FCS cm que me -
quem os convidou e tenham comido rapidamente ctIpa para a aventura maior, na Bahia, "onde
oturigui a nus ir suas habaquices eu fico me di,endo ditas nu três se/es por ano pelo Rio em suas cons- tini sanduiche que tomaram a liberdade de pedir acontece o melhor carnasal do mundo", como um
lesma cicie! tantes siagt'iis neto litoral brasileiro, que é não só sem perguntar se podiam, pouco se lhes dá que o deles afirmou. Que senham, e que consigam nos
Ah. sim, eu estava falando nwsino dos argen- o amante mais exímio que se pa inizw como pagarule tique depois de mão abanando. "Vou ali unos encer de que estamos s iscnc$o no melhor dos
tinos que aportam por aqui nos meses de serão. também o mais honesto e modesto em suas e já solto". di,em. depois di' alimentados, e rnuin(tos. 11 r,incisst Itt ktt:'tirt

afie*o

denúncias da matança
.4 partir d. , outubro de 1972. a suuaçto po
lítuo e e(-oni,flzua ti,, (hile ,,,rnous,-, a meu ter.
- sin,ii,'aj, i, A/uni do ,n,iu.s. eu acuava que àquela
altura ser entendido era urna espécie de garan-
delas. Portanto, t'ê se toma cuidado. ' ' Aos
poui(.,,5, passaram a circular mais e mais histórias
doze altos de trabalho; ,nas eu estala apavorado e
ae'ahc'i jtigamzdii no fogo doi,ç te'ni'iJ da minha
ussusfi-ntuiu'I: ti pais titia totalmente incerto tia. Mas essa .sup,,siçã., começou a (e desfazer desse .tipo. Os militares começavam a queimar coleção. O resto foi salto por tm dos meus
qttU?(tI( at futuro. liaiia alguma ('lusa pairando logo qurfoi transmitida uma portaria pelo rádi,, e toda literatura considerada mar.eisla, que tou'omi- p n,,di'l,,s que era da policia e se ofereceu para
fl.( ar. 1.ntà,i s.,hr('t('ut aquele tenebroso Ii de TV. proibindo cabeludas. barbadas e mulheres tral'tz,n nas livrarias e mias casas. Quei,nara,n até guardar I,,,,a parte dos negativos mio seu armário
.seIt'mbr1, de 1973, Quero rnoraia perto das es de calças cmiprulas. Tais ci,.stu,mle.s "marxistas" litros sobre cubi.s mui, a('JIa,,d(, que se tralasa de di, postci policial.
taçJes de rodo, do gott'rPz,,, das fábricas e das dc ... iam desaparecer do Chile... No dia segui,:zejá propaganda sobre Cuba e Fidel Castro, Uma por- Em novembro, as piscinas reabriram: assin,
universidades aci.rd,,u com o barulho de bombas te podia comprar pão 17(1 PP1CII bairro. Enquanto tarja foi baixada pr,jibindo material pornográfico (' 1 , p vtl, as pratas, era ai onde. tradício,ial,nente.

e metralhadoras. Nesse mesmo dia o Palácio do nãse.spt-rtii'amnso na /':la, um pelotão militar nos mil) puis _ tnçluíam-se ai fotos de' homens ,itis, ,7(ais se paquerava Pio Chile. Desta u'c'z, porém, as
(j,t,t'rpj,, foi h,,m/,arjc-ud,, e queimado. As tropas cercou; tis soldados agarrara,n (iS ho pne,i co- matinal relativo à sexologia. revistas para ho- piscinas f'icava,mi cerradas por policiais de u,,ijor'
rebeldes destruíram a taça do piem Pahlo Ne- I,t'ludo.s e as moças de calças compridas. de tal me,ts, tiilitl) ,iac'i4,,tais quan estrangeiras. Foi as- 17,1' cinza e ,,it'tralhadora, tornando-se impossível
;toda. pn,,d., que multa gente saiu até machucada. si,n que Marx e Hug/: Hefner do Piayboy aca- paquerar OU ,nes'pno encontrar amigos: por causa
F'sthele't'eu-se uni tique de recolher rigo- Solorarani apenas eahel,is cortada e trapos pelo baram juntos na mesma fogueira. do t'.stad,, de guerra interna. subsistia a proibição
roso, tu' mi,di, que P(uP(gUePfl podia deixar suas riià,. Logo que ,',,Itarupp, a circular. i,s jornais de formar grupos. Muitas vezes também. corria-
talas. Os operários. inclusiu'e, deviam perma- Unia semana api.s o go/pe, a ('onszttun,'ão e as puseram-se a acusar os marxistas, homossexuais se o risco de paquerar Pl1('ii11s à paisana: com is-
necer nas fábricas. As rádios passaram a trans- li-is estalam suspensas. o Parlamento tinha sido 1' delrmzquente.s de elementos perniciosos à so- 5,i. podia-se ir direzamente para a cadeia. Em
mitir música americana e a televisão só apresto- fechado e havia ordens-de-prisào contra sena- ciedade. Depois disso começaram as batidas certas circumistõmiria.s, .,i,s li, ,mossexuais podiam
lata programas americanos. As únicos notícias dores e deputados dos partidos ligados ali antigo policiais nos lugares entendidos. Todos os pontos lazer pegaçãi, à vontade, em lugares mais fre-
tksponivezs vinham através da Voz da América e gol't'rmz(,. Nesse mesmo dia, a companhia tele- frequentados pelas bichas forani fechados e seus quentados por turisias: buscava-se. assim. dar a
da Rádio Moscou. Foi a.çs,,n que o pot'o chileno (ânit'a, que tio/ia sido nacionalizada. foi devol- Juuclo,iari Is. pia melhor das hipáteses, acabara,,, i,npressuo de que —u liberdade tinha sido recaiu-
fitou sabendo que o Preside- pite Salvador 4/le',,de vida à 11'T americana. Assim, cem anos de de- tpuc/,, pura liS campos de concentração. No Chile, quistada no Chile —. Mas quando saíam desses
e muitos políticos eminentes tinham ,,u'rido. pmiot'riicia e liberdade era,n enterrados por tempo as /,,c'/,as administravam 60% das casas depros- tiigart5 as infelizes bichas eram i,nediatame,ue
tndezt'rnsi,iado. Telefonei para alguns amigos, tituiçào: ficamos subemido que elas todas foram agarradas por uma patrulha ,nilitar ou pela
As luzas continuaram por vários dias. Podia-
se ,nn',r, o tempo rodo, o barulhode tiros e ex- tenta,u di saber outras notícias: a situaçào parecia mortas. Nesse período, aliás, começaram a polícia Secreta.
plosões. Tré.ç dias após o golpe. caminhões mi- a mesma. por lodos os lados; morte, pânico e aparecer cadáveres boiando nas águas do Ma- Fiaria muitos casas de gente presa que a

litares vieram até uma Jóbrica perto de minha brutalidade. Era dijh'il acreditar que aquilo es- pinho. o rio que atravessa Santiago. Tratava-se família não conseguia localizar. Comit única e
tala acontecendo em pneu pais; sim, o fascismo de gente fuzilada pelo Lércifl). Muitas pessoas derradeira resposta, 4)5 familiares recebiam das
casa. Os opc'rários, que ti,,htun permanecido no autoridades uni pacote coma as roupas da pessoa
s,,hrei'i,'ia e estava 'irrastando o Chile. Quantos pagavam garotos que usas'a,,i amplas varas para
lotal de trabalho em obediência à ordem da Junta desaparecida. Se os parentes protestavam que ti
amigos teria ,mi m,)rrido, quantos teriam sido puxar os cadáveres até às margens: com isso. os
I.-fi/,iar. foram chamados para Jiro e implacavel- pessoa não era marxista nem homossexual, as
agarrados pelas patrulhas? Essa gente não fazia familiares busca van encontrar seus desapare'
mente fuzilados, cinco dias api'Is o golpe, autoridades davanu sempre a mnesna desculpa:
guerrilha nem política: eram apenas artistas, es- calos. Qua,itos desses seriam homossexuais?
afro uxou-se o toque de recolher, permitindo-se crm,res. gente de idéias progressistas. Eu sabia "Somos todos humanos. Também cometemos
Que,,i poderia dizer,.. Ao mesmo tempo. ,nuitos
que o povo saísse durante cinco horas. Mesmo as- l'rri
que muitos e muitos dentre eles eram homos- cidadãos inofensivos entraram em pânico, ante a
sim, era perigoso andar pelas ruas, porque ainda Segundo as novos donos de poder. ''a liber-
sexuais. Isso tudo me horrorizava. brutalidade fascista: para conseguirem a simpatia
havia fot'iu de resistência armada, leais ao dade foi restaurada com a queda do regime mar-
Prt'sidt' pute 4 1/cade. Mas o pato precisava ir fazer Por relej;ne, um amigo me perguntou se eu dos novos senhores, eles denunciavam tanto as
sabia o que os milicos andavam fazendo com as pessoas de idéias progressistas quanto aquelas xista do Presidente Allende", Na época em que
compras e se aha.su','er. Durante a viagem de deixei pneu país, a Junta Militar afirmava que os
bichas. Respondi que não sabia. Ai meu amigo suspeitas de serem h,,mossexuais.
t,nibu.s até ,, mercado, fomos barrados curaas unico.ç adversários das Forças Armadas C'hile,ias
Vezes por patrulhas militares que examinaram os mar contou - ''Fies estão afim de h,,tar a bicharada O toque de recolher deixat'a agora tempo dis-
titula em campo de citncentraç'àt,. Me disseram pomtíi'el entre as 7 da manhã e as 9 da noite. Então estavam tentando 4 irganizar guerrilhas para lutar
d,,cumv p,sos de todos. Por duas tezes, o tini mos contra o regimne. Naturalme,ite, diziam eles. os
precisou partir porque uma pnuitidãt, bloqueava o que outro dia três bichas pegaram 0115 soldados e a gente podia visitar ai amigos: é verdade que
foram todos para um bar conversar. Os soldados precisávamos tomar cuidado em não ter mais de guerrilheiros .'rani t,td,s, marxistas homossexuais.
caminho: estavam a.sststu,d,, ao fuzilamnenro de
deixara,,, endereços e fisra,,i embora; o de sem- duas visitas em casa; isso poderia se,- considerado (Artigo do Chileno Carlos Manuel publicado na
estudantes. •,pieruru)s e j',litu'ii.s, por pi'lot.5es do
Exército. pre. claro. Quando as bichas saíram do bar, uma n'anua, subversiva e merecer denúncia de aI' rei'tsta norte-americana "Vector", em jsnho.. de
toparam com um pelotão lá fora. Os três .soldados gum vizinho. Meus amigos começaram a insistir 1974, Tradução: João Sjli't'rjo Trei'ivaii)
Pessoa/mente, eu nada tinha a temer. Nunca apontaram para as bichas. que foram agarradas e em que eu destruísse utinhas fotos de ,,iis mas-
me metera em política nem pertencia a nenhum levadas em hora, Até hoje não o- tem noticia eu/aios. Parecia-me terrível a idéia de queimar
LAMPIÃO da Esquina Página 7

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i
d prado da dtsursululu
Prof. Dr. Luiz Mott GRUPODIGNIDADE
[REPORTAGEM J
Buenos Aires: dois policiais por quarteirão
"exibir-se em via pública ou lugares públicos ves- legacia. o chefe OS esperava com o Código Penal uma ciiispiraçi comunista: "O marxismo
tido ou disfarçado com roupas do outro sexo' aberto: M. estava sendo acusado de corrupção de utilizou e utiliza a homossexualidade como um
(Portaria de 1949): incitar ou oferecer-se pu- menores. Em torno deles, ID Policiais olhavam a instrumento para sua penetração e como aliada
hlicamente ao ato carnal, seja qual for o sexo" cena deliciados. M. negou com veemência que pura seus objetivos. Mas iodo mundo sabe que
[mesma portaria). Condenação prevista em lisesse feito propostas indecorosas ao outro rapa]. nos países comunistas os maricas aio tratado s
decreto de 1940: depois de advertir o "pederasta" E só escapou porque encontraram sua credencial como uni verdadeiro vicio social, dai margina-
(sie) por duas vezes, pune-se com prisão que pode da Assembléia Legislativa, onde trabalhava. Bas- li-todos, exterminados e silos exatamente somo
chegar a 30 dias - sem possibilidade de subs- tou um telefonema e um deputado. M. foi Ii- são: um grande mal. l ... ( Os marxistas exportam
tituição por multa. Eviden(emente, essas dire- herado. Até quando? a homossexualidade mas tomam cuidado para
trizes valem até hoje. o peodo
ri ' mais repressivo foi tol sem
dúvidao nio t- Ia dentro de casa.
(M. fala dos dramas). Estava caçando na es- governo de Isuhelita Perón e seu tenebroso Minis- Em relação àqueles invertidos que já existem
Na Argentina já houve um dia uma Frente de
tação ferroviária. Conheceu um rapaz. Logo que tro do Bem-Estar Social, Lopez Rega. Ele or- entre nós, propomos que sejam enfiados em Cam-
Libertação Homossexual, ativa durante muitos
chegaram ao ponto de ônibus, foram inespera- ganizou o grupo pára-militar chamado Triple A, pos para reeducação e trabalho forçado, de tal
anos, se bem que restrita a uma pequena elite.
damente cercados por quatro homens, policiais à com fins políticos e moralizadores. Em 1975, El modo que responderão a duas necessidades de
Ela se salientou sobretudo no breve período li-
paisana que lá estavam exclusivamente para Caudhilo, jornal oficial desse Ministério e poria- uma só vez: serão separados do resto da sociedade
beratório do governo Cámpora, quando chegou
"moralizar". Como os homens gritavam, formou- voz da direita peronista, publicou violenta ma- e compensarão o Pais pela perda de um homem
até a participar de manifestações públicas. Dai
porque não foi surpreendente. sabendo que seus se uma pequena multidão em volta. Na verdade, o téria contra os homossexuais argentinos, sem es- útil."

interrogatório dos dois rapazes começou ali mes- quecer de mencionar particularmente a Frente de A ameaça não se restringe. evidentemente,
membros tiveram de partir para o calho, encon-
mo, em separado. Desgraçadamente. M. e o Liberação: as homens:
trar um deles nu Brasil. Conheci M. e a primeira
rapazinho não tinham tido tempo de fazei' algo "Temos que acabar de vez com os homos- "As mulheres que vão contra a corrente 1...)
coisa que ficamos sabendo foi sobre Buenos
primordial em qualquer paquera: eI minuto, ou sexuais. Precisamos formar Esquadrões de Vi- siso metade machonas e metade marxistas. Trata-
Aires:
- f uma cidade tomada. Existem dois po- seja, inventar rapidamente histórias sobre gilância que façam uma limpeza nas ruas e se dessas que andam por ai em motocicletas, pen-
liciais por quarteirão, no centro. Os pontos de amizade antiga entre ambos. De lato, eles caíram agarrem esses Indivíduos vestidos de mulher. sando que são Iguais aos homens. ( ... ) Tomam
em contradição nas respostas. Pior ainda: o Devemos cortar-lhes os cabelos e deisa-los hormônios masculinos, têm voz grossa e mais de
paquera estão vazios. Buenos Aires vive mer-
amarrados em irsores, com cartazes dependu- uma vez participaram em atentados contra a vida
gulhada na paranóia. Isso ocorre não só com os rapazinho era menor. Chegaram várias rádio-
homossexuais, evidentemente. Tudo lá é peri- patrulhas, uma verdadeira operação policial. Os rados, explicando os motivos. No queremos mala de policiais e soldados."
homossexuais. Que eles partam para as nações E 'is o grito final:
goso. dois contraventores foram levados em carros
Paquerar é delito. Delito por comércio carnal. diferentes. Enquanto rodavam a esmo, os p0- amigas." E preciso acabar com os homossexuais.
ic í.,q,n ;nc,n,rnrÂp tia —1,—n N. tia, A homossexualidade é tida como parte de Devemos traneaflã' [os ou matá-los."

meluco,:
que viva e! macho
É um país muito estranho. o México. ('ore cicatrizes e silêncios seculares. Sua ternura é 'lado positivo, que é encontrar seus iguais. De tal significa um compromisso e isso ninguém
quase três mil quilômetros de fronteira aberta tocante _ abraçam-w, tocam-se, beijam-se. Mas negativo existem as pressões que sentimos e que quer. só se pensa nua, passatempo rápido. Eu
cont o.', vtadov Unidos, pode ser invadido à não conheço nenhum país tão adoecido pelo nos deixam permanentemente humilhado,',. 'enho procss'ando isso a ,'ida toda e ainda não en-
velocidade de 50 quilômetros por hora - o ritmo machismo, onde a mulher é total objeto de con- - Carr, e,, - O aspecto mais negativo é que confiei.
dos tanques americanos. Precisa dos Estados sumo e sofre todas as formas de repressão. O muitas vezes dá impressão que os homossexuais
Unidos em tudo, inclusive, para o turismo: o lwmt'tn tem seu protótipo tia ifigura do charro de não têm direito à sua dignidade. Eles se aceitam * 0 utili' vocês pensam das batidas policiais cio-

México, tende até a "mexicanidad" aos gringos, chapelão, a cavalo, orgulhoso e valentão - uma como seres deformados, como erros da natureza, ira o h o mossexuais?
de tal modo que corre o risco de se folciorizar figura to folclõrica no México quanto a baiana ou. na melhor das hipóteses, acreditam que
cada vez mais, matando a verdadeira expressão no Brasil. Na verdade, ser muv macho é uma somos, emocionalmente, imaturos, como dizem
cultural de suas variadas e ricas etnias. Trata-se autêntica virtude nacional, ,4o contrário', ser ' psicanalistas. - fInita: Não acredito que a' autoridades se im-
de um país que, apesar do,', sucessivos massacres, ,nciri,,tli. jIS. (luto ou l,,'c-u 'merece i ores - /t ri.u',,' Eçse.s aspectos negativos existem por- portem muito com o homossexualismo. O que
ainda é, basicamente, feito de índios, fato que lhe humilhações. De fato, são bastante comuns as elas querem mesmo é obter lucros ou fazer pu-
que em nosso país estamos condicionados a
propicia uma nacionalidade muito enraizada e haidas na Zona Rosa - lugar chique da cidade, deformações e sofremos fortes pressã ei' sociais. blicidade em torno de seu.', nomes.
original. São esses dois elementos, entretanto, muito freqüentada por homossexuais. .4.s poucas - Ricarei,w O pior de tudo é que o ambiente - Manha: .4 exploração de que somos vítimas,
que formam o grande paradoxo mexicano: a iii- boates entendidas, também gozam da mais com- homossexual está bastante prostituído. Já me visa ao lucro e é alarmante. Não creio que essas
vasào permanente dos americanos (lá desde as piela insegurança. E sabido que já entre os an- meti com pessoas muito dt'flceis. isso deprime a agressões contra agente possam'qcabarfacilmen-
antigos territórios perdidos, como a Califórnia e o tigos astecas hasta puniçõe.s terríveis para o gente: especialmente, quando se quer algo mais te.
Texas), e a defesa nacional encastelada na célula culto,' (termo natural para designar a bicha)t do que uma mera relação sexual passageira, a - Carmen' Faz algum tempo apareceu um
familiar, núcleo de preservação de seus sabres entretanto, por mais paradoxal que pareça, os gente acaba ficando decepcionado. Existe a parte documento muito i(nportante, publicado nos jor-
culturais. primeiro.s espanhóis se espantaram com os cos- nai.s daqui. Um grupo de intelectuais se opunha,
positiva, de que somos um conjunto e com isso
Por um lado, a ameaça de descaracterização e tumes a.tecas: homens se vestiam como mulheres abertamente a que as autoridades continuassem
podemos no.s defender.
perda de identidade: lembra do ateu espanto ao para si' Prostituírem. orgia.s masculinas eram dando batidas contra os homossexuais: diziam
ver na Cidade do México, aqueles garotões com comuns no centro do país e a prática homossexual * Cni' ,í que vocês procuram um parceiro? que isso não é motivado por nenhuma necessi -
cara de índio, cabelos compridos, calças largas fazia parte dos hábitos sacerdotais. Correr es- riade social. 'Idas sim por arbitrariedades, só para
axadrezadas, equilibrando-se sobre as sapatos de creveu para os reis de Espanha: "Eles aqui são - Rosita: A melhor maneira é procurar na roda dar publicidade a determinados personagens
plataforma altks'ima (então no auge da moda). todos sodomitas". de amigos. Nunca procuro gente desconhecida, políticos e funcionários do governo. Neste país, o
Por outra lado, existe a ameaça da xenofobia. Dai Uma revista mexicana da atualidade reuniu porque acaba trazendo muitas complicações. No homossexual tem sido considerado um cidadão de
porque não é fácil ser homossexual nesse país: um grupo de homossexuais de ambos os sexos, trabalho então, a gente corre o risco de se expor segunda classe e sofre uma repressão absolu-
anda-se numa corda bambu,. A moda do "gay para falarem sobre suas vidas e seu.',' problemas. demasiado. tamente anticonstitucional.
liberation " pode atingir o México, com a mesma Na verdade, tratava-se de um fato nada comum - Murrha: Os encontros são sempre muito - J.,sé /-,n,'iqu': Acho que nós mesmos facili-
voracidade dos demais modas. Mas se um homos- na imprensa local. E verdade que todos apare- casuais. Já me aconteceu encontrar até mulheres tamos a existência de batidas e chantagens. Como
sexual precisa defender-se dos modismos ame- ceram com nomes' falsos: três mulheres e três heterossexuais que de algum modo queriam ter temo,s medo no trabalho e em casa, então per-
ricanas, também deve enfrentar a barreira na- homens, de idade entre 30e 50 anos. Aqui segue experiências homossexuais. 'atas prefiro buscar mitimos que façam chantagem conosco. E por is-
cionalista-familiar, fortíssima em todo o país, in- uni pouco do que eles disseram sobre ser homos' uma relação estável. 54.) que a polícia prendi' a gente com tanta tran-
clusive, na capital (um monstra de 12 milhões de sexual no contraditório pais do machismo. - ('arme,,: Esse é um dos problemas mais graves quilidade e nas ficha sem motivo. Não é delito ser
para os homossexuais. Muitas vezes a gente homossexual. Então, se a gente enfrentasse a
habitantes). Por que seis são hm,,ssexuai,s?
O mexicano está sempre agarrado à família, prolonga relações já desgastadas, apenas por situação exigindo que se comprovassem as
com um cordão umbilical, dificilmente seccio- AIjrtha.' Sou homossexual porque reajo fi- medo de ficar sozinha. Eu não gosto nem de dos- acusações, seria diferente. 'alas como temos medo
nável: se não mura com os pais, vive com algum siologicamente, assim. Não concordo com as conhecidos nem de gente que busca satisfazer sua de chantagem, eles se aproveitam da gente.
parente (existe sempre um "compadrito" dis- teorias psicanalíticas que dizem que a gente se curiosidade. Lata liberalização social nos aju- -- ( 'aro, 'o )'So México, isso tudo si' faz ilegal-
ponha'!) - e deve pagar tributos à tradição torna hoMossexual por causa da educação ou daria muito. Poderíamos ter lugares específicos mente.
moralista. Daí porque muitas bichas têm os seus graças a coisas que nos acontecem quando somos onde a gt'a:e iria se conhecer vens receio. Os E por isso devemos dar um ha.s-
cubículossó para programas: em geral, um grupo crianças. heterov',-exaai.s criaram um mundo que favorece ta. Não sabemos sequer ,voh que acusação nos
de amigo.', aluga em comum quartinhos de em- - Artur,,: Sou homossexual porque acho que es- seus encontros, nós não. prendem. De,'eriamo v consultar um advogado
pregada que ficam no terraço dos edijfcios, se- sa é minha maneira de sentir. Existem homos- - (sé Enrique: E muito difícil para os homos- para a policia saber que estamos preparados. A
paradas dos apartamentos. A extrema clandes- sexuais que precisam de psicanálise, ms isso sexuais encontrarem um parceiro num lugar es- gente deis' .sefazer respeitar pela polícia. -
rinidade dai resultante cria, naturalmente, nada tem a ver com suas prejerências ,sexuais e pecífico. .4 gente tenta encontrar uma transa num - C'aroren: Acho que a polícia nos reprime como
problemas novos: proliferam os michês -- sim com sua problemática interna. bar ou em cinemas. Pode ser que dai nasça uma pretexto, para demonstrar que o poder ainda
chamados Cl-íJ( 'HIFOS - geralmente perigosos - Ri -zrd : Sou homossexual porque nasci assim, relação mais prolongada. Eu já tive duas expe- co nsegue fazer o que bem entende num paí.s sem
e chantagistas, enquanto a polícia, por sua vez, 'ate curou muito aceitar isso. Me mandaram até riência,', desse tipo, em lugares diferentes. con,sciencia política.
fica sempre vigilante para dar a famosa mordida, para um psiquiatra: foi coza ele que tive minha - Arturo: Aqui no México é muito difícil encon- - Ri urdo: 'alas no ,-'vtixko existem entraves em
uma instituição nacional tão importante quanto o primeira experiência homossexual. trar uma transa, porque não existem lugares todas as partes, até na religião. Fui educado num
PRI (partido do governo). Canso ganham pouco, propícias. Havia alguns que foram fechadas colégio de padre.s: para poder me aceitar, passei
- ('armem, Acho que sou homossexual porque
alguns policiais buscam completar o salário com nasci assim. Mas por que fazer essa pergunta pra )hou:es, por exemplo). e noutros, existe sempre o por milha re.s de situações traumáticas que
Ias mordidas, ou seja, praticam extorsões em medo de uma repressão policial ou de chantagem. precisei vencer. Mesmo assim, se me perguntas-
nós? Eu poderia perguntar, também, porque você
todos os wí,'ei,s. Por isso, deve-se tomar especial é heterossexual..
- Ri-ardo: Eu acho que é fácil encontrar uma vem o que gostaria de ser, caso nascesse de novo,
cuidado na época de Natal: os policiais precisam transa nos poucos lugares entendidos. O difícil é eu diria: quero ser homossexual. Porque é muito
* O que isehiam do ambiente homsse_vual O) gostoso. (Entrevisia publicada na revista —Suces-
de dinheiro extra para os presentes à família. encontrar alguém para uma relação sentimental.
A alma do.s mexicanos é complexa. .4s suces- Em qualquer es-quina da Avenida Insurgentes, sos jura t),/os '', is.' 2218, 14175, México, id,,
sivas invasões e perseguiçõe.s deixaram marcas de - ,t'far,hu No ambiente homossexual tem um tem gente para transar. Mas a relação sv'nvimen- Si/é ri,, Trei'i,su,,)

Leia à página 16 um capitulo do romance "O Beijo da Mulher Aranha", do argentino Manuel Puig 1
1
Página 8 LAMI'IAO da Lsquína

** Centro de Documentação
APPAD
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da parada da divcrsiduidv
Prof. Dr. Luiz Mott GRU PODIGN IDADE

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Chico Buarque e Enuiliano Queirós apresentam

Geni*valdo,
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a. malancIrona

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Opera do Mendigo tiohn Ga. Inglaterra. u ti i ti,',, b,u u- i . li 1 i tu;, . quis'u, ';u iii,
1`8 1 . ( ) pe ra dos Tr's Vinténs Itrecli 1 .Ak • 'ursi','luiueuiur' tu,,, dia. F nós t;un,bén,
ni iii 1 ' 1. Opera cio Malandro ( (1i co Ri ti r• quir- t;uri,tiuii mor-
til- Il ' It,ntla Rr.sil. I')''t) - -- ' si;i ti ttijei.rjti 1,1111h11. iuu(' '.i'i'eni.^ iiltuti',u utinibém. Pus,' isso é
ii.' i.':ii ii. ik' tinia Uihiiltt que cinta a ilis,n'a nhiiis ' rui,- 0:1 ,,iiuil,;i i'tiuuuiào. tu tutor Iviii qtuu.' estar r'oni
Iii iji.!tI itt. Romt'iii ti c..rriipço do indivíduo pcio 1 iuti riu;i, ii,. colidi.ano. Porque tu di-
mli' iulii,. () qiui' . iria é a forns.i. hote mais sidi'. r. ,it 1-e fl ' s é uma cais;, ,,'han,adtu
tu-ad;' ti,l., sri mais arriparado pela legalidade. , ,i, 1'' 1 uui.l;u tI,' 1-" i i .-s "ii.', .: (lixando suou ()cflj, na
Mt.ri.'i.i 1 Se, cru, e o e.'nl til,, uiveio aio, todo ii 11,-li,, 1 . ' . I;i ' i. i. ti .iuiali'.c s'' hill a iv'l ,u,liligi';it.'
i p i'l:i de Iodos .s nAs, tinia serdadeira. palco. estou imune às leis bloqueadoras da
,'ictu,'i.. Quiiiiilu, passei i. fase da f..rmtilaçA., fhk'a
Api- cii Á ii,,sa ti di, Malandro, tem de 1 tido o m sociedade. Pela natureza do meu trabalho, pelo
ck' Getii . com Ferutinili. Pinto e Glu.rinhti Bealt- torci'.,' cl,. ;utttuli '.tti puni une i.or eni etisdi cm
110k1 1,11. Ao a da ii ti r ti verdade maior A nossa, es-' falo de ser um ator, Emiliano Queirós tem toda
n,itller. é que si o quão Geni cai forte, era signi- 'tatu ia itt':, . para itie por no as i A a e sair dele iran
1.,-dfki. hrti'.ileirzi. Chie., malandro que é, tt perniissis'idade do mundo. Ali eu posso ser,
fii';,tiu ti. Mtis me ftiluaa saber o quanto eu tinha iii'iil,, Quando lixei- iic ti'.-.iiu,lir o ni&',i ('uniti,r.
tu. ' di fiei tu determinados lrsu.naecn s. que pude'.- sem censuras., um homem de quarenta anos
a ' cc e -a, ela. E cii tenho tudo a ver. Assim se deu t;uuoenio F;ucc As rci,rtis do jogo social, face à
seio. desta (,lrm a, representar diretamente nossas coto os pés no futuro. Posso abrir as pernas e
a 1 . ,.'.:.o rc'ipr..c:.. minha e de de Geni pci;, vu..iêi,,-i;u e o trccu l u,,'euto das pcssccus - nesse
aia li'.' is tu p iii q a in s nossos preconceitos e Ii- esperar que eles venham. E são eles próprios -
Ópera do Malandro. E entre nós dois, principal' monscnl,, cli quucro ser eu, mesmo. sen, nenhum
miiiç.e'. latinas. a sociedade que, fora do teatro Forja a opressão
iiieuihi' porque chi nu- uransporlou há ile7 anos ,'i.ui trote ou influência.
ti eis.' de Geni. Em Brecht era Jennv, - que ali. dentro, zelam para que o meu di-
:iirt'us q,uand.. sio Veludo, em Navalha na Carne. -- Os graus de reltuciontinienlo entre ator e
mulher. pi'u.stiIula e traidora: em Chiei' é reito de manifestação seja respeitado. Porque
Velado era i ti nu bem ti nu homossexual. com quem, - u.u',hlico? As pessoas não nos cobram atida, É o
Gertis d ' lo, a bicha, a ilespre,ada. a condenada lhes é útil; e a nós atores também,
iio nuesnoo tni.duu, dei-me bem no palco. stilientan- ator quem se compromete com elas. O ridícula.
pci.' pn'c..neei lo. 1.1111 bem traídora. mas por ulo, e,'i,scienti'menle. ti minha fragilidade pessoal qiucni o procura siunlos nós, quando ansiamos ,'- Gc,,i i to,la nitisic;i nu, ptuit'o. E a música
a a, ' 'r Emilia no QueirA'., que a interpretaa no paI- de cui 1 Ao. Hoje, é Como se Veludo tivesse evoluido, i,',i,tl iii' (,-u,i ieni iiina história surpreendente.
'agradar a toaus, emito um mendigo,' em nosso
e.. ii' 1 cairo Gini'.tut'i (Rio de Janeiro), nos fala l'oritue tutora sou uma pessoa mais despedaçada '.uuplic;uu,do aplausos e palavras elogiosas da O i i ; nu lo Chis- ' ' pintou,jn.s ensaios. uiAru li avia inda
do personagem, por quem se diz apaixonado. E e rio mesmo jeito, mais teu, cru ira. Mas eu não estou, nessa de me prvusuituir. u'sstu nlu'tsicti. tu '-ii' Gcni Fico fez. especialmente -
dá a sua explicação para o sucesso da peça: é pelo S.'nipi'.' h;inquuci, eu mesmo. a minha vida, NAu serei rui (10cm vai dar a hunultu pura sair na I"u,i uuu,,;u l,.ia'iun;,. Se muito bonita, a
mutirrio do elenco, todo ele unido e coeso. Essa Saí di. Cetir; çu.iiu de,csseis anos. Queria ser ator: re, isi;i A mica. - - O que me interessa é ser gente. t.rimei,'tl ui,i, linha i,,uuito ti ver d'oni tu s' j sflo que eu
1
explicação tem um nome: Chico Buarque de se nAu desse certo. co esta ria 'Ole como a Mansa Porque se o cara For meleca, ele o será sempre, tini,;, de G ' ' iii e de ntini aws mi. - B rig uiuci milito
Holanda, mistura ideal, segundo Emiliano. de (a prust i liii;. da Ópera. que se rebela contra o 'ar; niudifie',- Itt, rli'.r-uuti ,'.'ni o John Neschling
e ' mis tu li. r i.uu como pessoa . clara que existem as
(rês elementos: talento, amor e Fascínio. Prin- giutolôl: tia Pior. na regra três do Mangue. barra% t,r;uht,s pura se enfrentar. ("anuo os ga- 4 lilav , 1 rot. r'liv'c'tuci mesmo, uni tua .tu h;,ucn ., pé e
cipalmente fascínio, razão maior para que este Apcn:is. co, ccc de estar na Lapa. na Boate 'li/cr: ''N uu, au flui! '' AI é 4.111C ii maravilhoso Ch ido
rotões dc 1 'ti neniti. que jogam o carro em cima de
grupo de pessoas, separadas pelo dia a dia da Casanos-ti. eslou aqui. na Ginástico. Em ver da, Ru ii r (l ,u r' sri.i e ulissc: ''Como é que você quer? " E
mm,, n:u ctuI;uuitu, e gnit;un,. com Lis galinhas ao
profissão, se reencontrasse agora, unido por um- til ui;i uo' ni na huirudti . tenho a fantasia do palco. lti,tiu iik's cxeilaulissim;us: ''S;ui daí, é, bicha lunica saiu essa obra-prima. clii leilu, que cii sint,' Geni:
objetivo comum: o teatro. M;u'. seria sempre eu - conto sou, aqui e agora. da TV . G ali,.!'' Mas que se f. . . que me ioguem subi ' e iltis enu.vAes. do lei lo da remelenta
Porque sotu tutor em lodos os momentos e minha h.usttl. como todos fazem com tu Geni. Porque o Muristu c da rainha SitA, seuutimentuu oposto'. —
F mtlii nu. est ;'i no camarim. 0 se preparando
cultura foi-tile dada pela vida. - trai-o é imediato: A noite. no Ginástica vem meu ottuu i. da t r;ui'.'A,,. que Emili;uno não concebe no
parti cii r;. r cm cena A cara e os cabelos hesu n
'. ele si' levanta. ek' i rico. quando entro. Seus
II.. . - Nesses n'ruias Geni leria aparecido na filhi,. uni i';uu'i,tA,, n,antivilhi.so, e ira -, seus amor, mtus qu ic Gen i. t,.dtu brilho, nos ftuz es-
luar;, -(, ri ;i Sint, no momento exato. A no passada tiunicos. marcas coo,o de. que flue c,unti'n, paeti e que rc e. Pni ,, citou 1 ntentr' a mim, tu pessoa Eni i-
ulho hrilli;im. seu sorriso é franco, mas pres-
eu vituici pci' mundo Fui tu muitos países. até uma dupla de senhores de idade avançada, que. li;, na, i l ara . u,cni o amor é dito' todos os poderes
'r.iiait,.r F spiica-sc: ele é sílima dos entreris-
no-sino ao .1 ;up Ao. liara u is-e r e aprender tini pouco uLva;, ,i..ute ,lr''.sas. .eu., tuo meu canitiriu,, para me para a ihiu't,, iii' tios'.,. ;uii'to.
ia .1. 'ri". Uecent ,'mcnic hotise suna repórter que
As pessoas batem à poria. Falta pouco para
p;is'.i,LI tiSlui li tempo P'riini;unrlo se ele era ni;iis sobre o teatro. E a maior IiçAo foi saber cii miu ri nicn 1;u r -
i' ' siiuu' é pequena ' ti importância do desr'ondi. -- Mas o que mais incomoda é a leseira da ele entrar cm ceita. Rápido, ele laia a cabeça e
biiha, '.ini uuuune;i la,'l.0 direitinienle, niascaran-
u'i..niainci,t' ii,' titar em cci,;,. O que ele len, de I;i'.sc te;, t tal. Os til i.re 'que pensam que vAu eles ps'ile que eu no mi' ti,: há um "furo de repor.
di. tu pereii n Ia básica. sem barra para fazê-la. E,
f;i,,'r é ser o personagem. Quando voltei, estava o laboratório c'uistcncial do público, quando é tio 1,12cm" que quer me comunicar. Feira Livre, de
p, .uu'o ou 11341:1 ii Lii'. saber do seu Ira halho. do
,'x('it adu,. bolos os sentidos prontos, no ponto cer- ciii 1 rfi rio. E que uivei,, repel indu que o teatro é Plinio Marcos, que ele vai encenar, marcando a
ai.r, ila pessoa de Emilitinui Sabendo dis',o
tu E fui quutiiidi' surgiu, Fqtuuus. no Teatro do BNH t';in'.;u uiio Ora, n'prese atar diariamente é como sua eslréia como direlor de cena. O elenco fe-
ti prt's'.e ai.'. aittes ik' una is nad a, em d i,er- lhe..
Rio). Entrei na peça pira Ficar apen:,'. cinto ii ai a t rcptu ul tu. dia tu dia. com a pessoa que se gui'.- minino ele já escolheu: Maria Lctieia (sua mu-
com sinceridade, que o acho um grande ator, e
,ii., suul.stitiuindo sim ator. E fiquei até o Final da ti: cada ser mais sofisticada. mais gratificante. O lher, rocem salda do conservatório), Loulse Cai-
que só queria saber um pouco de sua "pessoa".
ti',,, ' raula - Eu era o A tii,'cu. no elenco, que já que se tcni de saber é que o tutor nAo é tira mastiur- cioso e Catalina Bunak,. entre outras. Falta o
Desarmado, ele começou a falar aos arrancos,
tinha feitó análise. e que tinha, na vida real, ora h;ud,,r cio ceruu, é preciso haver a 'troca. a iden- - ricas-o masculino, que ele ainda está sondando.
ciramático, tal como se estivesse representando.
- - N,. tenho tino, resposta definida para o filho cai,, dezessete anos. bem do jeito do ,er- i iulaite eoni o público. Ele me abraça, novamente-. me beija o rosto, com
i i, ;uiu'm de Rietu rdu. BItut. que con iracenas'a -- Porquue ii teatro é suma palhaçada. unia amizade. Somos amigos. Assim. fica no ar a per-
riu iiiui <Iti coisas, nu que se refere to meu per--
eouu,iuin. ,Assitu,. eu tit,ha o condicionamento ideal rlis in;u e niartuvilhas;, brincadeira. assim, nesse Conta. que nuso ii, — não por coiardia. mas por
s.'iitieem. Quando começamos a montar a Ópera.
o ti,.' nO is, o ifla is q Lii' pudemos, a pari ir (10 texto parti o trabalho. Descobri a PecI em cena, re- st;udo de r'spírilo. que entro eui ccntu todos os achá-la canalha. impertinenle. Fica no ar,
presentando. como numa espécie de auto-análise. .li;us Nada nos i,hri ga, atores ou platéia, a per- que uts homens de Imita suntade e mc_!hor coração a
ii.' .11.1111 Gav. Fiz todos os tipos que correspondes'
manecer tuli, ni'l) rC '.Cuit ando no assistindo. Todos jogiteni nu liso, por imprestável. Â pergunta -
sei,, ti Gc'ni. desde a forma Jenn y . de Rrecht. até Mas aquele Emiliano era antes. Hoj e. eu quero é
Madame SaiA, a Rainha da Lapa. Este foi o Ali;)'., e,i qucro dizer que continuo fazendo o direito de ir embora quando o desejarem O "você é bicha?" Ser ou n'lo .er (bicha, esta 050
(liii) inteleetii;,i . de mini pura o Iler- que ;ir'ouut ,'cc è que nós, os atores. f;u,entós voou a uuieslo. Principalmente para pessoas assim,
análise Saii uma pessoa que deseja gozar latias as
ulite eles. ;u t'ltitéi;i.se csqucç'amulc que vão morrer conto Emihiano. Carlos Sll,aj
'ii:, ccii. c,.nk' rine orientação de ('hiis e de t'oistis e. por isso mesmo, sufi vulnerável ao ex-
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LAMPIÃO da Esquina

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Centro de Documentação

APPAD
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Prof. Dr. Luiz Mott
CRU PODIGN IDADE
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REPORTAGEM
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Ifeini, eu, seus au?! Sexo? Gosto de scx,è Docunnemrto de bicha pobre d grade. Eles 'l'irachi'nu te.'. .4/gaas da PM :readi'rn as bichas pra
ii,?, porque não vou citizer. uai? Tudo inundo gos - pdeni a geme mio camburão e falam pro Cimos' tuimnar u, uhinhc'iru, delas, Outro doi distrito entram
riu de sexo ruas não fula. Eu gosto. faça e sariui que a gente é vagabunda, mesmo cont nu, c'iai'nu ii Iris, pássaros e bordam. nu',us querem
Desde urram ' u que sou assim. Sã que na minha clocurneniu,, carteira assinada ira bolsa. Diz que a nem suiher se tini du,cc,mentu ,, se reis: Lei. A gente
terra eu era mu iro discreto. Passaja ruido mundo gi'nrl' faz hagunu,'a, diz que hicha s'áfala palavriu,. su ', si' ,rmmi a depois que entra, dentro) do cinema.
ira caril. Ninè ii unta ia pra a i,igutm. Fiz quase Se ai',, u/,ilu lu. mi',',, tara. Na Rua doi Riau'hui'li i me prá miii, cifro Imitar uru jamnilias dlii ladu, de fora. Si,
ri uilu,s i n Ir im pus importantes de h. aqueles joguei dc'mrt rui duma caixa d'água nu, onero) da ara mii, u jissu' a ,miu díc'ia e u us mnuirgimcdus agindo juraus
ii, izuiou'es, aqueles ja:u',iileiru)u's. leve caso que z lilit: da /uufi('ia, numa casa de côrniníis onde eu os lan termurir/ras, iau'u'aluin dii flagrante e
o ato, li: o pai e quando i'u ultei fiz ii neto. Nisso morava. Noutra casa, na Rua do Rezende. me ri iahos para arrochar as bichas, era pro dou brerrte
Pau anuie que não possui ria' queixar. Tive todos os prcmrcic'rara e abamrclu mci o quarto cl,,;: tudo que lui Irt.s ser até bemn civilizado. 'Tema cara que si'
q quis. desde urrenoro. Quando não t'r2nr eles era meu lá dentro. Ri ii, haruimur. Lei'ara.'n tudo, em semmle s,',, c'uimui prohlevv,as na família. Vai nui /05
que ,iri' canta 'ajin, eu clregar'a u' dizia ''vai lá cai quuatu , u'ci estava viii cadeia. Ganhar eu ganhava. pra u'o,iversur, Iriam idéias... hem? Claris que
Á tul laga r assine assudu, uni tal Ir ira, que liii te es ulrci si' riu', i? No furimicififui, c'i,icu, iici seis freqnuu'ses muimmnhámu luva lii,' lia mnargimnal, que Pi C4,, presta.
Mas n'mil cara que sai i'uum a gente clii cinema,
ierando. Si udo /,r, dia u'scã,ida?o! ' Mas estrias(, por n' are, a mil c' quinhentos cruzeiros cada uni-
tidu ) ira pru'ciuu u. Eles c que vinham li meis pu ir Dinheiro velho, da quelu' quu' ia/ia me uni;! Na vila paga lamichi', li 'si pro bar e o nrvd'rsa.is.i, Sói. Já
''li,". de: suadu nu riu ( ruir, bu i ) e»: ninguém. Só uma vez ,'lrtrc'i d'i ia: ii uhrmrb,u'iri, iii, im:gru'ssu i e acabei jitmit uimi'
- Su'u iciuli o cita desgosto. A dois, iii uSii'a, uni bati' midiu quis 014' pagar i' ia apru imi rei um cl.0 de graça s,'mmi fazer tiada como ninguém. Os
queria ser ,'an tu ir, picuitsta..'t1inhu madrorlia, J'reje. rasguei c'li' juidin hu. Oco riu une disse que não /cr,mtc'rmmimihurs é que c'omnbcn umn cu,mnm os marginais.
uma mulher iii' pu 'a'. 'a a ir' i boa, rui e bit, ju pra tinha dinheiro. '1'To pi'i ir tia base da unu'ch and. Ele Elvs roubam ulu'm: r rui do i'rnc'rna c' 3 ,gcua: a culpa
estudar nu, Cuu,sen'uiu3rr4u de Música de Caran- dormiu, Olhei mia c'arteirch e lava assim de aota nas bii'/u a.0 quuin dus alguém se queixos ci uni a
gula. Lntào as mães começaram a tirar as crian- graúda. Acordei ele botei pra fora de casa. Mas r, ilícia.
ças porque i iuih a eu. uma bicha preta, estudando i esse tal, ali/es de despachar. peguei uma gilete e - 'J'c'mn um eu itt: :ssurrlo, d'lrammia mmc de filack.
lá. Aquela pobreza. Mia pai ci ul,inu u de, fazenda diii,' que ia inc cu,rtctr tuda, dar queixa ura po- que é o terror ia Praça 'l'iradc'mnres. Prende hic'Incr.
Jt !,,, ,imo', 1. C. 1 .. da S. u moa-se, 5
de u'afd. , i.,firihu moi(- sinta t'umada, empregada licia, se dc' urdo rue pagasse dirc'i,. u. O Iii uju' viii'- sonora vli,c hu'rrui. bate e manda c'mr:hi ira. Si, re-
not?ie de Mnj'ca Valéria, uma espécie de bicha d'u iu do i'seda ulalo e mmmi' deu ' o trezentu i:i• cruzei ruo clamar, somu',u comi u, i'nadi,. 'l'emn uma, a Cur-
nacional, da cidade de Carting ila, Mia as. du,uviésrii'a. cheia de filho. Eu sem podem estudar
ia ú iiuui. p irqiee as urdes das morras crianças que ei, precisava pra pagar ti guamrui. ,vu i,,li a, um trcrvi'stt limrd, i, mmii uri'mru i. prl'c'nsau'a de
1 (',oi do nus iniciais 'au i'erdad&'irij nome por ir, que arraunju ir, encrenca e suva d'anui ci um ela.
mudo Ia poluia, 1.. ( '. T. da S. explica que Miizica nu', u dpixava;ii. Vim prui 1//o eu, 62. liii trabalhar Coisa diferente uniu muita. .iú vi cada
na casa da Marton, aquela cantora que imitara a tara... Unia vez, no camnai'al, eu queria ti' ia, .4i'hui que sc'quesrraram, leu'uira,n jura São Paul,.
Valeria surgiu, aia da eni ('arcJ,JM, da, como —UM Coitada da ('urra urina. Nunca mais vmdmiguémn
/iI.iilno que tirei do ar; ~perguntaram vaca ('arme,;? Mirando nos filmes na('tunc l/.5. ,'lr, 1h er baile do São José e tala durc.Fiquer ira porta do
danada. mal educada, uma bruxa! Tomava baile toda tua qui/ada, de peruca, sendo se iii 'iii Ia/ar nela. '!'a cio depende do destino) de
u 'me de crierrer, inventei ee e /7c'iu ". De /sfo, d'uda um. Uns nascem jura rua. Nàu querem res'
nuni mi/o restrito e de ppiúltip/io precumccitos bolinha. ligava ,nuitu, e perdia um dinheiro que aparecia uma c'umhec'rdu, pra me convidar. Apa'
itãu i pu idia perder. O a,nantl iarnbdni ma,nai'a rc','u'u um cor, ia que eu ritifica tinha visto na vida. /uuinsabilidadle u',,m mruhalbr,,, Outros trabalham
comi, a Curangola de alguns anos atrás, Mônica di' dia e demrus:ru' se- viram. Cada uni clima a sua
Valeram so não si' transJirnmou vii, hiho da corri' dinheiro dela. fim dia vau' chamou de bicha es- Me levuiu urul hotel. Uni suje/a, esquisito, com
cruta. Eu era hich a, aias sabra ii q' vos era. pinta de machão, mal'eni'aradu,. .srmna. A gente tu', aqui elepiissagm'm, nesse oriundo.
da s ,cu'dade 1 snr.i:o ai da pi ir que, ci ano ele ia estai Sempre o btmmr e sempre adorei ,niniia vida de
di:, 'briguei m u,to, apanhei e bati, arrebentei Já ela d tida postiça. de ciltos e amibas po suças. Bojuuu asna naval/ia na beira da cama. Eu de
/ii'ruca. enchia, etc ri, cia rir, tu diu J alsu i. Dai fui pra hiumo,s.seuxal. Na.sci cumni essa intuição, graças a
com tudo que não queria que eu virasse geri te ­. peruca, afastava minha cara da dele pra não Duas - S,',npre tïs'c sorte, sorle cuim homens que
hoje, aos 33 anos. no Rio desde 62, Mônica éem- casa do Beuru Nunes. o pianista do prestdi'urt elas- atrapalhara munia maquilagem.
celino. Beuré já tinha um problema de , regime pra muita mulher miàu, teve igual. Sou feliz. Me realizo
pregado di,rnmsrii'i, já trabalhou de fuxrnt'iro em Uma vez, um cana que já- tinha transado) sendo bicha. Bit'ha é ii de menos. A urda é que é
banci is e au /5erri ibras f': a vida nus calçada da emagrecer. Mandou servir café coma leite. La servi
cuuvn açúcar. Não podia, mas ninguém tinha me t'i,migu, me deu um tapa via ('ara destro do dis' fugi,. Mas tido é porque ci gente leia uma porrada
1 ajuí, •indi' 'e rraIm'tiu "por Á,(jktti e pra nãii ris no. Que mural ti,rha esse homem pra fazer isa, que lar dar outra. Não tenho ruiva de ninguém,
morrer de Jmme''. t, negra, bicha e pobre. Agres- ai istedu miada. Ele me xiirgou de, urubu, na frio: te
dos outros. A limu de gri ussu s. ,iãu.0 gosta ia de t uniam comigo? Eu Su)cl res'pc'ntad,ir, mas mic',ui me desres' 5,3 que quero agradecer á Jiirnilna de Carangola
silo. quase sempre. Gentil e alegre quando com banho.. Joguei a xícara pra ir/ti, e/ri: cmli, ira. peiri ! Joguei uma maquina de escrever pro alto. f)ru, quem minha mãe trabalhou 43 anos e que no
gente em quemitca/ia . Passai
ai iicão nas mãos Ju,griei ii telefnre tia cara dele. Até que euesfi' fuma botou o corpo dela nu», caixão vagabundo.
da policia. ''i'henws'' e pa:ries. Mas ai) ou vir - Sai di, Beni quase se,,c dinheiro. Fui mnai'a cli'. Só errou de me dar tapa na cara sem eu daqueles que fiquei vendo o rosto dela o tempo
Mur.su. Da/vi, de Oliveira, Carmen? Costa, Billie trabalhar no Flamengo, mia casa de uma família eu ter fereu, nada demais. tuidui, que não dava nem pra fechar a tampa
Huullida ou LI/a Fizzgerald - iuus cantoras mineira, muito boa ricas pão-dura. Uma urorve viva -- Absurdo o que a polícia faz na Praça direito.
preferidas é capa: de se comover e abrir um pra frente do Automóvel clube. na Cinelân dii,. e
lindo s rris,, viu ri ustuu miúdo e negrissimo, cujos perguntei primo estranho: ''ii que é aquele pessoal
únicos traços evidentes de amargura sãos dois na calçada ali?" Ele me expircou que crava bi-
vincos fundos. entre o nariz e os cantos da boca chas, cnrviduuu preu me maquiar, botar peruca. Para tirar as máscaras e rasgar as fantasias
sensual, lendo feito apenas o curso prrivrário, é Já gostei ad? topei. E cora ccci a fazem a vida.
extremamente irei, e articulado. O que segue são Urna vez dancei nui 3,0 Distrito Policial. Lá co'
suas próprias palavras, tiradas da gravação de ,rhi'ci a Mafalda. a Mat' Britt, a Vimna Lizzi, uni
uma conversa que tivemos recentemente. dei hemui Mas a polícia sempre deu em cima.
(Antônio Chrysóstomo( Prendemir a gente à (lia.

Sem essa de amor maldito!

Oscar Wilde estava certo no seu tempo. Mas as coisas mudaram, e


estes autores mostram por que. Leia-os e aprenda: o ex-amor mal-
dito agora é uma boa.


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Página lO LAMPIÃO da Esquina

**

Centro de Documentação

:Nn
á
APPAD Prof. Dr. Luiz Mott
i i CRU PODIGNIDADE
cia psruida cia duvcr'iIutdc'
ENSAIO
A demolição da ecosfera
A &'cinotiiia humana é um aspecto parcial da Como indice de progresso calcula-se o
economia da Natureza. As ciências econumicas, 'Prodto Nacional Bruto". Mas o PNB não passa
portanto, deveriam ser encaradas como aquilo ttc uma indicação do fluxo do dinheiro ou do
que realmente são - um capitulo apenas da movimento unidirecional dos materiais tItie este
Ecologia. Entretanto, o passado remoto de nossa dinheiro mosinienta. No cálculo do PNB nada se
cultura nos legou uma filosofia de dicotomia O gaúcho José Lutzemberg (vide L4PsiPIÂO
desconta. Não é descontada a descapitaLizaçã
homem Natureza. Rasado nesta visão dicii- ri.0 6) é uma das figuras mais rmporrarues da luta da Ectisfera. Ali não se de bita o esgotamento
tiimica, o pensamento e'onôrnieo que permitiu o que vem se travando no Brasil, atualmente pela da mina, o desaparecimento dos peixes no rio
aparecimento da atual ioriaia de sociedade indus- conservação do natureza. A partir desse námero, e nos oceanos, a perda do ar puro. os custos
trial e de seu auge, a Sociedade de Consumo, par- nosso jornal publicará urna série de artigos de sua sociais. Mas, a descapitalização da Ecosfera
te de um modelo absurdo, um modelo divorciado autoria, retirados do júri, Fim do Futuro? (co- é urna descapitalização real tão real uanio o
da realidade. Encara-se a I':conLiIiiia como se ela edição URGS/Editora Movimento, Porto Alegre. embobrecimento de quem esbanja, ciospreocu'
existisse em um plano que transcende a Natureza 1l77), sempre de acordo com a proposta inicial de padamente, seu capital monetário. O PNB é a
e que comela não tem contato a não ser naqueles LAMPI,40, de abrir suas páginas aos assuntos soma aritmética do valor monetário das tran-
pontos em que ela é explorada como fonte gra- habitualmente tratados com reservas pela grande saçõe% entre humanos. nada mais. O preço da
tuita de matéria-prima. imprensa. E a ecologia, com todas questões que madeira no mercado interno e as divisas de sua
Tanto o mundo inorgânico, como o mundo dela resultam, é um desses assuntos tabus. exportação são adicionadas sem que haja nenhum
vivo, com a única exceção do Homem - exceção desconto pela descapitalização na floresta. Se,
esta que tem exceções - são encarados como depois da exploração da madeira sobra um deser-
simples matéria-prima. Nesta visão, o ambiente conta da gravidade de nossas agressões, não to, o PNB não leva em rtsnta este lato. Ele apenas
trator, que em minutos derrubam o gigante mi-
não é senão uma massa amorfa que só adquirirá vemos que nos encontramos em pleno processo de lenar, tios parecem uni progresso extasiante, mas registra "criação de riqueza ­ . Assim, a pessoa
_

fornia significativa depois de manipulada peto desmantelamento da Ecosfera, cujo fim signi- nos fazem esquecer que não há e nunca haverá que mais dinheiro esbanja em íutihidades, que
Humeiti, seu soberano. ficará o Fim também da economia humana. mais materiais movimenta, que mais impacto
tecnologia capaz de repor no mesmo lugar outro
Implicitamente. o modelo econômico vigente A quase totalidade do que convencionamos gigante em menos tempo que o que leva uma ár- ambiental negativo causa. que dedica suas ener-
postula um Fluxo aberto, Este fluxo é unidire- chamar de "progresso" não é outra coisa que um vore milenar para formar-se. gias para o incremento do PNR que a pessoa
cional e se move entre dois infinitos: num ex- incremento na rapina dos recursos naturais. A frugal. que dedica suas energias ao estudo e ao
tremo, matéria-prima e energia inesgotável no sociedade moderna é infinitamente mais des- deleite espiritual, ao avanço da ciência, das artes,,
outro, capacidade ilimitada de absorção de Uma vez que não enxergamos 05 Custos am-
truidora. do ambiente que algumas das sociedades da harmonia social. Quando a saúde pública
detritos. antigas, extintas justamente porque Fabricavam bientais de nossas tecnologias, somos levados a chegar a decair drasticamente em conseqüência
Uma sez que esse fluxo liga dois intinilos, desertos. Sua expectativa de vida é, certamente, Contas incompletas e, portanto, erradas. Para da contaminação ambienta] a desestruturação
segue-se. logicanietste, que ele é indefinidamente mais reduzida que a daquelas. tecnocratas, economistas e burocratas o dinheiro social, L) PNB crescerá na mesma proporção que
ampliável em volume e velocidade - não se ad- Enquanto o progresso da Vida, através das in- tornou-se a medida de todas as coisas - medida os gastos com remédios.médicos. psiquiatra,
mitem limites para o desenvolvimento" e o termináveis eras da evolução, significava aumento universal e exclusiva. Só é levado em conta o hospital e funerária. De fato, o PNB é propor-
"crescimento econômico". Mesmo quando as cir- constante do capital ecosférico, com aprimo- monetariamente quantificável. Mas o dinheiro, cional à descapliJização da EcosFera,
cunstâncias já não mais admitem a negação de ramento progressivo da honseostase, o "progres- O valor que damos às coisas não reflete seus
certos limites. supõe-se, simplesmente, que todos so do homem moderno não é senão unia orgia de que representa apenas as regras de jogo da dis-
verdadeiros custos. O petróleo era barato porque
os recursos sào substituíveis e que não há limites tribuição, entre humanos, dos espólios da ex-
consumo acelerado de capital, com aumento seu preço apenas refletia os custos 'de sua ex-
para a ingenuidade humana que saberá sempre paralelo na vulnerabilidade do sistema. Em es- ploração da Natureza, absolutamente nada tem a
tração, mais os lucros das companhias e os im-
superar todos os impasses. paço de tempo curtíssimo dilapidamos e obli- ver com avanço ou regresso ecológico, em nada
postos dos governos. Seu preço não leva em conta
Uni modelo desta natureza solenemente ig- teramos o que a Natureza levou milhões de anos reflete a saúde da Ecosfera, as condições de
sobresivência. sua ocorrência limitada, sua irrecuperabihidade e
nora o funcionamento da Ecosfera da qual o para criar e acumular. as centenas de milhões de anos que a Natureza
Homem e todas as suas atividades são parte mcx- Quando nos empolgamos com nosso fabuloso Chegamos assim a confundir desmantelamen- levou para formá-lo. Criou-se, assim, toda uma
lritieitvt'l. Este modelo e a causa da crise que poderio tecnológico e nos orgulhamos do "do- to da Ecosfera com criação de riqueza. A des- infra-estrutura tecnológica apoiada no esban-
ai nt s cssonlos A visão da economia conto algo mínio da natureza", nosso entusiasmo pueril nos truição de um banhado, a transformação da jamento acelerado da energia "barata" e de
que transcende a Natureza, leva ã cegueira mi torna cegos diante dos verdadeiros custos das Floresta , ama/única em simples posto ou a der- matérias-primas igualmente "baratas". Mgo as-
biental por uni lado e a contas ficticias e ilusórias modernas tecnologias e não nos permite ver nosso rubada das últimas araucárias, nas contas dos sim conto se, quem encontrou em seu terreno um
por outro. E porque a Natureza não entra em total incapacidade de repor, com a mesma fio. ecCnomistas. só aparecem Como criação de ri- tesouro enterrado, decidisse vendê-lo a um preço
nossas cogitações econômicas que não nos damos cilidade, o que destruímos. A motosserra e queza. rtào aparece a descapitalização ecológica. que cobrisse apenas os gastos do trabalho de
desenterrá-lo, mais uma pequena margem de
lucro.

Homossexualismo e ecologia Pecamos contra todos os preceitos da Eco-


logia. Não levamos em conta os requisitas de nos-
sa própria sobrevivência. Já não se trata de mero
desleixo tecnológico, Facilmente contornável com
A principio me parecia saga e alastrado o pre foram regidos pelo binômio, "homem contra perigo latente que a nossa imaginação, mesmo um pouco de cuidado, de legislação reguladora e
rt,taeina.ne,mto entre homossexualismo e eco- homem" ou "homem contra natureza". Nada es- habituada com muita "selence fiction" nem con- de algumas coiitraiecnokvgias, corno o controle
lmmia. A prelensa hlgaçiio decorreria da minha t-impa desse binômio, nem mesmo as grandes fases segue alcançar. mecânico ou quimico da poluição. Estamos
atuação coincidente nesses dois setores de ati- alio cultora da humanidade. A velha desculpa de causando os estragos que causamos, não porque
vidades mlnorlthriiis. Porém consersando tom o que os fins justificam os meios, quando cm face O curioso é que a sociedade em que visemos
assiste impassível e indiferente à sua autocles- nossa tecnologia funciona mal, mas porque ela
meu colega lampiônko João Silsí'rio Tresisan aos direitos humanos (tão em moda teorizá-los,
soube de um estuda já (cito nesse sentido por atualmente...) deixa-mios, pelo fato de existirmos, truiçiio, como se esses graves males não existis- Funciona exatamente corno queremos que ela fun-
Allm'n Ynnng, a cabeça homossexual pensante com problemas de eonsckncia pelo que já se fez e sem. tão prioritárias são as necessidades ime, cione, Essa Política está cheia de boas
diatistas de tomada do poder político da ma- intenções, mas estas boas intenções tem suas
mais importante da contra-cultura norte-
americana, de-dez com a remota escusa de preparar um mun- raizes em postulados falsos. Demolimos a Ecos-
estudo esse de que eu, na minha in- rio melhor. nutenção e estimulo do consumismo e da sua
pseudopreservação através dos preconceitos - fera porque em nossa visão alienada não lhe
formação muitas vezes incompleta ou apressada, E timo por exemplo sabermos que existiu tudo aquilo, enfim, que ela colocou como alicerce damos nenhum valor. Queremos desmontá-la e
ainda nua tomara conhecimento, apesar de man- uma grande civilização no Egito, de cuja cultura da sua estrutura e que na verdade serás primeira consideramos isto "progresso". Arrasamos a
ter correspondência esporádica coto o autor. ainda hoje usufruímos, Idem na Grécia. Não se Amazônia porque ali só vemos uni "imenso
coisa a reunir quando a catástrofe deixar de ser
Trei isan Fct desse trabalho unta tradução que nega a importância da Renascença, porém essas apenas uma evidência apontada por alguns vi. vazio"
LAMPIÃO publicará futuramente. Em todo caso civilizações floresceram, assim como tantas sionários, para tornar-se uma realidade terrível e A .Luva proitiritiu o-a crise liso e tdvminitiiea

tomo Yuung. por coincidência, parte de prin- outras antigas ou atuais, alicerçadas no trabalho sem caminho dc volta. nt 01 dIt'n 1 ifies . é eu ti anal - 1 úosi,fica. N jss

cípios iguais aos meus e dele necessito para o que escravo m beneficio de uma elite prioritária, iiieiiiiti,leta do Mundi, nos luz querer agredir o
mesmo que hoje se costume dar "novos nomes aos Se ii mim cabe o direito de me colocar entre que deveríamos proteger
pretendo chiei, antecedo 'rresisan usando cm ter- esses visionários apontando as destruições, justo
mos simplificados parte de tese tio nosso amigo bois" para justificar as atitudes totalitárias dos Achaiiirt', que devemos "doniinar a
sistemas, sejam eles de direita ou esquerda. que também, como eles, proponha as possíveis natureza''. luiar contra ela para itão sermos por
norte-americano. soluções. Particularizando a relação homosse-
Mas voltando à conecituação anterior, o ela dominados. Acontece que a alterna liv,,
O homem estruturou seu domínio na terra homossexual seria o mediador entre o poder que xualismo-ecologia, tentarei ser otimista acre- 'senhor rIU escravo'' nào corresponde à realidade
sobre duas (orças: preservação da cxp&íe e Im- constrói destruindo e a força passiva de preser- ditando primeiramente que a humanidade sub- das coisas. O caminho que a Ecologia nos indica é
posição do poder. Acontece que, apesar de se vaç'io representada pelo matriarcado. Um ca. sista até um mundo Futuro. E nesse mundo Futuro r de ,rcio <ia N.t ia reis

t-omplemt-nttircm, a segunda decorrendo da 1, .,:ir então tias qualidades de ambas as partes o ser humano estará tão t-onscientizado da neces- José Lutzemberger
primeira e conseqüenternenic existindo para e, por consequência o ser intermediário ideal na sidade de preservação dos seus meios de subsis.
protegê-la, a partir de um certo momento inverte. sociedade futura. Em tese, tudo perfeito; na tência que os próprios governos incentivarão o
se tu (un'iuo, a última destruindo a primeira com prática, existirso algumas arestas a serem ainda homossexualismo como uma Forma de possível
os elementos que dela recebeu e ticstruindo.se consideradas e estudadas pelos íuturólogos por. contenção demográfica. Atualmente na India o
autofngk'amentc. Conto tirei de ouvido a tese de que afinal, "nobodv is perícci". governo oferece rádios e outros objetos de con-
Allen Ynung, là não sei mais onde termina o con- De qualquer forma não há dúvida que a es- sumo aos homens e mulheres que se deixem cs
c'cito ticic e começa o meu, mas não existe razão trutura social no mundo futuro precisa ser previs- tereli,ar. pela necessidade de contenção popu-
para estalx'let'er limites quando o ideal é o mes- ta e já iniciado por nós com a mesma urgência lacional. Por um processo ló g ico de pensamento,
mo. Nossa principal concordância é que essa lm- com que deveremos tratar os futuros problemas con-lui.se que tu sociedade futura se obrigará a
posiçiio de poder é atributo potencialmente de sohrevivineia da humanidade. O desequilíbrio um rigoroso planejamento Familiar, com severas
patriarcal e machista, enquanto o sentido amplo que o homem vem impondo a natureza está reiier- punições para os infratores. E basta também um
dia prcs*'raço cabe ao lado Feminino da expede tendo diariamente contra ele e seu sistema social: pouco de perspicácia para adivinhar as duas
humana. Como toda imposição de poder modifica a poluição industrial, se não for imediatamente categorias de infratores sexuais: a) criminosos
ou destrói o "status" anterior, o previsível e controlada acabará em curto prazo com todas as primários, isto é, comprosaclaniente heterosse-
crilkáivl é que laia mudanças deixam sempre formas de vida tia água e comprometerá seria- xuais que por descuido ou displicência ultrapas-
profundas cieatrl,es no homem e no meio em que mente a atmosfera, os elementos minerais nobres sem a sua quota de procriação; hi criminosos de
ele vive. A sulistitulçuo tio que tenha sitio des- estão em vias de exaustão, a transformação de grande periculosidade que sendo homossexuais
truido por novos conceitos e novos valores, mesmo florestas naturais em terras de pastagens ou de porém "enrustiduca" (eles adoram ter filhos),
cru nome das boas intenções do progresso e da ts'rõo burlado a sociedade fazendo-se passar pelo
unkuituras industrializadas, ou a derrubada de
t'ivilimaçuo, nem sempre estiveram ou estão de matas para obtenção de celulose, são Fábricas de que não são, esbanjando dessa forma as quotas
acordo com as estruturas visenclai.s básicas por- reservadas aos hcmcros.
desertos; a energia nuclear, mesmo aproveitada
que poderio e proiess'. cm toda a história, sem- para fins pacíficos como se anuncia, constitui um Darcy Penteado
LAMPIÃO da Esquina Página 11

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Centro de Documentação E]
AP PADi i c
da parada tia diversidade
Prof. Dr. Luiz Mott GRU PODIGN IDADE
Bixórdia
Gasparino e a glória
Gasparino Damata de-clara, glorioso, ter meira vez também registrava-se na chamada
'pelo menos 40 anos de hixórdia ciornalismo grande imprensa um acontecimento guei sem
militantes Em 1 1)52. quando corresponden-
te no Rio da Resista do Globo, de Porto
achincalhe à classe. Na realidade, lembra
Gasparino, a coisa não foi séria, no sentido
TENDÊNCIAS
Alegre (na época um dos mais importantes solene e chato do termo, porque as bichas
seminários nacionais, dirigido por Justino concorrentes do júri, o lendário artista plás-
Martins), conseguiu, conto ele mesmo diz.
tico Sansão Castelio Branco, foi acusado de

o livro
"emplacar a primeira matéria sobre homos-
sexualismo prublicada em revista ilustrada no "parcialidade", dando o primeiro lugar para
Brasil". Foi unta reportagem com texto e lotos dois concorrentes.' lemanjá. Deusa Verde" e
sobre o baile de gala do João Caetano daquele Ziegfield Follies" - Os outros dois membros do
distante 1952. O ponto alto da matéria eram júri eram Tônia Carreiro e o cenógrafo e fi-
as lotos do concurso de fantasias. Pela pri- gurinista Nilson Penna.

"Mulheres da vida"
No famoso cemitério Pére Lachaise, em Paris, encontram-se sepul- Der mulheres-poetas, coerentes numa uni- Muro (Rua Visconde de Pirajá, 82. sub-solo). A
dade de vida e obra, prática e teoria integradas na
tados os grandes vultos das artes, entre os quais Proust e Oscar Wilde. Editora Vertente, aceitando o desafio, com Leila,
luta contra preconceitos e alienações, preocu- e mais Ana Pedreira de Castro. Eunice Arruda,
Sobre o timulo de Wilde foi colocada uma estátua de homem que lem- padas com a realidade concreta, atual, e cada Glória Perez, Isabel Câmara. Many Tabacinik,
bra um Jcaro asteca. Evidentemente, o pobre Jcaro fois castrado: le- uma a seu modo, denunciando erros, pressões, Maria Amélia Meilo, Norma Bengel], Reca
varam embora seu delicado membro. Como se isso não bastasse, o pes- misérias, violências, resistindo (lhes), através da Polletj e Socorro Trindad. Todos estamos con-
soal andou deixando endereço e telefone na tumba de Wilde. Comen- ação conjunta de seus trabalhos e seus caminhos. vidados, Iremos!
Elas e suas poesias se jogando nos bares, nas cal- Mulheres da Vida é um novo e indispensável
tário de Paulo Francis: os homossexuais são as últimas pessoas sexual-
çadas, ônibus, boates, prisões. manicômios, livro de cabeceira: poesia antiista, difícil nestes
mente sérias da nossa época; trabalham fiJi-time, quer dizer, em casas, bordéis: onde houver vida lá estão, mu- tempos. Mulheres-poetas, fazendo poesia se-
regime de tempo integral. lheres-poetas mergulhando fundo em cada ex- xuada, plurjssexuada, multissexuada. unisse-
periência presente. Algumas, das dez, estão no xuada. Poesia que é Poesia, que recusa ceder à
LAMPIÃO da Esquina, ou estiveram, ou estarão. pornografia, que recusa o jogo do sistema, que
E, eis que: "( ... ) Sentimos muito, mas não nos recusa alternativas só aparentemente demo-
Uma das pessoas mais in de Brasília - é tão chic que faz questão de motivamos editorialmente, após o exame da an- cráticas, que recusa ser marginal ou de gueto.
dizer, quando apresentada a alguém, que não está cotada para nenhum tologia, cujos originais nos submeteu à apre- Vida. Poesia, profundamente erótica. Com diver-
Ministério -, Nini Vanderbilt circulou recentemente pelo Rio. Na sua maia ciação. Mulheres da Vida, infelizmente, é Ir-
sas significações: para que escolhamos qualquer
recuperível. Com exceção de dois ou três poemas, uma delas, ou fiquemos com todas. Quem du-
Gucci, naturalmente -, um enorme santo barroco que ela trouxe para res- a seleção nos pareceu abaixo da crítica, reunindo vidar de sua força, que as siga, a estas dez mu-
taurar, e que aqui ficou aos cuidados dos cirurgiões plásticos da Galeria sem qualquer critério trabalhos que oscilam entre lheres-poetas, ou fuja delas, chauvinista e civi-
Ypiranga. Nini se manteve incógnita; mesmo assim, causou verdadeiro fris- o desabafo existencial e os gratuitos jogos de lizadamente...
rn, numa tarde calorenta da Cinelândia, ao se abanar freneticamente numa palavras e de imagens, insuficientes, tanto como Que se saiba, esta á a primeira coletânea
documento humano ou como poesia. Devolvendo-
mesa do Amarelinho, por trás de enormes óculos escuros, com seu famoso brasileira de mulheres-poetas assumindo, lite-
lhe os originais, atenciosamente,,," Esta foi a res- rariamente, também sua coordenada homosse-
leque de notas de quinhentos Cruzeiros. posta de uma editora à organizadora da anto- xual. Mulheres da Vida, estas dez jamais en-
logia, a escritora Leila Miccolis, colaboradora de trarão nas academias, felizmente, porque são
Acabamos de receber pela mala direta es- LAMPIÃO. Meia dúzia de linhas que, conve- irrecuperáveis. Um acontecimento, literário e não
Caligula foi o mais levadinho dos doze nhamos, arrefecem como ventos siberianos ç
ta mensagem do além para a ar1iuruArac- só. na história dos que se libertam por suas
Césares. Conta Plutarco que, depois de ter aquecem como paredões caribeanos. Devemos
peipi'. "Zin fia, si sunsê num si prutá direito próprias mãos, Mulheres da Vida deve ser lido
gasto todo o seu potencial de interesse nos temer o futuro?
com quem ihigrusta i cumeçá a/raid dus seus com caráter de urgência, ates que...
isumanos. o imperador voltou-se pura os Em São Paulo, já aconteceu o lançamento, na
amr,g.ss pruqut eles num são vraquinha di bichos, caindo de amores por Incitatus. um
prustpi.s de .run.sê. c5 sê .ui lhi bru g á urna qudra da escola de samba Vai-Vai; no Rio, será
cavalo que chegou a nomear para o Senado de no dia 18 de dezembro. em Ipanema, na corajosa
miringu sre pnendona. O,ào sunsê num Roma. Quando o animal já estava mm o futuro Joio Carneiro
acredita em libredude de i,epressào? Ou rrdo garantido, com FGTS e tudo. Caligula resol-
seu papo t frurado, da bruca pra frora? Toma
cuidado suido os home da incruza pega sua-
sé. "Assinado: Caboclo Sete Flechas (Ribeiro)
veu mandar buscar uma mosca azul, daquelas
bem virulentas, que só dão no Oriente. O que
nem Plutarco nem nós entendemos é como
Hysteria "in concert"
Calígula se contentou com o inseto depois do
eqüino.
Esta roliça senhora da foto chama-se Hys-
teria. Ela é uma as rniifeices de Patrício Bisso e,
Do mesmo - e mítico - Sansão Casteilo Branco citado aqui por Gasparino Damata em temperamental e digna do nome que ostenta,
outra nota, há, por sinal, histórias interessantíssimas, dignas de sua majestática posição na His- ganha destaque no show em que o nosso ilus-
tória da bichice aborígene. Uma delas reza que certa vez, na Cinelândia dos anos 50, o trador sem se apresentando rodas as noites, no
critico de dança Jacqucs Courseille queixava-se a Sansão que o cenógrafo e tapeceiro Nilson
palco do Auditório Augusta, em São Paul,), Sim,
Pcnna (outra figura de densidade histórica incontestável) lhe havia tomado alguém, instantes
antes, sob pretexto de levar a pessoa "para lanchar". Batendo os pés no chão, irritadíssimo,
Sansão pontificou, dirigindo-se ao queixoso Courseille: "O bicha burra! A senhora entrega a
porque o argentino Bisso. 21 anos, além de ilus-
trador de primeiríssimo time, é também um one-
man-show dos mais requintados. Afina ironia do
:.
jóia na mão do ladrão e ainda quer reclamar?,"
seu traço (olhem só o sei,, que abre esta seção).
transp..'sra para o palco, justifica inteiramente o
Nome de Guerra '-Um dos aspectos mas mesmo assim o retrato fiel da pessoa elogi,, que lhe/e: José Márcio Penido (vide LAM-
do homossexualismo que ainda não foi es- que o usava. Isso no Rio. De Porto Alegre PIÃO n,° 4): "Patrício Bi.sso é no teatro o que o
tudado devidamente è o do nome de nos chegou uma coleção de nomes inven- (]ou tinho queria que seus jogadores ,/óssern em
guerra Uma das primeiras providências de tados nessa época que talvez se lam ainda campo. Joga em Várias posições, não se estrepa
toda bicha "assumida" é adotar um mais inspirados: Dóti do Pito Aceso, Loba em nenhuma delas e brilha em diversas ".0 show
nome suposto com o qual passa a se Solitária, Morte, China Gorda, Fétida,
comunicar com seu grupo. As décadas de de Patrício Bisso é imperdível, como diz (outra
Torre de Pisa e Thaís. Thaís é lendária.
FaC) e 60 no Brasil são sem dúvida as pio- se:) José Márcio Penido: —É uma coisa tão sem
Dizem que escolheu esse nome da ópera
neiras dessa forma de abertura e d'sriam de Massenet aos três anos de idade e que igual, tão maluca. tão engraçada, que qualquer
um catálogo colossal de nomes incríveis, descrição resulta haha,'a, inútil—.
a partir de então não permitia que nin-
bem reveladores das pessoas que os es- guém lhe chamasse de Outra maneira.
colhiam. Ivaná, Marocas, Trágica são an- "Sou Thaís", berrava a precoce, "com
lolõgicos Mas têm outros, como o qui- trema, com trema l " F rancamente, tal
lométrico Hêveca Carputa Mataruta An- fanatismo não merece um estudo em

o disco
dreata Von Kapt, falso do principio ao fim, profundidade?

Escolha seu nome, II Feito só para dançar


Sempre com a intcttção de enriquecer a - Bichoteea - bichona de discoteca. Falar sobre discos de som dlscotheque não é foi o passo para um segundo. Está ai seu novo LP:
lingiia e de dar um sentido mais amplo ''às muito fácil. Amasidio Disco Esperience da Eml/Ocleon (res-
palavras da tribo'', como queria o poeta - Bichonha - bicha má, que segrega Normalmente todos seguem a mesma linha, ponsável, também, pelo primeiro disco). Infeliz-
Mallarnté. leitores de todos os quadrantes peçonha. com variôes no uso de instrumentos eletrônicos, mente o conteúdo deste segundo disco, de Aman-
enviam-nos as novas palavras inventadas e obviamente nas letras das cançães. Pelo menos dlo, caiu assustadoramente. O que podemos ouvir
- Bicho - bicha "valet de Cham-
pelo povo e colocadas em circulação para
bre" de sapatão.
se espera que o disco seja de um ritmo que con- sáo várias músicas sem a mínima condição de es-
elogiar, incentivar ou instigar o bicharoco vide a dançar, caso contrário está fadado a ficar tarem juntas. A começar pelo Copacabana, com
(tal um bom coletivo para bicha). Aqui es- - Bicubo - bicha ao cubo mão con- no esquecimento. Barry Manilow ( atualmente já torna cansativo
tão elas: O discotecárlo Amandio, que já Íol do SCao, ouvir ou dançar está música, que conseguiu ven-
fundir com tricha), dessas bem serelepes e
- Blchoquete - bichinha da moda, atualmente, na foste Regine's tem dois discos na cer à base da promoçao em massa). As demais
que tisa soquete e sandália de plástico. fagueiras, que já de manhãzinha estão pra sob sua responsabilidade. O primeiro foi músicas são Inexpressivas, salvo Let Them Dance,
Bichanhaca - bicha com CC, toul fazendo compras no supermercado para lançado há mais ou menos seis meses com o título com O. C. Lã Rue. Parece que neste disco Am~
court. que nada falte em seu ninho de amor, de Sótão Discolheque. Nota-se neste trabalho a dio esqueceu o belo trabalho que fez no seu
unrao de bons sucessos escolhidos por Amsndlo, primeiro Lp.
entre eles Disco Energy, Sou] SIster e Beaties Dis-
Adio Acosta
co - Café Creme, O entudlasmo deste bom disco
Página 12 LAMPIÃO da Esquina

** Centro de Documentação
APPAD ic
cia liuira(lus da diversidade
Prof. Dr. Luiz Mott GRUPODIGNIDADE
m
i
o filme
Como tanta gente séria, Walier Lima Júnior minha visão do carnaval e era duro reconhecer is-
(.4'h'uinu de Erigenh,o, Brasil Au, 2000) é envie,
acesso a entrevisto. Com Lwnpidi. pelo menos,
ele não foi possícel, agora que estamos vendo A
O delírio que faltava 50, por isso gastei muito tempo para aceitar a
idéia de um outro filme. Mas que filme?
"Há unia frase de Jean Cocteau que diz: 'O
leni l 1)t-liriui: o quase enrrei'isrado, há reste- cinema é a única arte que capta a nuorie le a vida)
t014fluas, deixou o local do efl(rel'ers', 15 minutos elo seu trabalho diário' ; e esta frase me criava a
antes da hora marcada. idéia de Fazer uni filme q Lie levasse anos para ser
A explicação para o pudor do cineasta ex: rzr4 feito, acompanhando aquelas pessoas e deixando
proi-ass'Imenre no caráter profundamente pessoal que o tempo corresse sobre elas. Eu fora a Niterói
do filme, que tira grande parte de seu encan to com a ideologia de um Meliés . ou seja, querendo
i'sjmodeuant rgciv.Seja forçar a minha xusiçào de câmerdi, o meu ponto
('0010 for, seu depoimento reproduzido pela dis- de vista, e o resultado se aproximava da posição
tribuidora s' transcrito abaixo é uma bela 'ex- de uni Luniiére, onde o registro documental
plie'ào de motivos" para uma filme surpreen- prevalece sobre o onírico: houve uma greve na
dente; e tanto mais interessante por descrever saída da fábrica e surgiu o herói. Deu - se o im-
também as condões contrita.'. em que o bloco previsto e graças a ele o filme começou a viver,
c'arnacalevcw Lira do Delírio de Niterói, l'iroufil- Um filnse, comoqualquer obra de arte, exige o
"te. risco absoluto, É preciso navegar para conhecer.
Trazendo o estandarte e iluminando a pista De resto foi ti que fiz nos anos que se segui-
eco, 4nect' Rocha. Ilcre anojo não seria si mesmo ram. E enquanto navegava, aprendia a comandar
sem Fernanda Montenegro em Tudo lli'ni. sem o barco e a determinar (-i runuo. Os bons e os maus
lahs.-1 Ribeiro em A Qus'cl. Agora remos, além ventos me trouxeram ao porto do delírio, onde
de doit estupendos desempenhos de atrize'. uma bebi o fel e o mel alterqados ou misturados e senti
espantosa ('F114 ão risceral, o travo da ressaca,
Na Lirs, ,inect' é Ness Filiot, o que pode nos "Creio sue cada filme tem a sua forma cor-
dar d:ia.t pistas. lima sobre a pronúncia certa de reta de realização. Nem mais nenu menos. Isto
tia nome: e s, dizer .Vess ElIlor bem cariot-amen- criou uma enorme responsabilidade, e até que
te, ou haianamenre. Outra sobre o clima defan' pudesse ter certeza do resultado final, resolvi
fatia HolIi'woodiana que se mistura ao delírio aprender a lazer o meti filme. Comecei a tarefa
dionisíaco do carnaial. Inclusive no que têm de do sei, diretor, 13'idter Lima Júniur(ClóvLr Mar- gura. No Carnaval. o consciente é inconsciente. la-tendo documentários para o cinema, depois
vial?ntia, os quiproquós de filme mssrs'rio se ques) Ê a subversão psíquica onde a catarse vence. Mas para a televisão e até chegar ao primeiro plano da
t ansfe em de repente para a Lapa. O encan-
r r "A idéia era lazer um filme musical a partir havia o projeto do filme — o sonho dentro do fase final daLirahasia rodado 50 documentários e
tamento dos quatro dias ameaça quebrar-se para de canções de carnaval, acho que era assim, uma sonho real — e era preciso levar avante. Poucos três anos e 455o haviam decorrido, Afinal; Lu-
Necs, que coltu a perder seu co", para os outros idéia lucro-musical. E teria sido desta forma se o dias depois das filmagens em Niterói a idéia já era miére e Meliés se combinariam. Lumiére era o
como taxi-giri. lias 4 Lira do De-lírio parece carnaval daquele ano não nos envolvesse tanto. E bem outra: o carnaval me surpreendera de tal for- som direto, arma poderosa do meu aprendizado e
protestar exatamente contra isso, sustentando até assim nos perdemos na festa e quando a gente se ma que o que consegui filmar em cinco horas de Meiliés, o cinema da invenção, poético e criativo.
o fim o desafio (afinal de contas raro isa cinema) perde no carnaval vale dizer que o descobrimos. copio tinha 60% de cenas de violência e isto não A crise do cinema de autor é o confronto com
da inventividade jeericamenie livre e pessoal até As máscaras caem, as fantasias se rasgam, a rea- era o que eu acreditava como base para um a vida. E a vida compreendeu nossa vontade e
as ultimas conseqüências. Abaixo, o depoimento lidade e o sonho se misturam.A liberdadee inau- musical. Mas afinal eu conseguira registrar a nossa esperança se deixou filmar

As intenções de "Mi'. Goodba ` 1 1. i t- 111 a' 1.m '- 11 s4,


i
sitie
I'stud'u;u'ii li ( liii i,5o. ?'lr. ' C,00ill,ar L'suqultidlrti-sc
Cliii Pt5 iii' tI i p róprio

Is' lei i ti ra cii 1 n'tu ii' sui uii(' sui a era. O enredo, i;il;u se iiiii p ernuanente clima de perigo no ar, perfeitamente na moda dos filmes "avançados";
N a (lst;t cli dc fiO . cc vel ho M a rs- u se a p regoava 't'si;'u ru'iuls'uss dc' luzittii r's''. e PitiiltuS coou sexo tu
ei''I i, :iç o sial da persssn nlida de humana, par- a 1 it'ss. nu si nu 'cii tiaçies tltiC conseguem fugir par- tritutuchui fllltiltiS vezes alarmes falsos (p. ex., o
Z1
c'izilnieiite do ltijttcr-s'uiiicini graças à inventividade 'tlutuulluc" ti etunis'ete de Tonv contra Thereza). A ;uiuutliute 'cinc'tu: ''Vtui leiitur nuinhi,'i htuuicta'':
(íiJoda teoria freudiana da "Perversão polimor- Tht'n',.i relul k'a : —P P q ite acabei de fa,er''):
- Is isç Iss. que si lsv iii 1 ira r lira, er de todas as do 1 rilui roteiro- rI i reção- til ri, : a sublime inter- ameaçade punição sai sendo logada em pitadas
tu t u is- seu s ti tinia sut'neriustu tu nussst rtugem titu se-
par e'. Is corpo. Mesi 1' final da clãs',icta de 70. I i rei :1'.' is dc I)ici sue K enton . sobretudo. arrebenta -it'csliIsl;ssus,idiis ,iuu lsstuo do filme: as crianças se
_,us ti ri is'siias'Q'ic's meca ii ieisl as de scsi personagem c'isnu dl diil'fl&'Itt da professora "devas- uutiliib.iils' tuei'iuuis'.i% :5 . iiuilus desde tuitistutrhtuções
tem se a insprs'ssào que esse problema estaria ti l ,rs.sias i'siuui filnuiiuluus iiiriuõ; e nusisursu uma
i Iii Prithii ido- 1 se 5 de ambiguidade nu" : o ptui ;idsscs'e Cti(ltituiitii Tluereza está na Farra:
supera di': sis mi dia teriam e rol ia ado tudo, na 1 tsfl

s.'Oisti tttit' st' liAm luis' c'iuu!tliuui. nentuiiiiu filruue tio


nietida Çlite liii lisa SC fa uni tanto em sexo como enriquecem a personalidade ''pri nu it is a' ' ii mito-reirauuu de Thereza num esgar mortal i-
ihi're,a l)uuiun e inlpu'scm tio drama uma perspec- tlirtus'es'.tu c filme anieventio a maldição. Ê mi
'.L'tI L l 1 , ;i inda nhsssirtrts: o s'hui'ce uk' iiruuti bunda
ix 1 1u
hi ije cm di a, A pa rs'n te mclii e. seria porlanlo o i
nua (evidentemente feminina) sendo longa-
mismen iii de e 'ii ler excessos. se Já o próprio Freud iva de análise . There,a é tinia "peversa polimor- fiou. elitretantis. que o roteiro recolhe os laços e
Fti' deliciosa rnenie sensívtl, cristalina e generosa (id's is n(s. e'.auimente ao colocar em cena um per-
;mente acariciada e beijada. Subversão dos cos-
i / i que Si' os i ni ou lssv, Liais n ão fossem re- tumes? Não, trata-se de oportunismo legítimo.
primidius sie forma ca n alua da. não haveria or- ( i ii: se torna qultise arrivista na sua disposição de siuu;iaeuu, ipendus sugerido anteriormente: a bicha.
I'iis,:ur uuuiiti tihertttcsle que lhe parece legítima e tuturess'iuiaiitu ntuiturtubnuente cismo ctuscnle mental e li uiit' ilissi'i'tI Itt qlis' •u FicuIl si filuuue liii htiscttdus
:uni,tueào ssst-iid ou eis ili,açào pnssis'eis. Na ver- t'tui ftuti'- rt',lis, tuuc' ti stir('iucr e rt s ieirisiti uiião iii-
ltuile, nossas sociedades regem-se exatamente dei ida Dai resolse com tranqüilidade a rs't';uhc'tu s tu Os (In is amantes homosses ti ais si-
elittii'tuiui iitiut,i. e (l ii i: t u t'rttuuiio is litune é iluai;u-
ik' iii ri di's'.s' rpincípio: is desenvolvimento social é ''e Iuit-;siuie'licistoniia de ser professora de crianças nhitsuus'.c' ulenirt' de estereótipos antigos: o mcm
5

'dl cl Ma l, eu tii'lsim siiim'. iuiuuti sei aprecnslidius e


tanto uueiior qianhsu mais livremente fluir a libido sliirtiiiie is dia e. durante ti noile, perseguir inces- nit'ist'iului í o rnat'hus do casal: bate. arreberila.
stsiuit'Iltetli(' o difícil orgasmo. A publicidade do i''uurc''.t',cttuit,ss uuit",nuo elimiti,uiiis muhtetis is. ii'. ftiiiss
individuos: iii; seja, is processo de repressão a unia ('Fti iuàti sou situdus. nunca fui passis-o''t: e
i ti reais quis' ieuulutunu
sc-siialidade fornece um surphus de energia social- filme et,iiizi &-usm esse ''escándalis''. contrapondo o isui 1 ro [ti i su papel tia fênica: chora. implora, sofre

,'ísui iiu t'riri'utus't's. l liutiu',
sutis A'.siuui. m'Sm-rt's t'i:iiiu-se doi, i'siuutiicc'L's di.
nien e muil o impiuri ,utll e. tsr '.oc'ia 1 'rei tbão do trabalho tio individua lis- e é abandonado. O diretor Brossks usa eiuutttmen-
nusu cic'srt'itrtisuseiuhis da libido. Mas Therc,.a age ti-n'tu u i's 5, tu is' s , ssd' iuie'.lu ii eu'.c 5 -- - lsc bar em bar,
Daí porque a permissir si ade tio', tinos 7 0 é de Ic' tu iii'iiti - uuitus,liti i.'sluuuli insirttnuenio da ira divina
livi-emenle. salsvnílss que tem direito ao pra,.er h' lit(tuutu Rossiu'r U suuul ii filsuue 'a' htuseuuui) e 1-lora
fais tsrnsa de reforço i repressão: os limites isira ca si sit ar Tu'.' -eia Quer dizer, o a si titule
t's;ui;tiuis'nit' esmo 1cm direito ao trabalho. Trata- uuittttu:iis e oerias ss u l é t -, iitiptuului do crime final e iii' feebitur, sI' 1 tuc'm's I : ,s'.I,IIiCIu Assiuii ttunului'iuu. ii
reis tu m liara. biso tscljti nie, serens restabelecidos Fihuuue iuu''Ft'i'iui i i'.i ru'.F'iiu' ti tiç.ii' de luis ti Ii.u'stic
sons sIsais firme a : permitem se estas coisas para w. se nu d 'iv ii Ia, de unia personagem da era fe- sislusuii iiitlus lr tini o(uuri ''rebento '' da ' titia de
Stisi I : i . : u Iit. is t . I , . siiui . 'iilIIic'tiluiclutt', l u tirti Ii
confirmar que aquelas coisas continuam proi- iii is tu. Ao enfrentar a supressão masculina, ela liI'i'r;uc?ius '-cicsul. A hsiehutu st' torna o agressor ( for-
tu Firma dum ilcci',ào: ''Não sisti de ninguém, eu me nia de ,autopunição crituulti pelo desespero): it 's tu-tu iuiks. lis'. lui l upres, Itt es'uuira-
Iii Ii s k' . boi ,es de com iiii a dores p rogra m sm
pertenço. — Nesse sentido. o fil nie assume mui- si,slonhi/;i 1 luc're,tu c'snu violência l ''Mttlulitcts
ei i iii i ii t i iii' - ; i Is ' lusiiuusiss t' '. t ti !isuuuiu ti ciii.' i'is'a tu
l costumes ''tua
i% para cón- t rolar o que e
iiç udos'' lnegas'elmente, a escolha e o tratamento de um
t'uilflO devemos la ,s'r, meu ia ne;u uuue cii e 1,1111à 110%t Uri cssn ira a repressão A uuutitht'rt's''. uariitu ele). etitltituilus' tu esiu'ttnetilti ()fl
miilh&'r: There,'tu luta parti não ser esmagada pelo si'il próprio '.51 1 i à : depois, 5 ra- a de frente e si tema de terminado cevidenciarti uma postura (cons'
Vi A procura de Mr. Goodhar. Achei o Filme tão ciente ou não) perante o real. Por exemplo:
isriiantenuente indecente que me imaginei pa- nuiinilus ílcs tuluu:InIe predileto. dos amantes oca- piusstI i t u :5 rti o u-i-ts r que
iS' é uuituehus . tius lues liiO tempo
sisivai'c. tio prt'tcnssu ntimssrtudss. do pai. F parece 1 1 i it' ti t".lti qtuc'itu Cisnuui se esses i tu g re dien ts's mulheres iu.salisíeilas suiü assassinadas por bichas
r.snusici '. acusado de ser pruiblemasque não ek- rlenrôt leu '., Nã o é is,,, ii .bsit' si' dii t is los os dia'.:
tianu A ailernttlhiscu seria, naturalmente, es- ti mti is curar-se da a nu a retira tio pri luis' ro amor. stsilis,ss iuàc s lutisttisseni, si senti 1 apresentada em
ttuit , tI', iuitithiL'l't'\ '.iii ill'.titl.flt'ls e tis buis'hutus 'cuifreni
qcieL'er minha peritibação e achar o filme apenas suus j e servia de mero s1siuis sestial. Assim niesmo, c'hiuua sls' eranile espeit'icuibts: Filnuiutt-se a l iiinição
ecuulseizue lisrtir-'.c ii,,% sentinienios de culpa que a si lu i , a/ ii 1 lis.' mt iii e da nues nu si luz est rohosciupica 1 '. '. ii,'io sicuuif j c.i i .iuuuhúuuu tu per-
lindo teuuisti. aliás, fácil de achar). Mas corno vivo isl' i iItiIi sI i'c'it'it' de ch il e bicha odeia
iium lempo onde a realidade superou as fan- riuls-i;um e hiusetu afirmar-se no agressivo universo 1 is Iuitl te'. Confesso que jamai s si no ementa
lis mtis'huu'.. tinia deuuuusuisi r:us'àuu de enielda de tAii ' ca ls'ulada, mulher ti' LiIi homem vira bicha porque no
'ti i
tasias par:'uncsic.'ls (quantos serviços secretos es- consegue trepar com mulher? Não estou negan-
piscluanu a população brasielira?) preferi não Aliás. esisleni referências diretas ao movi- isa sutis ii iii eleito de intolerável repugnância, de
iuis'fltiu Fenuinisi;u: pode-se vislumbrar pela TV c'rui;utleirti ilul imidticão. do que esses personagens não existam, Afirmo
negar:eWkwa realmente Irritado m o filme. apenas que, para além dos estereótipos precon-
F com hs4i a razão. tinia pasiceala de mulheres, enquanto o locutor Acho não só viável ermo fundamental sina-
assinala is final demais uni ano: 1975 já acabou; iis:sr-se os sonhos revoliicionário'c desla última ceituosos, existem seres humanos lutando para
Aniede tudo. Mr. Goodbar me parece mais
um eco da campanha de moraliiaço que assola cinco tino% atrás, bPOIXi rutilheres desfilavam tiéi'tuslti M;us não concordo com a análise de se afirmar enquanto indivíduos, e isso é o que
o'. F.staslo'. Unidos. ('orno vivemos na era tias pelas ruas exigindo legali,açào do aborto, igual- Rouoks Fie parece colocar num ringue. frente a realmente interessa.
mtslliu:ceionas, é certo que não se trata apenas de mente de cspsurtunidtctle no trabalho e liberdade Frente, ultuis desgraçados "típicos" que os mo- De resto, o que mais me perturba é cons-
uni problema local: as loucuras começam na sestitil: cicia deveria ser tu década das mulheres". vimentos feminista e homossexual em vão ten- tatar
malri, americana e em seguida tomam conta do Teria sido esta, realmente, • década das mu. iaraiuu libertar. Smi releiturtt desses movimentos como a critica e o público embarcam na onda,
lbere? Ë nesse ponto que se pode puxar o fio perdem o senso crítico e vêem em Mr. Gooar
mtundQ. Portanto, é melhor não se fazer de aves- istlrec'e tupuunlar rara sim final melancólico: a bus'
irul/ Apsss uma década de lula aberta, os homos- crítico do filme. Assim: se não inteiramente da de liberação resultou ntiuuu beco-,sctju-aída. No s i iii iult'', iiui'iu i 115.1 Is i i ulu clássico 1 Ia t rtu uteiliti , Frui'.-
5,'

1 ric't,. '..hiil'is huiiuutiiutu. t'ts' Poisen tuiuuls'uuu. por


sexuais estão sofrendo perseguição em massa, nos desobstruído. o aborto tornou-se um fato mais c'a'.us. i'herc,a iuurna-se decadente, negligenciando
USA. e Anua Rrvani multiplicou-se fulrninan- corriqueiro (a irmã o pratica duas vezes e Thereza irtihsalho e a própria moradia (onde as baratas ex. , a li 1 1 ii' esse que o sistt'nu a [em ciii s'cus.'ulsu r cs
leniente. JA se fez até um filme (A dltferent story) chega a procurar um médico para esterelizar-se);
seu
proliferam. a luz n'ao fttneiusna'i. Mais do que isso, SI' 1 11 5 0 detli'.titusAi e repressão. issi' ai: en- r
iIIitl luis 11.1', u'lti'.. hui.'hi,u', uus'ur,'utiu,tus esFaqui.''uans
usib cima lésbica linda conhece uma bicha linda itu dliii o ais 1 ra ba 1 liii, Thereia parece inteiramente iu,srérn, a liberação çetitul gerriti de s regramento e'
,uiisFt'ittu sons ele: sexualmente. o filme dá a en- espetacularmente pobres mulheres sonhadoras
numa hsuale. e ambos acabam se apaixonando: tis'cicrsusi uuuuu processo de autodestruição. O Filme
u isltu i'i'tl iruiahisitus 5Iu' 1uti,s'idos luelti Jtistui,'a
desiiiididuss de seiss amores passados, vão formar tender que tu mulher tem muito mais chances de IA cliii alerta: convém susliar atrás com urgência.
iii

re:uli,a'ãis Qtier di,er. as reis -indicações Feminis- por falarem dos homossexuais sem tachá-los c
tini casal helerus muito Feliz e enquadrado. Que Su a postura confuirni ist tu parece mais do que
lindo par!. diriam as mamãs aliviadas. itts liirani couuseguiidtss, do ponto de vista do filme. é itirtuil '"s e m'riluuiusosus'.. N'ao é mesmo engraçado? A
t i iuhcuuie. tio sugerir que liberdade demais
uur'ps''.ii''. Vis tu tu Cisili,tsçài' — uns ttilscc'. a
Seria ludo isso mera coincidência, ou o re- F uustde tk'scnuhisesusu titulo isso? Na devassidão. iss'rieostt. Não era isso mesnuo que nossos avós
dirá o roteirista. A verdade é que o filme utiliza Sifili,:isi, ch i e silos os the'cejmus repriniiti 's s'uus-
íliiso da aparente onda de liberação sexual que 4iziam: "Cuidado, Deus castiga o pecado?" A
s'Cuii'tlos JW,n11M11 sst'sies st'iiisss de luistt'uritu
pernseotl a ultima década? Certamente. Mr. ;'rt'iuuiss' ''progrc".sisttus " para obter. paulahi- tiht'ra 5'àts da libido 'ssnirccpõe-se manqueisti-
oilhar não é mera coincidência. O filme faz nanucuuie. tinia inversão de valores que chegará à i-tsnuetute tu necessidade da repressão. deixando
5 '
iuiiiuituiutu Mi isis.'tu itt' ftluusis a Mturclutu NiIps'idIl.

u,urtc desse refluxo, sabe das coisas e pode ser eusiudeuutucio violeniti. no assassinato final. Aliás, que ti culpa se instale soberana. O mais grave,
Iuids'. menu'. ingênuos. Suas fórmulas e signos tu frase sits pai poderia ser ri refrão fatalista do tuirénu. é que tudo o aptirtitus de intimidação
Firauli :iprendidns e retirados da ''era progressis- fillus: — Voçè sai se dar mal. sozinha". A partir do nuorut id ' pehuu filme não consegue esconder seu
ti '' . i i iiiiizindo is feminismo para la ,s'r uma luis 'iii('ii o t'uui tilie There-,'a deixa a família, os- is mi uusssrl o iii a: cii n dcii ti-se si excesso de hiber-
Joo Slhérlo Trevisan
Página 13
LAMPIÃO da Esquina

** Centro de Documentação
APPAD
t'is
cia parada tia diversidade
c
Prof. Dr. Luiz Mott GRU PODIGN IDADE
CARTAS
NA MESA
Uma questão de linguagem Paulista,
(aros amigos, ac momento estou tentando mais profundos para minha pesquisa, emia que o pessoal. uo contrário do que tu' diz, e
muito respeiosd ir. E converte muito: S('JO 304 -
23 anos,
resolver um problema, e creioq ue vocês po- apenas uma relaço de vocábulos e expressões
deriam me ajudar e muito. Sou estudante e es-
tou cursando o 12 ano de letras da Fundação
iitili,adas pelos gays. que estabelecem a co-
municação entre eles, seguidas do significado
cera, diga que esta fuze p nds urna pe.sqursu, mui-
guuémn se Ossusta c,,)Pn isso Você vai fazer urna
'Xt'clU'flte trubulli,,, ternos certeza. E depois, ni4,)
coisa e tal
Santo André. Como se pude preser. este curso que teriam para nós, leigos que somos neste
transmite conhecimentos fundamentais a res- campo. esqueça de inundar tinia copia de [ruo p4'SqU5U1
peito tias línguas e dos fenômen,ss que elas con- P.S. - Gostaria de pedir ainda mais um pra gente, OK' Quero .she, se .for boa ' , LA ttf'
tem. Partindo, daí Foi- nos dada como tarefa favor -. vocês mercionaram no jornal algo a PIA O até jruhlu'a. Quanto às palavras que s-iu,
urna pesquisaa respeito [Ias gírias que fazem respeito do "Dicionário de Mestra Mambaba". em sua curou, todas retiradas do ,wss'
parte da vida cotidiana de um grupo social. A Eu poderia encontrá-lo facilmente em algum ;,,rnid, o gente vai mandar o sigrrt/nr* udo pi..
escoiliti deste grupo ficou ti critcric ' dos alunos. lugar? Onde? Grata, .4h. sito: Rafada Manihaba é urna cri-
e cii resolvi que iria laier uni estudo da gíria Sueli Almeida - São Paulo, capital. iidudu' mímica que persidrl'a?urenht' baixa em ai'
usail.i entre os liornossesLiais. Para isso, com- R. - Olha. Sueli, se ioi'f quer lazer urna gu.uémri iuqra da redizçào - qualquer uro, ela lUSO
prei o n 5 do LAMPIÀO da Esquina, pu- fies quisu pra valer, p o r cure frequentar si bares tem /tr4yert'rucui. E uma bicho que, nas várias
bliado por socês, coni o propósito de encontrar ,'4WL4 aí sk Sei,) Paulo .' trator e'or,hei'tmeptto i'iit'Ornoçn'3 pela.s quita já fiUSSoO (o' sempre
palas ras que crvmsscm ao meu interesse L01(( O /ieSSIM4I. 1.- mundo (71141(4) irrtrficrtiCiJ e perrg isíssiora, asa u,s,aclora. O Dieu ',ui í rio dela U
Acontece, porém, que no ten tio eu nenhum rei't'f,ILLo. Dê urna pa.ts,41u pelos bares do Lareu um livro que mia oca foi es,rilo. rilão é prl.'cia ' 4.
antigo ga y que me orientasse, se tornou dificil li, Ar ai tire. Vá io AÍ,'cfo'i',u/, ao (,ai' C 'luuh, ao eh' si eo ri f ( ^iii pulo i-ru.s que as pt'ssiat gmsiarucLiil
Para mim as pulti'Tas usadas nas reportagens II, mi, Sa1,ii'rrs, a,, ' 'dotou' Dritu,rcu o rua. Era ri' de esquecer. ,nas iieiartu'ce que Mambaha vive a
do jornal. Aí então me surgiu a idéia de es- Ir, / bp,'rti urU i/ 14' FIeL, lia l,p i ruflgil. r. erto do es- ç issvrrá da.' . C,,rrst,4Iu tens coZi' COn 5(i) ,uum'ulos.
erever para vcês, na certeza de obter dados q uina de .Sàr .Io. Pule /1:ê-lo sem n'mor [ ! . ,r- kâ queima saber c,rie pest inha ela é.

Outro baiano da Família "Dorô" Para falar em


llllIiIIn,1 dos, antes de mal', nada eu preciso ir
logo (li/Clido que 5011 o "irmão gorila'' de Fabiolo
J)ügilitis em titio pequeno sobre este tema. Falar
em, por exemplo. Fie de rico Garcia Lorca, André
Geraldo Vandré
l)iirô. Isttiii escrevendo para me defender das
acusaçt'scs que Pauinito (verdadeiro , nome dele)
Gitle, Oscar Wiide, Mtmrcei Pi'oimst, Manuel Puig.
Mário de Andrade, Fernando Pessoa, Tenessee
- O ticrimlos rct 1;, 're'. .Que arrepio rue ilá no
li il 1141 ''riiu-keiu'' ( t irgenm! ). ao ser por estas
me lei. O que acontece é que eu não tenho nada Williams. pra só tocar uni alguns próximos. Se for do [.AMPIAO que nosso ''meio'' se
contra as bichas e. pelo contrário, lenho até aI- do interesse de vucêt, cii posso indicar altas tu- :ilir,u,tu cnn h;tsc-s si"iidas para urna fuiura asL'u'nl-
guns amigos que logani no time de vocês. Eu não hiim' g rafias. detalhes e fofocas literárias incrivei'.. suo lt'iili'li do ,-onlcsio '.,icitil lo Pais. E iligni- Mb. pessoal. Tenho unia urtmnile idéia que
jogo, irias 1 a ntti ni titio jogo no time tias mu- Darev podia fa,.er o mesmo ciii relação às artes fiL':mmiic suulser que uiiio si-'mnius mais tão niturgi- írii imulmemimar uiituis a venda gem e a divulgação,
lheres, dos 1 rtis'estis, dos machões, etc., etc.. plásticas e a partir dai virava bula de neve, pegan- rtzuli,uiul,,s eunio érsiuuiis antes (tão desagramlás-el), dc'si e Nosso juntaI. Saint' qual ê? E uma seção no
Re'.uiiiiriiio. esteio comigo e nào abro (ou abro, a do cinema, teatro, música e coisa e tal. Acho que é muit u i i iiiii (crus ii pulo que vocês mios dão ti r rumvus
est
ilo onili' vocês podcro publicar
depender daquilo que venha). Portanto, está já falei tudo. Agora me digam se não era injustiça deste maravilhos o conteúdo que cm jornal possui. tu ím rrcimis de k'iiiiru's, simpa ti /ao(cs, fanáticos,
1,
clamo que Pai linho estava me caluniando. Não de Paulinh,u ole cha iii ar de gorila? Lembranças G o s tei! 1 ussiei mesmo de sentir qtue não estamos si'du'umlos, iuc-imruuimdaulos, lu( 1 0 numa muito boa. Eu
reparem, são querelas familiares de somenos im- pra iodos.
U'111 e'uiriisiido% derii mc, de urna fachada falsa. M)ti tturtitlo por escrever, receber, manduur, trocar
portância (meu Deus! Agora cii estou escrevendo ti nossa 1uTii41 i raná ti vjiu',riuu t'orrt''. p nuncieuuu-ia 1 posI ais,amizade.
Luis Ma'.-liado. Salvador. Bahia.
Sorum,'iuic i'los, etc.).
clificilt.
0 mii igui sohre o Transexualisilitt (nY 5). (liii' ( '' s s:uliem fÉLIV se t'i,erein na penúltima página, a
Mudando de assunto: preciso reiv i ndicar o R. - Tã legal, Machado cruzes!), a sua é a irai mi '_uisus de "tuidir S'uultliru'ne estava heuui pari liii dos Iu'iiorcs. ii tu mia v ai participar mmmi'.
titulo de "carta do mês" para esta missiva... E "vartinha cio mês". Essa lamília Durô deve ser ulcutru, de 11 1114 ' defesa digna, e que Ilim u'Ofliprfl 11104 ('(IOe5 de vocês. Vai 'ter uma hou!
que e o vi 1- ( - .-\ - - do Rio. chamar nosso jornal de dais mais tradicionais, ai na Bahia, n.o é? Quanto
.!,'oios :ífirn'ar: ''a coticietiaçfio ilui Di - Fttritt,u Itutiem uiumi aviso a'ut '' '\ rt-nçãu'. u,'iCt'ui,ii1iuloru's dv'
1.1 I NIINOSK ). Vou cobrar dir4 1t5 se lorai -;'lgv '.ÍLsu, o problema é que tem muita gente
('a '.s,iiitlra Rios -. eia é n,ar.ivilliui'.uu! (,lntv''. ek' - c'iu'. - cli'.: s i Luv' ri-ruu que
tiro apeliml,i mue eu -ri'.') pura i. I_.-'sMPIÃO aqui para e,il'rei-isOir, fora cio LAMPIÃO. Agora i ,,ci,-) wn , il l ilmadil com tu c:'rta de ilcairi,
11 tiej profissional", pelo menos como ela é en- II ''.'-'cr't ti Fiiiài, iti;iflmit'iil 'rui
ciii casa, e l',iulinlio, co acho, ululiiuti eni sua Mcli nui. i't'tiluuit'iuie. ela foi (uriiiuu faiturido aquelas 10" I'lu)iliv'tircuims'. St' assim fl,'
primeira carta. Wwês lembram tio psicólogo que tendida na grande imprensa, a gente no (cmii et ' Isuus uicu-it eis. l'uunibémn gostei dum'. sugestões que ri-mui, Podem contar comigo: serei o primeiro (lia
chamou vocês de JORNAL'LÂO? Pois o meu "mesmo"; "ética profissional" é aquela coisa que A Bk'liuu Ot'iI 1115111i quer 1 011 a!) - d ler. que listui.
apelido é mu mio tiii is legal. F.agora eu faço ques- os jornais trancam numa gaveta quando têm que i.iitiol,, D ' oh tipontilti, ele é tulI dele ser tirita coisa .lmiiio 'ti IIo'rlo I)ak'omuuuu'r - São Paulo,
tão dc ser a cartinlia do mês!,.. Informar aos seus leitores que o dólar -i n cr í vel! que uiiíssinlu a. iIJiil lii.
lenho duas sugestàes.A primeira é quanto às - subiu outra vez... Esse lime que você citou ai
n Unia siui5e'.l)'mo: lutOs cmtrc»i'.i:u s'I'ni mi Ger;ml,tt,
etmtreç ismas. Fiquem tranqüilos, não vou dar ganhava qualquer tricampeonalo do mundo, ão 'andré, poiS ti que sei dele são as sutis nitisica, R. - ' 1,i. -,
t ã , i\lt'u-imu'. uimtuuu 4.iui u-iui:ul.
nenhuma listinha, vocês já têm a de VOcS ai. E é? Para falar deles é preciso muito respeito. Por l'r,'rn;i'.. qmft - sv'iiufi re Fiu-tmrão tios motos c'n!u'n,lj(l,,'. nesta i u :meiiiuu tu i,i,,u' IIZI
que não tem nada demais entrevistar gente aí da exemplo: soubemos que os bigodes de Walmir -,uru i u-u'ss's. S 0154'. OmitIu coisti. l)FIX[M A 'r c''.u'ritpliíueuum-. put'lic:mnili'.
redaçào. Só litura indicar: João Silsério, Darc y e Aala tremeram durante unia semana, só porque Mli INUA EM IA!. Ahi;tu,-ose heiji'siuuus liri:is de 'i'.,(:u ,' t,'Li .iitllit'.Io Ma', é s,t u'',stu tu-a,
,gll i niuldus. Sem essa de — ética Profissional'', pois a gente disse que Lorca gostav a de vadiar (vide Si ' pc'.,'' Limos coisa pra su,cê '.. pIe fuul,,r. O 1\i,1m:m ''vê iu'r:i qtit' 1 1 a'uIr. Oruiruu v'u'isa: 4
isso é coisa de jornal caqsmético, suhdcsens oh- ido e LAMPIÃO m1' mero). Como você vê, tem muita fl5' 1',Ii'licIliCtui nu_li eillku'e1-o). 444.' '.4' r,-sc'us um ,' mlir&'iiiu uit' i , i u blietur ,'mu iitic, os
senil iflitigimiaç.'io. gente querendo maquilar seus entes queridos, dar
A.D.R. —Cmmrit lima, Paraná. '.u, lua foi,,,
A outra é pio Aguinaido: lembra de uni artigo • eles uma aparência que consideram melhor que
que você lei no Livro de Cabeceira tio Homem • verdadeira. Assim ... Agora eu acho bom você se
sobre o homossexualismo em geral? Pois o Fumai cuidar. A Rafada Mambaba, depois de ler e reler Aulas Particulares: Inglês e
dava tinta visão geral sobre as relações do assunto sua carta aqui na redação, proclamou, enig- Francês. Na casa do aluno (Centro,
nas artes e principalmente na literatura. Acho mática: "Esse ai eu quero conheeer pes-soalmen' Flamengo, Laranjeiras) ou do
que agora já é t cmii po dc uro SurI igámi de tini as t ré'. te." Ai,aI,ai,
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LAMPIÃO LAMPIÃO. "Histórias de Amor" '.u'iu'. ('rS 1,941 li uiril' 1,41 51 ml) nitia serão per'
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I'mgina 14 LAMPIÃO da Esquina

*.,.

Centro de Documentação
APPAD mi k
ela par.uuitm da clis'u'rsumltmdo-
Prof. Dr. Luiz Mott GRU PODIGN IDADE

CARTAS
NA MESA

coisa não pode sair. A contradição é gritante e a Resposta


Debaixo dos lençóis reação dessa mistura pode ser violenta. Resu-
mindo, os crimes chamados sexuais pela repor-
Tal um bom conselho, Luiz Carlos. Vanios ser
mais alegres. Vamos brincar de roda. Vamos
a leitura de LAMPIÃO pelo ,,° 4. devem pensar também pra Marlene, porque ela é a tagem do LAMPA 6, tem muito pouco de sexual e brincar de lobo mau e chapeuzinho vermelho.
A pites tinha ouvido comentários e depois li o jor- intérprete de —Cabaré —, de João Bosco, música muito de social. A reportagem sobre o "Es- Você é leitor dos romances de M. Defl y ? Nós tam-
nal nu caso de um amigo. Notei que a pequena muito, muito entendida. Abração. quadrão Hortelã" é para rir ou para chorar? A- bém somos. Acontece, porém, que há uma outra
publit'uç'ào é grande em quebras de tabus e muito Fábio F. (Rio). liás, eu acho pouco salutar a ênfase do jornaleco" realidade, que está ai. na nossa cara, e que nós
aberta; até mes,pw os que vivem escondidos sob os "entendido" nas matérias saguinánas e violentas. acreditamos que deve ser mostrada e denunciada.
lençóis do preconceito i-xrau lendo o dito cujo. O Vocês combatem o "Notícias Populares" mas es- Não temos intenção de agredir ninguém com as
ti? 5 e,rtr'udr melhor, vivi mais o clima. Bixórdia é R— Vamos começar por baixo. A sugestão de en- tão fazendo a mesma coisa. Se torcer o jornal' nossas niatérias. mas também não queremos es-
urna loucura. A ultima entrevista que li da Cas- trevista com Marlene é uma boa. Sabemos que zinho, pinga sangue. A reportagem sobre o Fa- conder o sol com uma peneira. Não acreditamos
sandra Rios foi tio "Pasquim", em 1976. Com Emilinha é urna pessoa maravilhosa, doce e com- nático- medieval-elitista-diretista Yuk io Mi' que sejamos uma classe à parte, muito pelo con-
vocês ela foi diferente, ruires menos ferida. Mas preensiva; o problema mesmo é o J clube. A shima dá até medo de ler, tamanha a insanidade. trário, queremos é sair desse gueto imposto por
com) serci, seus ,,ovos trabalhos? Será que vai Maria Be:hânia. Deus nos livre; ela mataria a Meu Deus, o que está havendo com ojornalzinho uma sociedade machista que acha que homos-
mudar de gênero. A parte de reportagem com gente se desconfiasse que se estava pensando que propunha um pouco de humor? Vocês estão sexual deve ser mantido como cidadão de segun-
"Violaçào. ato de sexo ou poder?", foi urna boa. coisas dela. né? A Cassandra Rios vai lançar parecendo um bando de doidivanos varridos da classe, da mesma forma que a mulher, o índio
Fiz um estudo do OSSUnIO. Existe uma causa, um brevemente dois ou três livros que prometem ser numa escalada de agressão generalizada' e o negro. Denunciar os crimes contra homos-
?flo,ii'o pura tudo. Sei que é d,jFcil, mas tentem tão quentes quanto os anteriores, aguardem. E parece que vocês não se aceitam como homos- sexuais ocorridos dentro de tal contexto não nos
urna entrevista com a Maria Bethânia. Vai in- por fim obrigadinho pelos elogios. Aliás, você já sexuais. Relas. Take ir ease. Assim vocês assus- torna jornalistas marrons. com as mãos tintas de
teressar a todos. Digam pras fanzocas da Emi' fez a sua assinatura do LAMPIÃO, Fábio E.? Se tam todo mundo. Vamos ser mais alegres e sangue. A nossa intenção é criar uma nova cons-
linha que crítica também pode ser construtivo e gostou não pode lê-lo em cosa de amigos. Nesse deixar o recalque para lá, ciência homossexual em relação ao dia-a'dia que
que a propria Ernilinha não sentiu tanto. Vocês sentido somos tiranos. a bicha tem de enfrentar. E isso quer dizer formar
i,iri
uma consciência social. Nada mais bem inten-
Luiz Carlos Amorim (São Paulo) cionado e civilizado, não acha?
Chapeuzinho vermelho
"Achei muito bacana o posicionamento de
Aguinaldo Silva em relação às eleições de IS de
mista e pouco elucidativa dada aos 'crimes se-
xuais". Não acredito em violência gratuita contra
O que se lê em Minas Gerais
novembro. Tal uma atitude lúcida e corajosa que os homossexuais, coisa que a matéria deixa clara.
deveria ser seguido por outros. Na falta de um Que tal analisarmos a questão pelo prisma social ( 'ti ,, .4i.'r' r,,,,ld, i. ou orna'. , si d'ri' ''cv) i,'ir, / iFu.'rra'óa da i.fulher. . . , u',,,prr um,, i , r,, Um
candidato diretamente ligado à causa da minoria e não passional? Eu me recuso a concordar que ( '' ir, .1,. % rir, lli,,ri'.v que já lentos no o.ssr,m,,. Doí ,iIuiu',, Rui/ir'! A',q'u (Ia;,'rii,'r'.,v <Ir' Min,,s
homossexual ele optou por um outro, ligado à exista uma natural animosidade entre "bote" e i,,j,li,,'i ,lt :r.ior Liberação da Mulher Ano (,',',air trila.)
minoria mais perseguida neste Pais, os dissiden- "bicho". A problemática continua sendo social, Z,'rrr, qir' uru ,Jroq,, s,,!,r,' este O',no.
tes políticos. Parabéns pelo bom senso. Não con- pois vivemos numa sociedade dividida em classes 1, Ir. fiJO ,(flC' f) ri,',,., ri ni'r,'.vsr:r ii '.,, i'. .4 por- 1? Querida Rachel.- .lguinaldo. da funda
cordo que nós, os homossexuais, constituamos sociais completamente antagônicas e inimigas in- ,i.ir.r iu,f,r,,uar di' uni de 'ria tintitir':, a'rarl's'e o elogio. "1. lhe raçiio da
uma classe. Somos pessoas pertencentes a difen- conciliáveis, onde uma pequena minoria, pro- ir v.iir daqui a irn.v %lr,fFu,'r: Anos Zero". . rim lura qui'lití'simo, e
te) classes sociais, com os mais diversos pontos de prietária dos meios de produção subjuga a grande ii.',, ri, itt Rq'lrun',rio tihre a hi.mnp.ssrxuajj' pa' 'á. !,, a urna da nonitt colaboradoras
vista, posições políticas conflitantes e dai para maioria assalariada, desprovida de qualquer dr,d,' do h,,,,u'n,,!. FIou ,Ç A. ,f..4r, -, Um,e es- - lpruir.'I'nenu' leilru til,e,,li'.. para ama re'
diante. O fato de nossas preferências sexuais recurso. O mal dessas bichas é serem "ricas" e ' ,'rt,r p's eu,,,, ,F,'s i ,' ,,oruni,, 1,,, pau,-., al,,,rdudi, ruir,:. Q,r,r,rro ao — Relatório... '', iam,,'. dar uma
serem estas ou aquelas não nos torna uma classe à irem atrás de "pés-de-chinelo", termo muito unr.',,,,,-, pptr,is sr,i,es. .4s',irui JItr' sair ri g.'runr' bus'., ,'n,.rmi': mande correndo, que a gente
parte, com interesses próprios e objetivos comuns. usado pelos articulistas do LAMPIÃO. Do des- ti,,,,, iv,,, . - , ,,uçuiur 'uru o fl,r,H,, do f A li.! PIA O. ri', ,r,m',rd,, ti urra aos no'. mui miii are'. (vão
Não concordo tampouco com a colocação alar- nível social brusco das partes envolvidas boa 1!t," o- ,p. ( ia,- ,r,,' uio'r,',i'iIUo lii,, '' I,,OUi' na mii, ijr," mi" ,,wl de Ig'iiipre'.,

Nós também estamos fazendo História


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MFI
Homo eroticus
LAMPIM
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imo LAi.iO
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s.a.. i COMO ENFfiEMTA A NO!TECARCA : 'di ri \i ..',FtT.s,'t G,$5 !li5i U , O' i ii i(iri.i ,I,LO D Otr' .tii.1

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LAMPIÃO da Esquina Página 15

lei 6~
**
Centro de Documentação

APPAD Prof. D Luiz Mott


i GRUPODIGNIDADE
da parada da diverm,drid,'
OATERATUP

O Beijo da M Aranha
-
- Que suspiro!
- Que vida esta. tão dificii...
Que está sentindo, Molina?
- Não sei, tenho medo de (Lido, tenho nado
de me iludir com essa história de que me vão s1-
iii. lenho titedo de que não me soltem... E do que
vulto mais medo é de que nos separem e me

sttiiiiam em outra cela e ou tique aqui para sem


pie. cont sabe lá que 01 á rio.
- Melhor não pensar em nada, já que nada
- Onde lhe dói?
Três trechos do romance de Manuel Puig
cansado de sofrer. Você nem sabe, me dói tudo
por dentro,

- Dentro do peito, na garganta... Por que


será que a tristeza se sente sempre ai?
- verdade.
- Dose ser porque não penso em mim...
- Você me Faz muito bem...
- Deve ser porque penso que você precisa de
mim. e posso fazer alguma coisa por você.
- Valentin. - - Pra tudo você procura ex-
plicação... que louco você é...
mim?
E você, sai se recordar bem ou mal de

- Aprendi muito com você. Molinita..,


- Está louco, se eu sou um burro...
- E quero que saia contente, e tenha boas
recordações de mim, como eu de você.
- E o que foi que você aprendeu comigo?
- Ë muito difícil de explicar. Porém me Fez
pensar muito, disso eu lhe asseguro.
- Você tem sempre as mãos quentes, Vaten-
depende tia gente. - E agora você... me cortou a vontade, de - Ê que não gosto que as coisas me lin.
- Olha, nisso eu não estou de acordo, acho chorar. Não posso continuar chorando. E é pior. empurrem... quero sabor porque elas acpntdeerá. - E você sempre Frias.
titio se a gente pensar bem descobre alguma o nó na garganta, como está me apertando, é uma - Valentin, e eu, posso tocar você? - Eu lhe prometo uma coisa, Valentin..., que
saida. VtiIt'nijni. 'coisa terrível. - Sim... sempre que me recordar de você, será com ale-
- Que saída':' - Quero tocar.,, essa meia-lua... um pouce gria, como você me ensinou.
- Pelo menos.., que não nos separem. - mesmo. Molina, aí é onde mais se sente a gordinha que você tem em cima desta sobran- - E me prometa outra coisa.., que vai fazer
- Olha... Para não ficar se maltratando, t risteza. celha. com que o respeitem, que não vai permitir que
pense nulilti coisa', que tudo o que você quer é sair ninguém o trate mal, nem o explore. Porque nin-
para cuidar de sua mãe. E nada mais. Não pense —Sente muito forte.,, lhe aperta muito forte - E assim, posso tocarem você? guém tem o direito de explorar ninguém. Me per-
nt mais nada. Porque a saúde dela é o que é esse nó? doe que lhe repita isso, porque uma vez eu lhe
iiiais importante para você, não verdade? - Sim. - E assim? disse e você não gostou.
- Sini...
- Ctineentre'se nissO, e logo. - Molina, me prometa que não vai se deixar
Não, não quero me concentrar nisso,., não! E aqui que lhe dói? - Tenho unia curiosidade.., você acharia
repulsivome dar um beijo? enlamear por ninuém.
- Eli... Oque há? - Sim... - Eu prometo
- Não posso acariciar? - Uh,,mmrn... Deve ter sido de medo que você
- Nada..
- Sim... se transformou em pantera. como aquela do
- Vamos, não Fique assim,., levante o rosto
LieSse Iras essv'iro... - Aqui? primeiro filme que ne contou. *5*
- Sim... - Eu não sou a mulher pantera.
- Nào... Me deixe...
- Lhe faz bem?. - claro. você não é a mulher pantera. - Molina, que é?. queria me pedir o que
- Mas o que há? Está me escondendo alguma
- Ë muito triste ser mulher pantera, ninguém pediubote?
—Sim... Me faz bem.
a pode beijar. Nem nada. - O que?
- Não. esconder de você não... Mas é que... - A mim também me faz bem.
- Você é a mulher aranha, que enreda os - O beijo.
- O que? Qttando sair daqui. vai estar livre, - Verdade':'
homens em sua teia, - Não, era outra coisa,
sai conhecer gente. st' quiser pode entrar em ai- - Sint... Que descanso...
- Que lindo! Disso sim, gostei. - Não quer que eu lhe dê agora?
cum grupo publico. - Por que descanso. Valentjn?
- Está louco, não confiariam em mim por ser ,—Sim. se não lhe dá nojo.
- Porque... Não sei... - Valentin, você e mamãe são as duas pes-
i etulo.
- Porquê? soas que eu mais quis no mundo.
-- Eu posso dizer a quem deve procurar.
- Não. por tudo o que mais queira, nunca,
tia^ fltiflea. me emende'?, me diga nadados seus

Por quê" Quem imaginária que vocêvai


procurar pr cio'.?
- Não, podem me interrogar, o que seja, e se
Pássaros da mesma gaiola
eu não sei nada, não posso dizer nada. "O Beijo da mulher aranha" é o novo
-' Mas de todo mudei, existem muitos grupos livro de Manuel Pulg, a ser lançado bre-
,te ação i'ç,l j l j ca. E se algum convence, você pode vemente no Brasil pela Editora Ch'Uhz.çio
aderir, ainda que sejam grupos que não fazem Brasileira. E trata de um tem* que vai dar o
mar do que falar. que falar: na cela de uma cadela argentina,
- Ei não entendo nada disso... o homossexual Molina e o marxista Valentln
-- E é certo que você não tem amigos de ser- estabelecem um relacionamento em que e
titule. bons tini IgLIS? troca de Informações garante o entendimen-
Sim. lenho amigas loucas como eu, para to mútuo sobre suas realidades muito es-
o tempo. para rirmos uns pouco. Mas pecificas.
tliitiiili4i ficamos dramáticas... fugimos uma da O livro pode ser encarado como um sin-
mija, Porque já lhe con tei como é. que unia se vê toma da mudança de relações, ainda cm
relk'i ida tia mitra e sai espantada. 1-icamos Início, entre o homossexualismo e a esquer-
dcpriinititLs iguais a Limas cachorras, você nem da política, tradicionalmente antipatizados.
lilItIgiliti Talvez seja essa a maneira mais adequada
- As ct 1 isa pode iii111L1 1.1 31­ quando sair daqui. de considerar', a obra, isto é, como um
-. Náti 5:10 iii ti dar. reflexo dos primeiros diálogos que já se es-
Vamos, não chore... não seja assim... Já boçam mundialmente entre os dois lados.
qututultus tcies vi você chorar? Bom, eu lambem Se se parte da posiçao que o livro reflete
iiirvi unta vez... Mas basta, tche... Me põe.. - essa mudança de relações, não há muito o
ncrs oso. que não chore. que cobrar a "O beijo da mulher *ranha",
- que não posso mais... Tenho tanto... pois a profusão de pontos crizicaveis que ele
apresenta corresponde às crí t icas que
- Já apagam .0 luz? sendo dirigidas à aproximação entre esquer-
- Sim. que i que você pensa? Já são oito e distas e homossexuais, hoje. Um exemplo é
meia. E melhor, assim você não vê a minha cara. a caracterização dos personagens: Molina, o
- Passou rápido o tempo com o filme. alienado, e Valentin, critico, consciente, sádico e homicida necrólUo. Sinal dei tem- Mala adequado seria dize, que o livro
Molina. lúcido, participante. Dessa maneira, a li- pos? E o que parece. mostra a expectativa homossexual de se unir
- Est a noite não tOLI poder dormir. derança das dIscussões cabe sempre au mar- Até mesmo a aproximação de Molina a aos que lambem reivindicam uma sociedade
- Enit'uo meescute, que em alguma coisa xista, enquanto o homossexual quase nada Valenlin subentende uma atitude por sua mais justa, mas, contraditoriamente, sem-
poderei ajudar.I' questão de Falar. Antes de tudo tem a dizer, exceto narrar seus Filmes vez discutível, pois' não é uma aproximação pre evitaram discutir o homossexualismo
tem que pensar C 11 pertencer a um grupo. erus não prediletos para divertir o companheiro de direta, em que o homossexual se impõe com a'oçsl alegação de que ele é fruto do
Ficar só. isso eerlamnte v' vai ajudá.lo. cela. perante o outro. Não. Molina como que se capitalismo em decadência e, assim, se
-- Mas que grupo? Eu não entendo nada des As discussões de Valentln visam pro- deixa levar pelas Idéias de Valentin para livraram de encarar honestamente e rea-
as
ei usa - 1' v' reio ti tiui itt me nos. mover a desalienação do outro e é no Anal do facilitar o entendimento entre os dois. E é lidade, ali os dias que correm LI)tuniei dos
- Fiivi, ' agüente. livro que Molina começa a compreender a dessa forma que se comporta a personagem Sturitosi
- Não u tintos Falar i tais...
v
necessidade de lutar contra a carga de do filme (e também til ulo do livro) "O beijo
- V a nios - . . não seta assim... Molinit a. preconceitos que a sociedade Fez-pesar sobre da mulher aranha": enreda numa teia os
- No. . Ilit pi'çi, ... tiãti tiic toque... ele. No decorrer desse processo de discus' homens que fogem de seu aspecto des- i) Manuel Puig nasceu em 1932 em
Aqui o se ti a tnigut não lhe pode consolar? o envolvimenio afetivo cresce a ponto prezível. General Viliegas, província de Buenos
Mc deixa pior. de f-asoreeer um ato sexual entre os dois... Dessa forma, por todos esses pontos Aires. Em 1951 iniciou estudos na Univer-
Por Llue'.' Vaiii,s, fale. itL C hora que eoii por iniciativa de Valentin!!! criticáveis, fica claro que Puig não escreveu sidade da capital argentina. Foi morar em
11C1110-, tini iii outro. De srdtudc. queri ajudar Esiranliamente, neste livro, o argentino uni livro para dar suas opiniões sobre a Ruma, e atualmente vive col Nova York, no
i,'cé. Molinultu. Inc diga o que caiu acontecendo. Puíg ( 1 poupa qualquer critica à esquerda, aproximação entre homossexuais e marais- exílio, pois está proibido de visitar ao seu
A L'uiilca coisa que peso é para morrer. Essa enquanto em 1 lic liuictitis Aires Affair, por las, nem para externar posi ç ões sobre a pais, onde também está proibido "O beijo
.1 Ú nica coisa que peço. exemplo, chega a t'o' iprometer indireta- maneira ideal dessa aproximação, nem mes- da mulher aranha". No Brasil já foram
- Não diga isso, na tristeza
nriste, que daria à mente a imagem do Partido Comunista ao mo para criticar o curso que os eni&'ndimen- publicados três livros desse autor: "Boquihas
siitu màe....e a seus amigos. a mim. caracterizar o personageni Leopoldo (mem- los vêm tomando, em vários países, entre os Plnt*daa", "A Tra iç ão de Rbui Hayworth" e
- .' você não importaria nada... bro do PC) como machão insensível, amante dois blocos. "Buenos Aires Affair".
- Como não? Vamos. que cara é você...
Estou muito cansado, Valentin. Estou

**
APPAD ie
da parada da ciiversirlttdi'
Centro de
Prof. Dr. Luiz Mott
Documentação
GRUPODIGNIDADE
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